007 First Light é um jogo sexy e que chega na hora certa para James Bond - Review
IO Interactive entrega trabalho primoroso com novo jogo do espião britânico! Confira a análise
Depois de anos vivendo entre reboots, despedidas no cinema e um futuro ainda indefinido nas telonas, James Bond finalmente encontrou um novo lugar para existir. E talvez isso diga muito sobre o momento atual da franquia.
Enquanto Hollywood ainda tenta decidir qual será o próximo rosto do agente 007 após a saída de Daniel Craig, a IO Interactive simplesmente foi lá e entregou uma das adaptações mais interessantes do personagem em décadas. 007 First Light já está disponível, vendeu mais de 1,5 milhões de cópias e está entre os jogos com melhor recepção do ano.
Enquanto testava o jogo para essa review, lembrei bastante de uma fala do diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho sobre o filme O Agente Secreto. O cineasta escolheu esse nome porque queria algo “curto e sexy” para definir o projeto, capaz de transmitir intriga, mistério, violência e ação. E sinceramente? Não existe termo melhor que “sexy” para definir o novo game da IO Interactive.
007 First Light é sexy porque entende perfeitamente o que faz James Bond funcionar. O jogo sabe ser elegante, perigoso, sedutor, exagerado e emocional ao mesmo tempo. Mais do que adaptar o personagem para os videogames, a IO consegue atualizar Bond para uma geração que talvez nunca tenha assistido aos filmes antigos, mas que pode se interessar pelo universo gigantesco do espião britânico.
E digo isso como alguém que entrou em First Light depois de maratonar os filmes mais recentes da franquia. Enquanto jogava, comecei a ficar interessada em revisitar as produções antigas, procurar mais sobre os livros de Ian Fleming e entender como James Bond conseguiu atravessar tantas gerações sem perder relevância.
Poucos jogos conseguem despertar esse tipo de curiosidade fora da tela — e isso já diz muito sobre o trabalho da IO Interactive.
Ficha Técnica
Jogo: 007 First Light
Desenvolvedora: IO Interactive
Lançamento: 27 de maio de 2026
Onde jogar: PC, PS5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2
Plataforma de teste: PS5
Preço: A partir de R$ 299
A história não contada de James Bond
Mesmo quem nunca assistiu a um filme inteiro de 007 provavelmente sabe quem é James Bond. Criado por Ian Fleming nos livros e eternizado no cinema por diferentes atores ao longo das décadas, o personagem virou um dos maiores símbolos da cultura pop quando o assunto é espionagem.
No entanto, existe algo muito inteligente na decisão da IO Interactive de não tentar simplesmente recriar os filmes. Em vez de adaptar uma história conhecida ou apostar em nostalgia pura, 007 First Light cria uma nova origem para Bond.
Aqui, acompanhamos um James Bond de apenas 26 anos, recém-recrutado pelo MI6 e ainda longe de se tornar o agente lendário conhecido mundialmente. Ele é impulsivo, arrogante, carismático e claramente imaturo em muitos momentos.
A narrativa começa após um ato heroico colocar Bond no radar do programa Double-0. Em meio a uma nova era tecnológica, onde inteligências artificiais e computadores quânticos começam a dominar operações de espionagem, M decide apostar novamente no fator humano — e é aí que Bond entra em cena.
Interpretado por Patrick Gibson, o personagem ganha uma humanidade que raramente aparece nas versões mais clássicas do espião. Pela primeira vez, vemos Bond tentando entender quem ele é enquanto aprende como sobreviver dentro de um sistema que exige frieza absoluta.
Ao lado de personagens como Greenway, Cressida e Monroe, o protagonista acaba mergulhando em uma conspiração que cresce constantemente durante a campanha. Assim como nos filme e livros, a narrativa inclui viagens pelo mundo, momentos de ação de tirar o fôlego e, claro, muitas mulheres poderosas e sedutoras.
O mais interessante é como o jogo entende que James Bond não pode viver apenas de nostalgia: First Light moderniza o personagem sem destruir sua essência. Ainda temos perseguições absurdas, sedução, frases de efeito, gadgets malucos e conspirações internacionais, mas tudo isso aparece dentro de uma narrativa mais emocional e contemporânea.
Considerando que a franquia nasceu durante a Guerra Fria e já se reinventou múltiplas vezes, a IO Interactive não fez nada de revolucionário. Ainda assim, a abordagem de First Light mostra que a empresa realmente se preparou e fez um jogo com carinho e atenção.
IO Interactive encontra equilíbrio perfeito entre Hitman e Uncharted
Antes do lançamento, existia uma dúvida gigantesca sobre como a IO Interactive adaptaria sua fórmula de Hitman para James Bond. Afinal, apesar das duas franquias envolverem espionagem, o ritmo delas é completamente diferente.
Felizmente, o estúdio não tentou transformar Bond em uma versão com cabelo do Agente 47. 007 First Light funciona como uma mistura extremamente inteligente entre a liberdade estratégica de Hitman e a pegada cinematográfica de Uncharted e The Last of Us. Com isso, temos um gameplay variado e criativo durante uma história de 10 capítulos de aproximadamente 15 horas.
Grande parte da campanha é linear e altamente orquestrada, cheia de perseguições, explosões, Quick Time Events e momentos claramente inspirados nos filmes. Isso já é bem divertido, principalmente pra quem viu os filmes de 007, mas é quando o jogo abre espaço para experimentação que tudo realmente brilha.
Cada missão oferece múltiplas formas de lidar com os objetivos. Dá para agir silenciosamente, improvisar situações, usar gadgets para criar distrações ou simplesmente partir para o combate direto quando tudo dá errado. E quase sempre tudo dá errado.
Bond ainda não possui licença livre para matar durante boa parte da campanha, então furtividade e improviso acabam sendo essenciais — é aqui que aparecem os melhores elementos herdados de Hitman. Você pode blefar para entrar em áreas restritas, ouvir conversas escondido, usar disfarces ou manipular o ambiente para eliminar inimigos sem chamar atenção.
Os gadgets, inclusive, são um espetáculo à parte. O relógio hacker, os fones explosivos, a câmera de impacto e até uma caneta que lança míssil fazem o jogo abraçar completamente o lado exagerado da franquia. E felizmente a IO entende que esse exagero faz parte do charme de James Bond.
O mais impressionante é como tudo se encaixa naturalmente durante as missões. Em alguns momentos você está se infiltrando silenciosamente em um resort no Vietnã; minutos depois, já está trocando tiros em corredores destruídos enquanto tenta sobreviver com pouca munição.
Combate entrega ação brutal e extremamente satisfatória
Quando a furtividade falha, o combate assume o protagonismo — e felizmente ele também funciona muito bem. Seja com armas ou na mão, o jogo entrega animações e uma experiência de alto nível.
As lutas corpo a corpo são excelentes. Bond pode bloquear ataques, agarrar inimigos, usar o cenário a seu favor e finalizar adversários com animações extremamente cinematográficas. Existe peso nos golpes, impacto nas finalizações e uma brutalidade que lembra bastante os filmes estrelados por Daniel Craig.
O gunplay também surpreende. Os tiroteios usam um sistema de cobertura bastante funcional e geralmente trabalham com recursos limitados, obrigando o jogador a improvisar durante os confrontos. Em alguns momentos, precisei trocar constantemente de arma enquanto fugia de inimigos mais resistentes, e isso acabou criando cenas caóticas que pareciam saídas diretamente de No Time To Die.
Outro detalhe interessante é como o jogo recompensa criatividade. Dá para usar objetos do cenário para derrubar inimigos, explodir estruturas ou criar distrações no meio do combate. Você realmente vê utilidade nos gadgets e na observação durante todo o gameplay.
Por outro lado, existe um pequeno problema no ritmo causado pelas mortes. Jogando na dificuldade recomendada, alguns chefes e sequências mais intensas podem matar rapidamente, e os loadings após morrer acabam demorando um pouco mais do que deveriam para os padrões atuais.
Não chega a estragar a experiência, mas quebra um pouco da adrenalina em certos momentos. Ainda assim, o saldo é extremamente positivo: First Light consegue entregar um gameplay variado do começo ao fim, algo raro em campanhas cinematográficas modernas.
Um James Bond mais humano — e talvez um dos melhores já feitos
Se existe algo que realmente me surpreendeu em First Light, foi o cuidado da IO Interactive ao trabalhar o lado emocional do personagem. Bond continua sendo confiante, sedutor e sarcástico, mas agora também parece vulnerável. O jogo explora inseguranças e impulsividade do protagonista enquanto ele tenta descobrir qual é seu lugar naquele universo.
Isso aproxima bastante o personagem da abordagem utilizada nos filmes com Daniel Craig, mas sem abandonar completamente o charme clássico da franquia. Patrick Gibson entrega uma atuação excelente e consegue equilibrar arrogância e humanidade de forma muito convincente.
O mesmo vale para Lennie James como Greenway, que funciona como um mentor duro, mas emocionalmente complexo. O restante do elenco também impressiona bastante. — e isso merece destaque porque adaptações de games com atores famosos nem sempre conseguem entregar boas performances.
Aqui, felizmente, tudo funciona. As expressões faciais, a captura de movimentos e a direção cinematográfica ajudam a transformar várias cenas em momentos realmente memoráveis. Existe um cuidado visível na construção dos diálogos e relações entre os personagens.
First Light entende que James Bond não precisa ser apenas uma fantasia de poder masculina parada nos anos 60. O personagem ainda pode ser estiloso e exagerado, mas agora também parece alguém real.
Visual cinematográfico impressiona no PS5
Visualmente, 007 First Light é um absurdo. A IO Interactive entrega uma experiência extremamente cinematográfica, com cenários variados e uma direção de arte elegante do começo ao fim. O jogo viaja constantemente entre diferentes países e ambientes, indo de resorts luxuosos até instalações tecnológicas gigantescas e mercados clandestinos.
Os modelos dos personagens impressionam bastante, principalmente durante closes e diálogos mais dramáticos. O cabelo de Bond, as roupas, as animações faciais e até pequenos detalhes de iluminação ajudam a vender a fantasia de estar participando de um blockbuster interativo.
No PS5 Pro, a experiência foi bastante sólida, mas acabei encontrando alguns problemas. O desempenho se manteve estável na maior parte do tempo, sem quedas graves de framerate ou bugs capazes de comprometer a experiência.
No entanto, o jogo teve crashs três vezes: uma no começo do game, já na primeira cutscene, e outras duas vezes no final. Em um dos momentos do último capítulo, inclusive, eu só consegui progredir após desabilitar todos os efeitos visuais disponíveis, incluindo o HDR.
As legendas em português brasileiro também ajudam muito na imersão. Porém, alguns blocos de texto aparecem grandes demais em determinadas cenas, algo que claramente pode ser ajustado em futuros patches.
Vale a pena?
Depois do fim da era Daniel Craig, existia uma sensação estranha de vazio ao redor de James Bond. Enquanto a franquia não continua nos cinemas, 007 First Light chega sem tentar apagar o passado da franquia, mas entendendo perfeitamente o legado do personagem.
Usando toda a sua expertise, a IO Interactive entrega um jogo que respeita profundamente o legado do personagem enquanto cria algo novo e empolgante. Nada revolucionário, mas bem feito e divertido de se jogar.
Para quem gosta de jogos cinematográficos, espionagem, ação e narrativas cheias de tensão, First Light é praticamente obrigatório. Já para fãs antigos da franquia, o jogo funciona quase como uma carta de amor interativa ao universo criado por Ian Fleming.
No meu caso, terminou despertando algo ainda mais raro: vontade de mergulhar ainda mais nesse universo. 007 First Light não é apenas o melhor jogo de James Bond já feito. O título também um lembrete de que algumas franquias clássicas ainda tem espaço em um mundo moderno, servindo de porta para tudo que já veio antes.
Assine o Jornal dos Jogos e ajude nosso projeto
Gostou da edição de hoje do Jornal dos Jogos? Então assine a nossa versão premium e ajude nosso projeto a crescer cada vez mais! O plano custa apenas R$ 5 mensais, ou apenas R$ 50 por ano, e inclui muito conteúdo extra além do resumão semanal!
Todo conteúdo sem anúncios no Substack e no e-mail 🗞️
Uma edição extra (ou até mais) para assinantes por semana, incluindo reviews e posts longos desdobrando notícias importantes 🎮
Pôsteres inspirados em games e acesso à galeria de artes para colorir no estilo Bobbie Goods, para você reduzir o tempo de tela (ou dar de presente pra um sobrinho).
Desconto de 20% na loja do Jornal dos Jogos!
Sorteio de final de ano para os apoiadores premium ❤️
Caso não queira ajudar com assinatura no Substack, que tal lançar um Pix para o Jornal? Qualquer valor já é útil, basta usar o nosso e-mail como chave: pix@jornaldosjogos.com.br! Obrigado por tudo e até mais! 🎮









