A Ubisoft vai fechar? Entenda cancelamentos, demissões e nova estrutura da empresa
Afinal, o que diabos aconteceu com a Ubisoft? Saiba detalhes dos cancelamentos, demissões e reestruturação da empresa por trás de Assassin's Creed
A Ubisoft vive um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. Depois de anos lidando com adiamentos, custos crescentes e resultados abaixo do esperado, a gigante francesa dos games anunciou uma reestruturação profunda — daquelas que mexem com tudo: estúdios fechados, jogos cancelados, demissões e até uma nova forma de organizar suas franquias mais importantes.
O impacto foi imediato. As ações da empresa despencaram mais de 30% na bolsa de Paris, e a Ubisoft passou a admitir publicamente um cenário financeiro delicado, com prejuízo operacional estimado em cerca de 1 bilhão de euros até o ano fiscal de 2026.
Por ora, a Ubisoft não vai fechar, mas está em uma situação financeira delicada e que exigiu muitas mudanças. A seguir, entenda melhor o que aconteceu com a companhia.
A crise financeira que empurrou a Ubisoft para o limite
Segundo a própria Ubisoft, os problemas vêm se acumulando desde o período pós-pandemia. Grandes jogos foram adiados, projetos inflaram orçamentos e o mercado de games AAA ficou mais competitivo (e caro) do que nunca. Resultado: menos lançamentos, menos dinheiro entrando e mais pressão de investidores.
Com a reestruturação, a empresa prevê uma redução de custos de até 500 milhões de euros até 2028, além de um “write-down” de 650 milhões de euros relacionado a projetos cancelados ou reavaliados. Em bom português: dinheiro investido que não vai voltar.
Demissões e fechamento de estúdios: o lado mais duro do reset
Como costuma acontecer nesses casos, a conta caiu primeiro sobre os estúdios e os funcionários. A Ubisoft confirmou o fechamento de unidades e novas rodadas de demissões espalhadas pelo mundo, afetando diretamente equipes que trabalhavam em projetos ainda não anunciados.
Entre os estúdios impactados estão:
Ubisoft Halifax (Canadá) – fechado definitivamente
Ubisoft Stockholm (Suécia) – fechado após anos trabalhando em novas IPs
Ubisoft Abu Dhabi, Helsinki e Malmö – passando por reestruturações internas
RedLynx e Massive Entertainment – também afetados por cortes
Vale lembrar que esta não é a primeira onda de demissões recentes. Em 2025, a empresa já havia cortado cerca de 185 postos de trabalho na Europa, fechando inclusive escritórios no Reino Unido.
Jogos cancelados: seis projetos ficaram pelo caminho
Além dos estúdios, os jogos também sofreram. A Ubisoft confirmou o cancelamento de seis projetos, incluindo um dos remakes mais aguardados da última década: Prince of Persia: The Sands of Time Remake. Sim, aquele mesmo que parecia preso em um looping temporal digno do próprio jogo.
Entre os projetos cancelados estão:
Prince of Persia: The Sands of Time Remake
Três jogos de novas IPs (ainda não anunciadas)
Um jogo mobile
Um projeto não detalhado, ligado a parcerias estratégicas
A decisão de cancelar o remake de Sands of Time chamou atenção porque vai na contramão do mercado, que tem abraçado remakes e remasters com força total. Enquanto Oblivion, Metal Gear Solid 3 e Super Mario Galaxy surfam nessa onda nostálgica, a Ubisoft decidiu puxar o freio.
Segundo analistas, a escolha reflete uma estratégia mais conservadora: apostar menos em riscos e mais em franquias já consolidadas, onde o retorno financeiro é mais previsível.
Jogos foram adiados
A empresa também adiou sete jogos, afirmando que eles precisam de “mais tempo para atingir os padrões de qualidade esperados”. Tradução livre: melhor atrasar do que lançar outro problemão.
Enquanto os títulos adiados não foram revelados, um deles, supostamente, é Assassin’s Creed Black Flag Remake. O título apareceu em inúmeros rumores, mas só deve dar as caras lá por 2027 — ou até depois.
O que são as “Creative Houses” da Ubisoft?
O coração da reestruturação está em um novo modelo organizacional chamado Creative Houses. A ideia é dividir a Ubisoft em grandes “casas criativas”, cada uma responsável por franquias específicas, com autonomia criativa e financeira do início ao fim dos projetos.
Ao todo, são cinco Creative Houses, além de duas divisões centrais de suporte.
Creative House 1 – Vantage Studios
Responsável pelas franquias bilionárias da empresa:
Assassin’s Creed
Far Cry
Rainbow Six
Aqui, a missão é clara: transformar essas marcas em franquias anuais bilionárias. Sem pressão nenhuma, imagina.
Creative House 2 – Shooters competitivos e cooperativos
Foco em jogos de tiro e experiências multiplayer mais intensas:
Ghost Recon
Splinter Cell
The Division
Creative House 3 – Experiências live service
Voltada para jogos como serviço e comunidades ativas:
Brawlhalla
For Honor
Riders Republic
Skull and Bones
Creative House 4 – Universos narrativos e fantasia
A casa das histórias, mundos ricos e franquias clássicas:
Anno
Beyond Good and Evil
Might and Magic
Prince of Persia
Rayman
Creative House 5 – Jogos familiares e casuais
Onde moram os jogos mais acessíveis e populares:
Just Dance
UNO
Hungry Shark
Jogos licenciados da Hasbro
E o trabalho remoto? Também entrou na dança
Outro ponto polêmico da reestruturação foi a decisão de retornar ao trabalho presencial cinco dias por semana. A Ubisoft afirma que isso é essencial para melhorar colaboração, criatividade e eficiência.
A medida foi recebida com críticas internas e gerou polêmica. No entanto, a empresa diz que manterá algum grau de flexibilidade, mas deixa claro que o foco agora é “gente no escritório”.
Segundo Yves Guillemot, CEO da empresa, a reestruturação é um “ponto de virada decisivo” para garantir crescimento sustentável no médio prazo. A Ubisoft quer lançar menos jogos, investir melhor seus recursos e concentrar esforços onde o retorno é mais garantido.
Se vai dar certo, ainda é cedo para dizer. Mas uma coisa é certa: a Ubisoft de 2026 será bem diferente daquela que dominava o mercado com lançamentos anuais e dezenas de projetos simultâneos.
Para os jogadores, fica a expectativa. Para os funcionários afetados, o impacto é real. E para a indústria, mais um lembrete de que nem mesmo os gigantes são imunes às mudanças do mercado.





