Animalkind prova que fofura e mechas combinam, mas nem sempre no ritmo certo
Jogo cozy da Uncommon Games aposta em construção, amizade e coop, mas tropeça em repetição e desempenho no acesso antecipado. Confira a review!
Jogos cozy viraram praticamente um subgênero próprio nos últimos anos, puxados pelo sucesso de experiências como Animal Crossing. E é justamente nessa vibe que Animalkind, da Uncommon Games, tenta encontrar seu espaço.
Em um mercado lotado de jogos consagrados e novos competidores nascendo todo dia, o jogo traz um diferencial curioso para tentar se destacar: um mecha controlado por animaizinhos carismáticos.
Atualmente em acesso antecipado, o jogo já oferece uma boa quantidade de conteúdo, incluindo exploração, construção de vilarejo e interações com NPCs. Mas, como esperado de um título ainda em desenvolvimento, ele também carrega algumas arestas que impactam diretamente na experiência.
A seguir, conto como foi minha jornada montando uma vila fofa… enquanto brigava com um robô meio teimoso.
Ficha técnica
Jogo: Animalkind
Lançamento: Acesso antecipado (versão completa prevista para 2027)
Onde jogar: PC
Plataforma de teste: PC/Steam Deck
Preço: A partir de R$ 59,99
Uma key foi cedida pela desenvolvedora para a realização da review.
Um cozy com identidade própria (e um toque de caos mecânico)
A proposta de Animalkind é simples e bastante convidativa: você é um animal que precisa reconstruir sua ilha, formar um vilarejo e explorar novas áreas desbloqueando portais. Até aí, tudo dentro do esperado para o gênero, com atividades como coleta, construção e interação com personagens espalhados pelo mapa.
O diferencial está no uso de um mecha para realizar praticamente todas as tarefas. A ideia é divertida no papel e até charmosa na prática, principalmente nas primeiras horas, quando tudo ainda é novidade e a curiosidade fala mais alto.
No entanto, conforme o tempo passa, começam a surgir alguns atritos que afetam diretamente o ritmo do jogo. O que parecia ser um diferencial acaba se tornando um ponto de discussão importante na experiência como um todo.
O mecha mais atrapalha do que ajuda
Aqui está o ponto mais complicado da experiência. O mecha, que deveria ser o grande diferencial, acaba sendo um dos principais problemas do jogo neste momento.
Ele é lento, pouco responsivo e apresenta dificuldades claras de movimentação, principalmente ao lidar com plataformas e terrenos mais irregulares. Em várias situações, ações simples acabam exigindo mais tempo e esforço do que deveriam.
Como a maioria das tarefas depende dele — incluindo coleta, construção e exploração — isso impacta diretamente o ritmo do gameplay. Em vez de ser uma ferramenta divertida que potencializa a experiência, o mecha frequentemente se torna um obstáculo que quebra o fluxo do jogo.
Progressão confusa e repetição que pesa
Animalkind tem uma boa variedade de atividades, como coleta de recursos, construção, culinária e exploração. No entanto, a forma como essas mecânicas se conectam nem sempre é clara para o jogador, o que pode gerar frustração.
Durante a minha experiência, por exemplo, passei um bom tempo procurando peças de portal acreditando que isso desbloquearia novas mecânicas importantes. No fim das contas, o progresso dependia de algo muito mais simples: conversar com um NPC específico.
Além disso, o jogo cai em repetição com certa facilidade, especialmente nas tarefas de coleta e construção. A segunda ilha evidencia isso ainda mais, exigindo a criação de inúmeros caminhos e pontes, o que pode tornar a progressão um pouco cansativa ao longo do tempo.
Interações simples, mas cheias de charme
Se tem algo que o jogo acerta em cheio é no carisma dos seus personagens e interações. Conversar com NPCs fora do mecha, vendo dois animaizinhos trocando diálogos, é um dos momentos mais agradáveis da experiência.
Essas interações não são apenas estéticas, já que avançar na amizade com os personagens desbloqueia novas missões, habilidades e itens importantes. Isso cria um incentivo interessante para explorar esse lado mais social do jogo.
Mesmo sendo um sistema relativamente simples, ele funciona bem dentro da proposta cozy. É aquele tipo de mecânica que não busca inovar, mas entrega exatamente o que promete com muito charme.
Criatividade é destaque, mas controles ainda precisam evoluir
O modo de construção e personalização é facilmente um dos pontos mais fortes de Animalkind. Há uma boa variedade de itens decorativos, e o “modo design” permite planejar a ilha com bastante liberdade.
Essa liberdade criativa é um dos grandes atrativos do jogo, especialmente para quem gosta de passar horas ajustando cada detalhe do seu espaço. Montar o vilarejo aos poucos é satisfatório e reforça a sensação de progresso.
Por outro lado, os controles podem ser um pouco engessados em alguns momentos, o que atrapalha essa liberdade. Isso torna a experiência mais confortável no PC, enquanto outras formas de controle ainda parecem precisar de ajustes.
Jogar sozinho é ok, mas com amigos tudo faz mais sentido
Apesar de ser totalmente jogável solo, fica claro que Animalkind foi pensado para brilhar no multiplayer. A possibilidade de jogar com até quatro pessoas muda bastante a dinâmica e transforma tarefas simples em momentos mais interessantes.
Momentos que seriam arrastados ou repetitivos ganham mais vida quando divididos com amigos. Além disso, certas partes da progressão — especialmente as menos intuitivas — acabam fluindo melhor quando há mais gente explorando e descobrindo juntas.
Sozinho, o jogo pode parecer um pouco lento em alguns momentos e até cansativo dependendo da atividade. Em grupo, ele se aproxima muito mais da proposta cozy ideal: um espaço relaxante, divertido e cheio de pequenas histórias compartilhadas.
Problemas técnicos ainda fazem parte da jornada
Por estar em acesso antecipado, alguns problemas técnicos já eram esperados, e eles realmente aparecem durante a jogatina. Em alguns momentos durante o nosso gameplay no PC e Steam Deck, a experiência acabou sendo interrompida por falhas que poderiam ser evitadas em uma versão mais polida.
Durante a minha experiência, enfrentei bugs como o personagem desaparecendo ou ficando completamente travado, exigindo reset para continuar jogando. Não são problemas constantes o tempo todo, mas aparecem o suficiente para impactar a imersão.
A expectativa é que esses pontos sejam corrigidos ao longo do desenvolvimento, especialmente considerando que os próprios desenvolvedores destacam a importância do feedback da comunidade nessa fase.
Vale a pena jogar agora?
Animalkind é aquele tipo de jogo que conquista primeiro pelo carisma e pela proposta. Ele é fofo, acolhedor e tem ideias interessantes, principalmente para quem gosta de jogos de construção e simulação de vida.
Ao mesmo tempo, ainda carrega limitações importantes típicas de um acesso antecipado, como repetição, progressão confusa e problemas técnicos. O mecha, que deveria ser o grande destaque, ainda precisa de ajustes para realmente funcionar como parte positiva da experiência.
No estado atual, vale a pena principalmente para quem gosta do gênero e quer acompanhar o desenvolvimento do jogo de perto, especialmente jogando com amigos. Para quem prefere experiências mais completas e polidas, talvez seja melhor esperar um pouco mais antes de embarcar nessa jornada — mas vale ficar alerta, pois o preço vai subir na versão final.
Depois da minha experiência, dá pra concluir que Animalkind é quase como o próprio vilarejo que você constrói: cheio de potencial, muito charmoso e com boas ideias — mas ainda em processo de evolução.







