Aphelion é uma propaganda de astronauta que te deixa com medo do espaço - Review
Nova aposta da Dontnod em parceria com a ESA mistura ficção científica realista, drama humano e exploração espacial em uma experiência tão bonita quanto angustiante
A Dontnod construiu sua reputação ao longo dos anos com jogos focados em narrativa, como Life is Strange e suas sequências, sempre apostando em histórias humanas e emocionalmente carregadas. Agora, em parceria com a European Space Agency (ESA), o estúdio tenta levar esse DNA para o espaço com Aphelion, um novo título single-player que aposta em exploração, sobrevivência e relações humanas em um cenário hostil.
Com uma proposta mais científica e fundamentada, o jogo tenta equilibrar realismo e emoção ao contar uma história sobre dois astronautas presos em um planeta desconhecido após um acidente. E é justamente nesse equilíbrio que Aphelion encontra sua identidade, entregando uma experiência que pode tanto encantar quem ama ficção científica quanto assustar quem já sonhou em olhar a Terra de longe.
No entanto, mesmo com uma abordagem interessante, o título ainda comete alguns deslizes que podem afastar jogadores mais exigentes.
Ficha Técnica
Jogo: Aphelion
Lançamento: 28/04/2026
Onde jogar: Xbox Series X|S, PC
Plataforma de teste: Xbox Series X
Preço: Disponível no Xbox Game Pass (a partir de R$ 76/mês)
Confira, a seguir, a review completa de Aphelion, feita com uma chave cedida pela desenvolvedora para Xbox Series X.
Uma história sobre espaço, solidão e sentimentos não ditos
Aphelion acompanha Ariane e Thomas, dois astronautas enviados em uma missão para avaliar o planeta Persephone, uma possível nova casa para a humanidade em um futuro onde a Terra se tornou inabitável. Logo no início, um acidente separa os dois, e o que era uma missão científica se transforma em uma luta desesperada pela sobrevivência e, principalmente, pelo reencontro.
A narrativa se desenrola alternando entre os pontos de vista dos dois protagonistas, explorando não apenas os perigos do planeta congelado, mas também os sentimentos reprimidos que eles carregam. Essa construção emocional ganha força nas atuações de voz, que conseguem transmitir tensão, saudade e fragilidade de maneira muito natural, aproximando o jogador da relação complicada entre os personagens.
Existe aqui uma atmosfera que lembra produções como Interstellar, tanto pelo tom contemplativo quanto pela sensação constante de insignificância diante do universo. Ao mesmo tempo, o jogo não romantiza a vida de astronauta, mostrando que o espaço pode ser tão fascinante quanto assustador, especialmente quando tudo dá errado.
O desfecho da história consegue emocionar, mas deixa aquela sensação de que poderia ter ido além, como se faltasse um último passo para fechar completamente a jornada. Ainda assim, é uma narrativa que prende e que funciona muito bem durante a maior parte da experiência.
Jogabilidade que alterna entre tensão e repetição
A estrutura de gameplay acompanha a proposta narrativa ao dividir a experiência entre Ariane e Thomas, criando dois estilos bem distintos de jogo. Enquanto Ariane enfrenta o ambiente com movimentação mais dinâmica, escaladas e puzzles, Thomas oferece uma abordagem mais lenta e introspectiva, focada em exploração e sobrevivência.
Controlar Ariane traz uma sensação que lembra jogos como Tomb Raider, com exploração de cavernas congeladas, escaladas perigosas e desafios ambientais que exigem atenção. As mecânicas de movimentação, como o uso de impulso e a necessidade de acertar o tempo dos saltos, ajudam a criar tensão constante, principalmente quando um erro pode significar uma queda fatal.
Além disso, o jogo introduz elementos interessantes, como o uso de pulsos para interagir com o ambiente e distrair a ameaça alienígena que ronda Persephone. Esses momentos de furtividade adicionam uma camada de suspense, ainda que o comportamento do inimigo nem sempre funcione como deveria.
Já com Thomas, o ritmo muda completamente, adotando uma pegada de “walking simulator” onde o foco está na exploração de bases, gerenciamento de recursos e na luta contra suas próprias limitações físicas. Essa mudança de ritmo é interessante no começo, mas pode cansar com o tempo, principalmente quando combinada com a repetição de cenários e interações.
Com cerca de 10 horas de duração, a jornada consegue ser envolvente, mas não escapa de momentos em que a repetição começa a pesar, especialmente na segunda metade do jogo.
Um planeta bonito, mas nem sempre polido
Visualmente, Aphelion impressiona ao apresentar Persephone como um mundo congelado, hostil e ao mesmo tempo fascinante. As paisagens geladas, cavernas e tempestades criam uma ambientação forte, que reforça a sensação de isolamento e perigo constante.
No entanto, essa imersão é frequentemente quebrada por problemas técnicos que aparecem ao longo da jornada. Durante a campanha, encontramos bugs que vão desde animações estranhas até momentos mais problemáticos, como personagens presos em cenários ou inimigos que não reagem corretamente.
Algumas telas de morte também passam a impressão de estarem inacabadas, o que reforça a sensação de falta de polimento geral. Vale destacar que a versão testada foi anterior ao lançamento e a equipe já está ciente de alguns desses bugs, então existe a possibilidade desses problemas serem corrigidos com atualizações futuras.
Por fim, destaco também o cuidado da Dontnod com acessibilidade. Mesmo com alguns deslizes técnicos, o jogo traz diversas opções para alterar o gameplay e facilitar a experiência para quem só quer ver a história, como tanque de gás infinito para Thomas.
Vale a pena encarar essa missão?
Aphelion é um jogo que aposta muito mais na sua atmosfera e narrativa do que na inovação de gameplay, entregando uma experiência que pode tocar quem busca histórias mais humanas dentro da ficção científica. Ao mesmo tempo, seus problemas técnicos e a repetição de algumas mecânicas impedem que ele alcance todo o seu potencial.
Para quem já é assinante do Game Pass e gosta de histórias espaciais com um toque emocional, vale a pena embarcar nessa jornada e tirar suas próprias conclusões. Já quem busca uma experiência mais refinada ou não se interessa tanto pelo tema, talvez seja melhor esperar por atualizações que corrigam bugs ou uma boa promoção antes de dar esse salto rumo ao desconhecido.
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