Asha Sharma assume como CEO do Xbox nesta segunda (23)! Conheça a executiva
Uma nova era está começando para a Xbox. Saiba mais detalhes sobre a nova comandante da marca.
A partir desta segunda-feira (23), o Xbox entra oficialmente em uma nova era. Com a aposentadoria de Phil Spencer, quem assume o comando da divisão de games da Microsoft é Asha Sharma, agora CEO da Microsoft Gaming.
A mudança não foi pequena e nem discreta. No mesmo anúncio em que Spencer confirmou sua saída, também veio a notícia da renúncia de Sarah Bond, até então vista como sucessora natural. No lugar, a Microsoft escolheu uma executiva com forte bagagem em tecnologia, plataformas globais e inteligência artificial.
Se você não sabe o que esperar dessa mudança, o Jornal está aqui para te ajudar. A seguir, confira mais detalhes sobre a carreira de Asha e o que ela disse até agora, sobre sua nova posição no mercado gamer.
Quem é Asha Sharma? Um currículo de peso (fora dos games)
Diferentemente de Spencer — que respirava Xbox Live e acumulava Gamerscore — Asha Sharma não construiu sua carreira dentro da indústria de jogos. Seu perfil é o de uma especialista em escalar plataformas globais e alinhar tecnologia a modelos de negócios sustentáveis.
Antes de assumir a liderança da Microsoft Gaming, ela teve passagem por muitas empresas, segundo seu currículo no LinkedIn. Algumas passagens incluem:
Vice-presidente de Produto e Engenharia na Meta Platforms, onde trabalhou gerenciando plataformas sociais, experiência para crianças e mensagens.
Chief Operating Officer da Instacart, empresa que trabalha com entrega de alimentos nos Estados Unidos — atuou no crescimento da plataforma e IPO.
Membro do conselho da The Home Depot, empresa dos Estados Unidos que vende utensílios para casa.
Presidente da divisão CoreAI da própria Microsoft desde 2024, onde trabalhou no desenvolvimento de produtos e uso responsável de IA.
Em comunicado interno, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, destacou que Sharma traz “profunda experiência na construção e expansão de plataformas, alinhando modelos de negócios ao valor de longo prazo e operando em escala global”.
Em outras palavras: se o Xbox virou um serviço que vive no console, no PC, na nuvem e no celular. Logo,, faz sentido que a empresa escolha alguém acostumado a pensar em bilhões de usuários — não apenas em hardware na estante da sala.
Uma CEO menos gamer — e o desafio da comunidade
Um dos pontos que mais chamou atenção foi o fato de Sharma não ter histórico forte como jogadora ou desenvolvedora. E isso, claro, já virou pauta nas redes.
Após a divulgação pública de sua Gamertag, usuários notaram que ela tem cerca de 10.860 de Gamerscore e que o perfil começou a registrar atividades há pouco mais de um mês, com 29 jogos testados nesse período. Não é exatamente o currículo gamer de alguém que cresceu disputando Halo em LAN house.
Esse detalhe pode parecer pequeno, mas dentro da cultura Xbox ele pesa. Spencer sempre foi visto como “um dos nossos”, frequentemente ativo na rede e assumidamente apaixonado por games. Asha, por sua vez, chega com um discurso mais estratégico — e talvez precise conquistar a comunidade na prática.
Ela mesma reconheceu o momento delicado em seu memorando para funcionários:
“Sinto duas coisas ao mesmo tempo: humildade e urgência. Minha primeira tarefa é simples: entender o que faz isso funcionar e protegê-lo.”
Os três compromissos de Asha Sharma para o futuro do Xbox
No e-mail enviado aos funcionários, Sharma também estruturou sua visão em três pilares claros — quase como um roadmap conceitual da nova fase.
1. Jogos excelentes vêm primeiro
Ela foi direta:
“Precisamos ter jogos excelentes, amados pelos jogadores, antes de fazer qualquer outra coisa.”
A executiva prometeu investir em franquias icônicas, apoiar ideias ousadas e assumir riscos criativos. Também destacou que não tratará propriedades intelectuais como “IP estática para explorar e monetizar”.
Além disso, um trecho chamou bastante atenção: o uso de IA. A executiva, que tem background em inteligência artificial, disse que não pretende inundar o Xbox com inteligência artificial.
“Não buscaremos eficiência de curto prazo nem inundaremos nosso ecossistema com porcarias de IA sem alma. Jogos são e sempre serão arte, criados por humanos.”
Considerando seu histórico em IA, a declaração soa quase como um aviso preventivo: tecnologia, sim, mas não às custas da identidade criativa. Agora é esperar pra ver se isso foi da boca para fora ou se realmente a filosofia será colocada em prática.
2. “O retorno do Xbox”
Talvez o trecho mais simbólico do discurso, a executiva basicamente disse que pretende fazer o Xbox grande de novo. E quando dizemos Xbox, não é só o ecossistema, mas também o console.
Sharma afirmou que haverá um “compromisso renovado com o Xbox, começando pelo console que moldou quem somos”. Ao mesmo tempo, reforçou que os jogos vivem em múltiplos dispositivos e que o objetivo é oferecer uma experiência “perfeita e instantânea” no PC, mobile e nuvem.
O equilíbrio aqui é delicado: celebrar as raízes do console sem ignorar que o modelo atual é multiplataforma.
3. O futuro do brincar
Por fim, Sharma também falou em “reinvenção dos jogos” e em novos modelos de negócios. No entanto, ela reforçou que a prioridade não será monetização predatória nem atalhos tecnológicos.
A ideia central é transformar o Xbox em uma plataforma compartilhada, com ferramentas que permitam a desenvolvedores e jogadores criarem suas próprias experiências dentro desse ecossistema.
Matt Booty ganha protagonismo na nova gestão
Para equilibrar a balança entre visão corporativa e DNA criativo, Sharma promoveu Matt Booty a Vice-Presidente Executivo e Diretor de Conteúdo. Pra quem não tá ligado, ele era o chefe da Xbox Game Studios e, diferente de Sharma, já possui um longo “currículo gamer”.
Na nova gestão, ele passa a supervisionar o pipeline criativo dos quase 40 estúdios da Microsoft Gaming, incluindo times ligados ao Xbox, Bethesda, Activision Blizzard e King. No próprio comunicado, Booty reforçou: “Não há mudanças organizacionais em andamento para nossos estúdios.”
Ele também destacou que suas primeiras conversas com Sharma giraram em torno da importância de criar grandes jogos e basear decisões nas necessidades de jogadores e desenvolvedores. Traduzindo: Asha cuida da plataforma e da estratégia global, enquanto Booty segura o leme criativo.
Por que não Sarah Bond?
A saída de Sarah Bond foi uma das maiores surpresas do anúncio. Ela era vista como herdeira natural de Spencer e teve papel importante na expansão do Game Pass, da nuvem e da estratégia de plataforma.
Em sua carta de despedida, Bond afirmou que este era o momento certo para “novos olhares e nova liderança” e declarou ter visto “de perto o compromisso profundo de Asha com jogadores, desenvolvedores e a marca”.
A decisão de Nadella parece indicar uma mudança de foco: menos continuidade interna, mais ênfase em escalar o Xbox como plataforma global de tecnologia e serviços.
O que esperar do Xbox sob Asha Sharma?
A Microsoft já afirmou que a divisão de games ultrapassa 500 milhões de usuários ativos mensais em suas plataformas. A pergunta agora não é apenas “qual será o próximo exclusivo?”, mas “como o Xbox vai se posicionar nos próximos 10 anos?”.
Com Asha Sharma no comando, os sinais são claros:
Foco em plataforma e escala global;
Consolidação do modelo multiplataforma;
Consoles ainda relevantes, mas não exclusivos do ecossistema;
Uso estratégico de IA, com discurso cauteloso;
Booty como guardião da qualidade criativa.
O desafio de Asha Sharma será equilibrar números e paixão. Porque no fim das contas, Xbox não é só um negócio — é uma comunidade. E comunidade não se escala apenas com planilhas.
A nova CEO começa seu mandato falando em “espírito renegado” e em coragem para mudar o que não funciona. Agora, o controle está nas mãos dela. E o próximo checkpoint da história do Xbox já começou.



