Desde que foi anunciado, Assassin’s Creed Shadows foi cercado por polêmicas. Além de se tornar munição para debates, muitas vezes vazios, por causa de seus protagonistas, o game também se tornou o principal lançamento do portfólio da Ubisoft após muitos problemas financeiros.
Após fracassos no ano de 2024, a empresa francesa está apostando muitas fichas no novo Assassin’s Creed para recuperar o prestígio dos fãs e também dos acionistas. Afinal, a companhia sofreu com quedas em seu valor de mercado e pode até ser vendida depois do lançamento de AC Shadows.
Nesse contexto de incertezas, o game foi adiado, recebeu polimentos e até acabou vazando antes da hora. No entanto, todas as polêmicas estão prestes a ficar no passado, como uma lembrança do Animus: Assassin’s Creed Shadows estreia oficialmente no dia 20 de março, e nós já tivemos a chance de jogar aqui no Jornal dos Jogos.
Como o RPG da Ubisoft é simplesmente gigantesco, ainda não conseguimos explorar tudo que o título tem a oferecer. No entanto, já temos uma boa ideia se o game vale a pena ou não! Confira mais detalhes na review em progresso a seguir, realizada no Xbox Series X com uma cópia cedida pela Ubisoft.
Ficha técnica
Jogo: Assassin’s Creed Shadows
Lançamento: 20/03/2025
Onde jogar? PC, PS5, Xbox Series S/X
Plataforma de teste: Xbox Series X
Preço: A partir de R$ 349,95.
Narrativa dupla e cheia de conteúdo
Pela experiência que tivemos até agora com Assassin’s Creed Shadows, o jogo pode ser muito bem definido com uma palavra: Colossal. O título chega mais cinematográfico do que nunca, trazendo uma narrativa single-player contada usando os principais formatos e mecânicas que vimos em jogos anteriores da Ubisoft.
O jogador é transportado para o Japão de 1500, durante o período em que o país está sendo unificado na base da pancadaria, e a Ordem dos Assassinos acaba se envolvendo nisso, como esperado. A narrativa acompanha a história da época por duas perspectivas diferentes.
Diogo, que depois ganha o nome de Yasuke, é um escravo que é levado para o país por padres jesuítas, após ser salvo no mar. Com alma de guerreiro, ele chama a atenção do poderoso senhor feudal Oda Nobunaga, que está expandindo seus territórios por meio da guerra.
O outro lado da história acompanha Naoe, da província de Iga. A jovem guerreira faz parte de uma resistência que busca derrotar Nobunaga, mas seu pai acaba sendo morto em combate e deixa em suas mãos diversos segredos centenários, incluindo uma lâmina dos assassinos.
A abordagem de dois personagens adotada pela Ubisoft permite explorar a história de maneira não linear. Com um vasto mundo aberto, o jogador pode escolher como abate seus alvos principais e busca informações sobre eles, além de ter a chance de fazer missões secundárias quando e onde quiser.
O título também se destaca pela ampla variedade de escolhas. Além de trazer diferentes opções de romances e interações com usuários, você também pode optar por fazer escolhas durante a narrativa, tornando a experiência mais customizada — também é possível ligar o modo “canônico”, que deixa a narrativa mais “certinha”.
Uma onda de conteúdo
Assassin’s Creed Shadows me surpreendeu bastante não apenas pela quantidade de conteúdo de narrativa, mas pelo seu ritmo e qualidade. Enquanto outros jogos da franquia pareciam maçantes no início por conta de múltiplos tutoriais, o game equilibra bem a narrativa e gameplay em suas primeiras horas.
A qualidade cinematográfica de algumas missões, incluindo algumas secundárias, também me deixaram de queixo caído. Afinal, a Ubisoft é bastante conhecida por otimizar certos processos e entregar experiências mais engessadas.
Assassin’s Creed Shadows é gigantesco em conteúdo.
No entanto, é válido ressaltar que o jogo é gigantesco. As partes iniciais do game, que engessam um pouco do mundo aberto, podem render mais de 10 horas de jogabilidade, e só depois você consegue acessar tudo que o título tem a oferecer. Com isso em mente, a dica é ir preparado para curtir a narrativa, que possui uma boa dublagem em português brasileiro, além de opção com legendas em outros idiomas, como japonês.
Gameplay para muitas horas
Se a história de Assassin’s Creed Shadows sozinha já rende muitas horas, o gameplay pode fazer tudo isso ficar ainda maior. O jogo traz um mundo aberto clássico da Ubisoft, mas refinado a ponto de não parecer um game da empresa.
Com interfaces mais limpas e uma exploração mais cinematográfica, o game traz uma abordagem aberta para as missões, garantindo diferentes possibilidades pra o jogador. A presença de dois protagonistas completamente diferentes também enriquece a experiência, que pode ser customizada com diferentes níveis de dificuldade.
Naoe está presente no game para representar o stealth clássico da franquia. Com uma aparência comum e habilidades furtivas, ela pode passar despercebida em multidões e realizar assassinatos sem ser vista, além de trazer movimentos ágeis e diversas opções para se esconder e fugir.
Já Yakuse é um tanque de guerra em terras estrangeiras em um período de conflitos conturbados. Com as habilidades de samurai adquiridas ao treinar com Nobunaga, o personagem conta com ataques pesados e impõe força e respeito por onde passa, garantindo uma jogabilidade mais bruta.
O equilíbrio entre os personagens garante uma experiência balanceada e dentro dos moldes da narrativa. Afinal, o título ainda conta com soluções como árvores de habilidade, múltiplos equipamentos no inventário, escalada de torres e o já mencionado mundo aberto gigantesco.
Além do combate refinado para os moldes do Japão Feudal, vale destacar a adição de outras soluções bem interessantes na jogabilidade. Uma das novidades é o Esconderijo, que é liberado logo no começo do jogo e permite montar uma base customizável com diferentes itens e aparatos.
Outra coisa que me ganhou muito, logo no início, foi a mecânica de meditação. Utilizando sons e sequências de botões, a mecânica garante bastante imersão em alguns pontos interessantes da história e exploração.
No geral, Assassin’s Creed Shadows entrega uma experiência de gameplay completa, didática e que funciona muito bem como porta de entrada e retorno para a franquia. No entanto, é válido ressaltar que estamos falando de uma experiência que rende muito tempo — liberar a troca de personagens pode demorar umas 10 horas, por exemplo. Ainda assim, até o momento em que joguei, o título não se pareceu repetitivo ou cansativo.
Gráficos impressionam
Visualmente falando, Assassin’s Creed Shadows é deslumbrante. Além de toda a pegada cinematográfica na história, o jogo traz visuais caprichados em praticamente todo o seu mundo aberto, entregando um Japão imersivo e cheio de belas paisagens.
Assim como em outras partes do gameplay, o título simplesmente não parece um game da Ubisoft em determinados segmentos do visual. O tempo extra de desenvolvimento realmente fez a diferença para a empresa entregar um resultado bem trabalhado.
No Xbox Series X, o desempenho do game também não deixa a desejar. Trazendo modos diferentes que priorizam resolução, frames ou equilíbrio, o título entregou uma experiência sem muitos bugs grandes e visíveis até agora.
Um dos principais problemas que enfrentei envolve o cavalo, que apesar de bastante útil, sofre com bugs. Em alguns casos chega até ser engraçado ver o alazão se perdendo em objetos e ficando presos em árvores de bambu enquanto gira e dá drifts.
No entanto, com o passar do tempo, isso acaba ficando irritante, exigindo que o jogador fique atento e desça da montaria em estradas mais fechadas. Segundo a Ubisoft, o patch de lançamento do game contará com correções voltadas para a navegação com o animal, o que pode ajudar a contornar alguns desses problemas.
Além disso, o jogo também conta com eventuais “bugs de mundo aberto” da Ubisoft, como caminhadas estranhas em algumas áreas, o personagem entrando em objetos e o gancho da Naoe, que eventualmente dá umas engasgadas. a tendência é que tudo isso também deve ser corrigido, então vale a pena ficar de olho nos patches antes de comprar o jogo se essas coisas tem incomodam — apesar de não terem feito muita diferença na minha jornada.
Por fim, vale ressaltar que AC: Shadows também conta com suporte para o Quick Resume nos consoles Xbox Series S e X. A solução permite retornar ao gameplay diretamente mesmo após o console ser desligado. Enquanto a mecânica é apenas um detalhe, pular os menus e cair direto na ação é bem interessante.
Hub da franquia
Falando em menus, vale destacar também que Assassin’s Creed Shadows traz uma “linha do tempo” da franquia em sua introdução. O hub da série mostra uma breve introdução e o ano em que se passa cada um dos títulos mais recentes da série.
A solução permite acessar outros jogos da franquia rapidamente caso eles estejam instalados no seu console, ou então redireciona o jogador para a página do game na loja. A solução é interessante para quem está caindo de paraquedas na franquia, mas ainda precisa melhorar.
Atualmente, o hub é focado em jogos mais recentes da franquia, deixando de lado títulos como Assassin’s Creed 1, 2 e até Syndicate, por exemplo. A decisão não faz muito sentido, já que esses games também possuem versões para consoles Xbox atuais via retrocompatibilidade ou relançamentos.
Afinal, vale a pena jogar?
Calando polêmicas, Assassin’s Creed Shadows entrega uma experiência que mistura uma narrativa cinematográfica single-player com um gameplay divertido e variado. O game é uma bela viagem ao Japão Feudal, além de uma ótima porta de entrada e retorno para a icônica franquia da Ubisoft.
Shadows mostra que a Ubisoft ainda tem talento para fazer grandes jogos blockbuster.
Aprimorando a fórmula da empresa, Assassin’s Creed Shadows mostra que a Ubisoft ainda tem talento para fazer grandes jogos blockbuster. E esse grande possui múltiplos sentidos: além do alto orçamento, o título entrega dezenas de horas de conteúdo, tudo com belos gráficos, boa dublagem e, surpreendentemente, menos bugs que o comum da empresa. O jogo ainda possui pontas soltas para serem consertadas? Com certeza, mas já é possível se divertir bastante com o conteúdo entregue no lançamento.
Ainda tenho muito o que explorar em Assassin’s Creed Shadows, mas posso dizer que o jogo conquistou minha atenção desde o primeiro segundo de gameplay e entrega muito conteúdo de qualidade. Caso o preço esteja fora da sua realidade, a dica é ficar com o jogo em sua lista de desejos, ou investir R$ 60 na assinatura Ubisoft+ Premium para explorar o Japão com um bom custo-benefício.












