Anunciado durante o The Game Awards do ano passado, Control Resonant chega sete anos após o lançamento do primeiro jogo, em 2019, chamando atenção por duas mudanças importantes. A primeira está na troca de protagonista: Jesse Faden dá lugar ao seu irmão, Dylan, personagem apresentado no título original. A segunda está na própria estrutura de gameplay, que abandona o foco no tiro em terceira pessoa para apostar em uma experiência de RPG de ação com elementos de Hack and Slash.
Desenvolvido pela Remedy Entertainment, o novo jogo tinha uma missão complicada pela frente: entregar uma experiência que funcionasse por conta própria, mas que também fosse uma sequência capaz de preservar a essência do primeiro Control. Depois de completar a história de Dylan, fica claro que a Remedy não teve medo de mexer em uma fórmula que já funcionava — e, felizmente, a mudança deu muito certo.
A seguir, confira a review completa do jogo para saber se a sequência atende as expectativas.
Ficha Técnica
Jogo: Control Resonant
Lançamento: 24/09/2026
Onde Jogar: PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC
Plataforma de Teste: PC
Preço: R$ 229,99 — R$ 195,49 em promoção na Nuuvem
A Review foi produzida com uma chave cedida pela Remedy Enterteinment para PC.
Uma aposta arriscada que funciona muito bem
A primeira coisa que chama atenção em Resonant é justamente aquilo que poderia afastar os fãs do primeiro jogo: a mudança na jogabilidade. Enquanto Control era essencialmente um jogo de tiro em terceira pessoa, a sequência assume uma estrutura de RPG de ação com elementos de Hack and Slash.
Para quem já estava acostumado a controlar Jesse e utilizar seus poderes para transformar objetos do cenário em armas, a mudança pode parecer bastante radical. Depois de experimentar as novas mecânicas, porém, é difícil não reconhecer que a decisão funciona. Resonant encontra uma nova identidade para o combate sem deixar de lado a sensação de estranheza e caos que marcou o primeiro jogo.
E como essa gameplay nova funciona? Logo no começo, Dylan é apresentado ao Aberrante, sua principal ferramenta de combate, e precisa escolher uma arma para começar a aventura. As opções são as lâminas duplas, a foice e o cutelo, cada uma com características próprias e que mudam bastante a maneira de encarar os primeiros confrontos.
As lâminas duplas são mais rápidas e oferecem maior mobilidade, mas também são a opção mais fraca entre as armas iniciais, o que pode tornar as primeiras horas consideravelmente mais difíceis. A foice, por outro lado, possui ataques em área e consegue lidar melhor com grupos de inimigos, sendo uma escolha bastante confortável para quem está começando. Já o cutelo ocupa uma posição intermediária e causa dano adicional quando utilizado contra as costas dos adversários.
As possibilidades aumentam com as armas secundárias, como o Esmagamento, uma espécie de martelo, a Extensão, que funciona como um chicote, e a Broca. Essas ferramentas complementam as armas principais e ajudam a construir os combos. Também existem finalizadores que podem assumir formas bastante exageradas, indo de golpes com os punhos a lâminas gigantes e estrelas-ninjas igualmente gigantescas, aumentando a barra de atordoamento dos inimigos.
E é justamente quando tudo isso começa a se misturar que o combate mostra sua força. Ele é extremamente fluido, embora possa ser bastante desafiador nas primeiras horas, especialmente para quem escolhe começar com as lâminas duplas. O jogo gosta de colocar o jogador em salas fechadas e cercá-lo de inimigos, bloqueando a progressão até que todos sejam derrotados.
Nessas situações, Resonant chega a lembrar jogos como Ninja Gaiden, exigindo que o jogador esteja constantemente atento aos ataques que vêm de diferentes direções. No começo, isso pode ser um pouco caótico, mas basta entender o funcionamento das armas, dos desvios e dos combos para que a experiência fique muito mais natural. Quando isso acontece, o combate se transforma em uma das partes mais divertidas do jogo, principalmente pela velocidade dos confrontos e pela necessidade de reagir rapidamente ao que acontece na tela.
É uma mudança considerável em relação ao primeiro Control, mas também uma das decisões que mais beneficiam a sequência. Para mim, a Remedy conseguiu construir aqui um dos sistemas de combate mais divertidos que apresentou nos últimos anos.
O mundo aberto resolve um dos maiores problemas do primeiro jogo
Outra grande diferença está na estrutura do mundo. Enquanto Control era mais linear e se passava principalmente na antiga Casa, Resonant leva Dylan para uma versão distorcida de Nova York, transformando a cidade em um grande mundo aberto.
A mudança não serve apenas para aumentar o tamanho do mapa. Ela também resolve uma das maiores dificuldades que eu tinha com o primeiro jogo: me localizar naquele espaço. O level design de Control fazia com que alguns ambientes fossem difíceis de diferenciar, enquanto o mapa em 3D nem sempre ajudava na hora de descobrir para onde ir.
Em Resonant, a cidade funciona de maneira mais intuitiva. Os ambientes continuam sendo estranhos e muitas vezes parecem desafiar as leis da física, mas a estrutura do mundo aberto ajuda a criar uma noção melhor de espaço. O mapa também abandona o formato tridimensional em favor de uma representação 2D mais tradicional.
Inicialmente, os locais não aparecem completamente no mapa, sendo necessário ativar torres para revelar novas áreas. A ideia poderia se transformar facilmente em uma tarefa burocrática, mas o processo é simples e não chega a atrapalhar o ritmo da aventura.
Uma história que cresce conforme a aventura avança
A história sempre foi um dos principais elementos dos jogos da Remedy, e Resonant mantém essa tradição. Dirigida por Mikael Kasurinen, diretor do primeiro jogo, e escrita por Ashley Smith, a narrativa pode parecer um pouco sem graça durante as primeiras horas, mas ganha força conforme os acontecimentos começam a se desenrolar.
Para quem não jogou o primeiro Control, a sequência também oferece um resumo dos acontecimentos anteriores. Isso ajuda bastante a contextualizar o universo e evita que novos jogadores sejam completamente jogados no meio de uma história que começou anos atrás.
Na trama, depois de passar anos confinado, Dylan Faden é despertado por sua irmã, Jesse. O protagonista acaba em uma Nova York completamente distorcida e dominada pelo Ruído, a grande ameaça do jogo anterior. Ao mesmo tempo, surge uma nova ameaça: a Padronização, capaz de matar o Ruído, mas que também afeta a cidade e dá origem às entidades ressonantes, responsáveis por alguns dos principais confrontos do jogo.
Essas entidades também estão diretamente ligadas à progressão do personagem. Os chefes são a principal maneira de obter novos poderes e, depois de derrotados, oferecem ao jogador duas ou três opções de habilidades. O jogo ainda permite testar essas possibilidades antes de tomar uma decisão, o que torna a escolha menos punitiva.
Depois de cada confronto, o jogador é levado ao Lapso, uma espécie de espaço seguro onde é possível testar habilidades, comprar melhorias, adquirir armas e utilizar artefatos para se preparar para os próximos desafios. Todos esses elementos contribuem para um sistema de progressão que calcula o nível do personagem.
Esse sistema, porém, poderia ser mais claro. Os inimigos possuem seus próprios níveis indicados ao lado da barra de vida e, quando estão muito acima do nível do jogador, recebem um símbolo de caveira para indicar que são adversários mais difíceis. O problema é que o jogo não explica direito como o próprio nível do personagem aumenta, dando a impressão de que a progressão acontece de maneira quase aleatória.
Felizmente, essa falta de clareza não chega a comprometer a aventura, mas é uma daquelas decisões que poderiam ter recebido um pouco mais de atenção.
Dylan e Zoe são o coração da narrativa
No centro da história estão Dylan Faden e Zoe De Vera, supervisora de Dylan durante boa parte da aventura. Zoe funciona como uma espécie de voz no rádio que acompanha o jogador em diversos momentos, e a química entre os dois é um dos grandes acertos da narrativa.
As interações entre os personagens ajudam a dar mais humanidade a uma dupla que, inicialmente, pode parecer bastante fria. É justamente nesses momentos mais cotidianos que Resonant consegue fazer com que o jogador se aproxime dos personagens, mesmo enquanto a história continua mergulhando em conceitos cada vez mais estranhos.
Também existem diversas opções de diálogo ao longo da aventura. Elas ajudam a conhecer melhor os personagens, mas não provocam grandes mudanças na história. Na prática, funcionam mais como uma maneira de complementar a narrativa do que como um sistema de escolhas propriamente dito.
Jesse Faden também retorna, apesar de estar desaparecida, e continua desempenhando um papel importante na trama. A sequência ainda traz de volta Emily Pope e Arish, que agora trabalham como diretores interinos.
Outro elemento importante são as chamadas Falhas, locais relacionados a Jesse que permitem descobrir mais sobre o passado dos personagens e também oferecem novas habilidades de locomoção. Além de contribuírem para a narrativa, essas habilidades ajudam a tornar a exploração da cidade mais interessante conforme a aventura avança.
Visuais, sons e performance de primeira linha
Visualmente, Resonant mantém a capacidade da Remedy de criar ambientes que parecem familiares e completamente errados ao mesmo tempo. A Manhattan apresentada pelo jogo é uma versão distorcida da cidade real, repleta de espaços que desafiam a lógica e ajudam a transmitir constantemente aquela sensação de estranheza característica da franquia.
Em alguns momentos, o cenário pode ser propositalmente desorientador, com ambientes de ponta-cabeça e estruturas que parecem não obedecer às regras normais do espaço. Ainda assim, o jogo faz um bom trabalho ao conectar essas áreas e construir uma cidade que, apesar de surreal, consegue manter uma identidade visual bastante consistente.
Tecnicamente, o jogo também impressiona. Os visuais são detalhados e a direção de arte encontra um bom equilíbrio entre o familiar e o absurdo, enquanto a Northlight Engine, tecnologia proprietária da Remedy, continua mostrando sua força.
O som acerta nos golpes, mas a trilha poderia fazer mais
A sonoplastia acompanha bem a intensidade dos combates. Os golpes e habilidades especiais possuem impacto e ajudam a transmitir a força dos ataques, embora as explosões sofram com um problema que tem aparecido com frequência em jogos modernos: efeitos que acabam soando abafados e menos impactantes do que deveriam.
Na trilha sonora original, por outro lado, Resonant deixa um pouco a desejar. As músicas cumprem seu papel, mas poucas conseguem realmente se destacar ou permanecer na memória depois de algumas horas de jogo.
O grande destaque musical fica por conta do Mixtape da Zoe, composto por diversas músicas de artistas independentes que aparecem em momentos específicos da aventura. A iniciativa mantém uma tradição da Remedy de inserir momentos musicais marcantes em seus jogos e acaba sendo um dos elementos sonoros mais memoráveis da experiência.
A dublagem em português também merece atenção. Resonant é o terceiro título do estúdio a receber localização com dublagem em português, e o resultado é bastante irregular. Sérgio Cantú faz um ótimo trabalho como Dylan, mas parte do restante do elenco principal não consegue acompanhar o mesmo nível, com algumas performances que soam um pouco forçadas.
Control Resonant roda muito bem no PC
Durante meus testes no PC, Resonant também apresentou uma performance bastante satisfatória. O jogo se manteve entre 50 e 60 quadros por segundo e não apresentou problemas de stuttering durante a experiência.
É um resultado particularmente positivo em um momento em que problemas de desempenho no lançamento se tornaram frequentes em grandes produções. Mesmo com toda a quantidade de elementos acontecendo simultaneamente durante os combates, o jogo conseguiu manter uma performance estável no hardware utilizado para a análise.
Vale a Pena comprar Control Resonant?
Control Resonant tinha uma tarefa complicada: continuar uma franquia conhecida sem simplesmente repetir aquilo que já havia funcionado. Para isso, a Remedy mudou praticamente tudo que poderia assustar quem esperava uma continuação tradicional, colocando Dylan no centro da história, transformando a estrutura do mundo e reconstruindo o sistema de combate.
E, pelo menos para mim, essas mudanças funcionaram. O combate é frenético e viciante, mesmo que as primeiras horas possam ser difíceis até que o jogador compreenda suas possibilidades. A história cresce conforme a aventura avança, Dylan e Zoe formam uma dupla bastante carismática e a direção de arte continua sendo um dos grandes destaques do universo de Control.
Existem problemas, como a progressão de níveis pouco explicada, uma trilha sonora original que poderia ser mais marcante e uma dublagem em português irregular. Ainda assim, eles não são suficientes para apagar os acertos de uma sequência que demonstra confiança para experimentar.
Resonant mostra que uma sequência não precisa necessariamente repetir a fórmula do jogo anterior para preservar sua identidade.
Resonant também reforça uma ideia importante: uma sequência não precisa necessariamente repetir a fórmula do jogo anterior para preservar sua identidade. A Remedy conseguiu transformar Control em um RPG de ação sem abandonar o universo estranho, surreal e imprevisível que tornou a franquia tão particular.
Por R$ 229,99 no preço cheio — ou por valores menores em promoções, como os R$ 195,49 encontrados durante a análise —, Control Resonant entrega uma experiência bastante completa e se apresenta como uma sequência que consegue caminhar com as próprias pernas. Para quem gostou do primeiro jogo, a mudança de gênero pode exigir alguns minutos de adaptação, mas há aqui motivos suficientes para embarcar novamente nesse universo. Para quem está chegando agora, o resumo da história anterior ajuda a diminuir a barreira de entrada e torna a aventura mais acessível.
Mesmo com alguns tropeços, Resonant é uma aventura que consegue se sustentar por conta própria e mostra que ainda há muito espaço para experimentar dentro da franquia. Para quem estava esperando mais uma dose do universo de Control, a jornada de Dylan é uma boa oportunidade para voltar a esse mundo estranho, enquanto novos jogadores encontram aqui uma porta de entrada curiosa para conhecer esse universo.
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