Crisol Theater of Idols é a mistura perfeita de Bioshock com Resident Evil - Review
Novo jogo da Blumhouse Games mostra caminho promissor da publisher, que pode se tornar referência em jogos de médio porte com personalidade
O estúdio Blumhouse virou referência quando o assunto é terror nos cinemas, lançando produções que vão desde clássicos inovadores, como Atividade Paranormal, até visões de artistas renomados, incluindo Us e Get Out, de Jordan Peele. Quando vi pela primeira vez que a empresa estava vindo ao mundo dos games, eles ganharam minha curiosidade.
No entanto, a Blumhouse Games só ganhou minha atenção quando joguei a demonstração de Crisol: Theater of Idols, seu primeiro título publicado em parceria com a Vermila Studios. Enquanto seus trailers já mostram que o projeto é bem promissor no quesito terror, jogar a obra mostra a dimensão do título.
Felizmente, minha experiência com Crisol foi além da demonstração. A galera da Blumhouse, por intermédio da Theogames, me enviou uma cópia antecipada do game para uma review aqui no Jornal dos Jogos. E como o título já entrega, a experiência pode ser bem familiar para quem curte jogos que capricham no suspense e imersão.
Ficha Técnica
Jogo: Crisol - Theater of Idols
Desenvolvedora: Vermila Studios / Blumhouse Games
Onde jogar: PC, PS5 e Xbox Series S/X
Lançamento: 10 de fevereiro de 2026
Plataforma de testes: PC
Preço: A partir de R$ 55.
Confira, a seguir, como foi minha jornada em Crisol na versão de computador, jogada via Steam, com a cópia cedida antecipadamente pela desenvolvedora.
Uma história de terror e fé
Apesar de o nome da Blumhouse ser ocasionalmente ligado a terror, Crisol vai além do simples jumpscare. Como os próprios trailers e imagens mostram, o game capricha na ambientação, traz um gameplay em primeira pessoa diferenciado e uma história que pode te pegar desprevenido.
A narrativa acompanha Gabriel, um soldado que serve o deus do Sol e recebe uma missão: viajar até a ilha de Tormentosa, que está amaldiçoada. Como arauto da divindade, seu trabalho é sobreviver e desvendar os mistérios que assombram Hispania — uma versão alternativa da Espanha.
O estúdio independente responsável pelo game é lá da Espanha, e aproveitou todo o folclore da região para dar vida a uma ilha fascinante e assustadora. Logo no começo, por exemplo, você enfrenta bonecas de madeira como inimigos, em ambientes que lembram vilas do interior.
No decorrer do gameplay, ainda mais ameaças surgem, sempre com um toque claro de inspiração em lendas espanholas. Vivenciar tudo isso em primeira pessoa, principalmente com fones ou uma soundbar de qualidade na TV, torna a experiência bem imersiva e única.
O sangue como munição
A pegada que mistura religião com criaturas sinistras já foi suficiente para me fisgar, mas o grande diferencial de Crisol está em sua premissa principal. Para derrotar as criaturas místicas da ilha, Gabriel precisa usar seu sangue, abençoado pela divindade que ele segue, como munição de suas armas.
A cada vez que você recarrega sua arma, um pouco de sua vida vai embora, tornando as batalhas dolorosas. Em Crisol: Theater of Idols, cada tiro pode ser a diferença entre a vida e a morte, literalmente, do personagem.
E tudo fica ainda mais único na hora de recuperar a vida. Utilizando seus dons divinos, Gabriel precisa sugar o sangue de animais e pessoas mortas para seguir vivo e prosseguir, o que traz um tom bastante mórbido para a sua missão.
Além de trazer um grande diferencial para o game, a mecânica combina muito bem com o universo místico de Hispania e a narrativa do protagonista. Afinal, Gabriel é devoto e está em uma missão santa — nada mais ultra religioso que usar seu próprio sangue, dando a própria vida, para demonstrar seu amor pela causa.
Resident Evil encontra Bioshock
Quando colocamos a mecânica do sangue e a ambientação juntos, na prática, Crisol parece um filho de Bioshock com Resident Evil. O jogo pressiona exatamente as teclas que me fizeram se apaixonar por ambas as franquias, principalmente nos anos mais recentes.
A ambientação molhada da ilha de Tormentosa, que traz influência de uma entidade marítima, parece uma alusão direta aos games da icônica franquia da 2K Games. No entanto, não veja isso como uma cópia barata: toda a ambientação de Crisol lembra Bioshock, mas traz originalidade ao adotar a veia espanhola do estúdio Vermila.
Na parte do gameplay, a comparação é exatamente a mesma. O jogo conta com elementos que se popularizaram nos jogos de Resident Evil mais recentes, como o inventário usado para puzzles, o arsenal de armas com munição limitada e até mesmo um perseguidor — a assustadora Dolores.
O jogo também inclui um mapa que mostra áreas e segredos e um ciclo de gameplay que remete bastante aos jogos da Capcom, com idas e vindas nas mesmas áreas, por exemplo. O arsenal com munição limitada também traz uma pegada clássica de survival horror para a experiência.
Porém, mesmo com elementos característicos do gênero, o jogo consegue converter tudo isso em originalidade. As armas de Crisol, por exemplo, ganham uma roupagem única graças ao uso de sangue como munição, com um processo de recarga que é quase doloroso, em que você precisa segurar o botão e ver a vida sendo sugada de Gabriel.
A aplicação de mecânicas consagradas em um gameplay e ambiente originais garantem o equilíbrio perfeito entre familiaridade e frescor. É como seu eu tivesse revisitando uma das franquias mencionadas, mas com uma roupagem diferente, o que torna tudo uma grande homenagem às inspirações.
Orçamento limitado é driblado com arte
O momento em que você sente que não está jogando um game de uma grande franquia é, justamente, quando o escopo de Crisol fica evidente. O jogo possui algumas limitações de movimentação em seu protagonista e gráficos que não “impressionam” para os padrões atuais, digamos assim.
A movimentação acabou me deixando um pouco tonto ocasionalmente, cortesia da câmera em primeira pessoa, mas nada que realmente afaste quem curte esse tipo de game. Para a galera que tá acostumada a dar zoom nos ambientes para ver cada pixel, o visual pode acabar decepcionando.
Por outro lado, mesmo sem apostar ferrenhamente no realismo, o jogo encanta com a direção de arte e som. Os personagens, locais e itens de Crisol trazem uma vibe única e que pode te deixar engajado, mesmo com algumas cortes de orçamento visíveis em certos momentos.
Porém, minha maior surpresa com o game ficou para a parte sonora. Além de contar com uma trilha sonora bem marcante, o jogo capricha no design de áudio, seja nas estátuas que estralam enquanto se movem, ou no protagonista sugando sangue ou recarregando a arma.
Ao invés de apostar em um mundo aberto gigante e “realista”, Crisol traz uma experiência contida, mas com personalidade.
Com essa abordagem, Crisol mostra um caminho interessante para uma indústria cada vez mais sobrecarregada de jogos realistas vazios e sem personalidade. Ao invés de apostar em um mundo aberto gigante e “realista”, o título traz uma experiência contida, mas com personalidade.
Segundo o CEO da Vermila Studios, David Carrasco, Crisol pode ser terminado em torno de 10 a 12 horas de gameplay — algo que podemos corroborar. No entanto, o jogo traz diferentes tipos de dificuldade, segredos escondidos e um gameplay bem divertido de se explorar, o que faz com que a experiência tenha um bom rendimento, mesmo com um escopo reduzido.
Vale a pena?
Com tempero de Bioshock e Resident Evil, Crisol Theater of Idols é um passeio por uma Espanha assombrada e fascinante. Mesmo calçado em inspirações consolidadas no gênero de terror em primeira pessoa, o jogo entrega bastante originalidade e um universo delicioso de se explorar.
Com múltiplas dificuldades e segredos escondidos, Crisol entrega tensão com sua mecânica de sangue como munição e uma história instigante. Eventualmente, você pode enfrentar alguns probleminhas de movimentação e achar que alguns visuais poderiam ser melhores, mas a direção de arte e de som seguram a experiência do início ao fim.
Com versões para PC, PS5 e Xbox Series S e X, o jogo chega com o preço convidativo de R$ 55, o que já é motivo para os fãs de terror deixarem o projeto em seu radar. E se você quer uma provinha do sabor divino, uma demo está disponível no computador e mostra muito bem o que esperar da experiência completa.
Assim como Gabriel desembarcando em Tormenstosa, posso dizer que estava um pouco confusa quando comecei minha jornada em Crisol. Agora, já virei devota desse universo e estou esperando as próximas bênçãos que serão enviadas pela Blumhouse Games e a Vermila Studios.






