Mais um ano de EA Sports FC e a primeira coisa que vem à cabeça é o clássico meme do CJ: “Oh shit, here we go again”. Afinal, chega mais um “FIFA” em que depositamos aquela esperança de que, desta vez, alguma coisa realmente será diferente, enquanto a EA Sports faz sua parte para tentar convencer o público de que a revolução está logo ali.
EA FC 27 até traz algumas novidades interessantes, principalmente com a chegada do The Grounds e as mudanças no modo Carreira de Manager, mas também mantém uma série de problemas que acompanham a franquia há anos. Depois de experimentar as principais novidades desta edição, chegou a hora de contar como foi voltar aos gramados e descobrir se existe algo realmente novo para justificar mais uma temporada.
Ficha técnica
Jogo: EA SPORTS FC 27
Desenvolvedora: EA Sports
Lançamento: 25 de setembro de 2026
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2
Plataforma de teste: Xbox Series S
Preço: A partir de R$ 299
A análise foi realizada com uma chave do game cedida pela Eletronic Arts Brasil.
The Grounds é uma boa ideia que ainda parece inacabada
A grande novidade de EA FC 27 é o The Grounds, uma espécie de pequeno mundo aberto inspirado em experiências que já apareceram em outros jogos esportivos, especialmente nos títulos da 2K, mas adaptado para a proposta de futebol de rua da franquia. A ideia é reunir diferentes atividades, lojas, outros jogadores e uma série de partidas alternativas em um mesmo espaço, incluindo confrontos 1x1, 2x2, variações do 2x2, Futebasquete e o tradicional Rush 5x5.
A estrutura funciona particularmente bem quando o jogo deixa você simplesmente jogar, já que o The Grounds é o espaço em que FC 27 mais permite abusar de firulas, dribles e jogadas que talvez não tenham tanto espaço no futebol tradicional. Para quem sente falta de uma experiência mais próxima de FIFA Street, existe aqui uma proposta interessante, ainda mais porque o modo aproveita ideias que a EA Sports já vinha construindo, como os arquétipos e o próprio Rush introduzido em EA FC 25.
Para quem sente falta de uma experiência mais próxima de FIFA Street, existe aqui uma proposta interessante.
Logo no começo, o jogo coloca Alex Hunter novamente no caminho dos jogadores que acompanham a franquia há bastante tempo, enquanto outras figuras conhecidas do futebol, como Kylian Mbappé, Chloe Kelly e Paulo Dybala, aparecem para apresentar as possibilidades do novo espaço. Esses encontros servem principalmente para introduzir objetivos, recompensas, boosts, moedas e itens de personalização, criando uma estrutura de progressão que tenta dar algum motivo para continuar explorando o The Grounds.
O problema é que, quando saímos da ideia e começamos a brincar de verdade com o modo, fica evidente que ele ainda está muito cru. Eu considerava o antigo Rush um dos modos mais divertidos do FIFA, embora também não possa fingir que passei centenas de horas nele, já que jogava principalmente no lançamento e ocasionalmente com amigos. Com isso em mente, gostei da expansão dessa proposta, mas o mundo aberto em si não me convenceu.
A interação com os grandes nomes do futebol também é um dos pontos mais fracos da experiência, principalmente por causa de expressões faciais pouco convincentes e uma apresentação que lembra experiências narrativas muito mais antigas da franquia. Quando isso se junta a participações de atletas que não são atores profissionais, o resultado muitas vezes soa artificial e dá vontade de apertar o botão para pular logo aquela parte e chegar ao que realmente interessa.
Só que nem sempre dá para chegar ao que interessa, porque encontrar jogadores para algumas atividades se mostrou um problema durante minha experiência. Em determinados momentos, não havia gente suficiente para iniciar partidas de 2x2 ou até mesmo o Rush, que depende de oito jogadores, e isso me fez abandonar alguns modos simplesmente porque não conseguia encontrar uma partida.
Não sei se isso está relacionado a algum problema de matchmaking ou servidores, ou se o The Grounds simplesmente não conseguiu reunir jogadores suficientes durante o lançamento — embora eu tenha a impressão de que há mais coisa acontecendo nos bastidores do serviço online. O fato é que um modo construído em torno da interação com outros jogadores perde boa parte da graça quando você entra nele e encontra mais espaço vazio do que gente para jogar.
O espaço aberto em si é bem construído e visualmente agradável dentro dos padrões da franquia, funcionando como uma pequena cidade de inspiração europeia com diferentes pontos de interesse. O problema é que, depois de dar algumas voltas e conhecer o lugar, faltam motivos para continuar explorando, com exceção de algumas atividades, como acertar alvos espalhados pela cidade, que acabam ficando repetitivas depois de um tempo.
No fim das contas, o The Grounds tem potencial, e talvez essa seja justamente a parte mais frustrante. A EA Sports encontrou uma maneira interessante de expandir o Rush e criar um espaço para quem gosta de jogar futebol de maneira mais descontraída, mas lançou uma estrutura que ainda parece precisar de bastante trabalho para realmente se tornar aquilo que promete.
O modo Carreira de Manager finalmente recebeu atenção
Enquanto a Carreira de Jogador praticamente passou em branco, a Carreira de Manager recebeu algumas das mudanças mais interessantes de EA FC 27. Depois de anos em que o modo parecia andar em segundo plano, finalmente existe uma sensação maior de que a EA Sports resolveu mexer em algumas engrenagens importantes da experiência de administrar um clube.
O mercado de transferências é uma dessas mudanças, trazendo uma estrutura mais detalhada e que visualmente até lembra alguns FIFAs antigos, mas agora acompanhada de negociações mais elaboradas. A inteligência artificial também recebeu ajustes para tornar as conversas um pouco mais realistas, enquanto novas possibilidades, como cláusulas de desempenho e de recompra, ajudam a deixar o processo menos simplório do que vinha sendo.
Outra novidade é o sistema de GER dinâmico, que permite que o overall dos jogadores varie de acordo com fatores como forma, moral e preparo físico. A ideia é interessante e combina com a proposta de uma carreira mais dinâmica, mas senti que a EA Sports exagerou um pouco na facilidade com que alguns jogadores conseguem evoluir, fazendo com que atletas comuns possam se transformar em estrelas rapidamente e tirando um pouco do peso dessa progressão.
Os eventos inesperados também são uma adição bastante interessante, principalmente porque ajudam a quebrar a previsibilidade de uma temporada longa. Em determinado momento, por exemplo, o orçamento do clube pode ser reduzido por causa de problemas internos, obrigando o jogador a lidar com uma situação que não estava prevista e criando pequenas histórias dentro da própria carreira.
Já as novas entrevistas não me conquistaram. Elas aparecem de maneira mais aleatória ao longo da carreira, mas as perguntas não são particularmente interessantes e, como também não senti um impacto relevante das respostas no andamento do clube, rapidamente passei a tratá-las como uma etapa burocrática que eu precisava cumprir.
Ainda assim, a Carreira de Manager provavelmente será o modo para o qual eu voltarei depois de um necessário detox de EA FC 27. Se a gameplay permitir uma experiência mais agradável com o uso dos recursos de personalização disponíveis, existe conteúdo suficiente aqui para passar muitas horas comandando um clube.
A gameplay continua sendo o maior problema
É difícil falar de EA FC 27 sem chegar ao assunto que mais me incomodou durante a experiência: a gameplay. Da maneira como eu entendo, consumo e gosto de jogar futebol, a experiência continua muito distante do que eu gostaria de encontrar em uma simulação do esporte, com partidas aceleradas e uma estrutura que muitas vezes recompensa mais quem aprende a explorar as brechas do jogo do que quem tenta jogar futebol de maneira natural.
A inteligência artificial acaba sendo um reflexo disso, embora seja justo reconhecer que houve uma melhora na chamada Gameplay Autêntica. Existe uma variabilidade maior nas ações dos jogadores controlados pela máquina, com mais combatividade e situações menos previsíveis acontecendo durante as partidas, o que ajuda a criar uma sensação um pouco mais próxima de um jogo de futebol orgânico.
A defesa também recebeu bastante atenção nesta edição, mas aqui existe uma mudança que pode gerar bastante discussão entre os jogadores. Desmontar uma linha defensiva ficou mais fácil em determinadas situações, a ponto de eu sentir que precisei reaprender alguns fundamentos defensivos que já estavam automatizados depois de tantos anos jogando a franquia.
Se a Gameplay Autêntica já me incomodou, a Competitiva definitivamente não foi capaz de mudar minha opinião. A sensação continua sendo de um futebol muito dependente de explorar mecânicas, apertar determinados comandos e repetir dribles ou comportamentos que o jogo recompensa, algo que me afasta ainda mais da experiência que procuro quando quero simplesmente jogar futebol.
Para quem joga offline, entretanto, existe uma saída bastante interessante: os sliders. Eles não fazem milagres e não transformam EA FC 27 em outro jogo completamente diferente, mas permitem alterar uma quantidade enorme de parâmetros, especialmente com as novas opções voltadas para a inteligência artificial.
Com uma boa configuração, a gameplay pode ficar muito mais agradável e adaptada ao gosto de cada jogador. Não resolve todos os problemas, mas a diferença é suficientemente grande para transformar completamente a maneira como uma partida se comporta, especialmente para quem prefere jogar contra a máquina em vez de disputar partidas competitivas online.
Os bugs continuam aparecendo
EA FC 27 também chegou acompanhado de alguns problemas técnicos que reforçam a sensação de que o jogo poderia ter recebido mais tempo de polimento. Durante minha experiência, encontrei situações que iam desde o jogo iniciar com o modo de alto contraste ativado, que é uma opção de acessibilidade, até travamentos durante a Carreira e problemas na navegação pelos menus.
Um dos bugs mais estranhos aconteceu justamente no começo da Carreira, quando jogadores já apareciam pedindo para deixar o clube praticamente no início da trajetória. A EA Sports lançou uma atualização posteriormente afirmando ter corrigido esse problema, mas a existência dele no lançamento mostra como algumas arestas ainda precisavam ser aparadas.
Também encontrei problemas nos menus do The Grounds, incluindo uma recompensa que simplesmente permanecia na tela sem desaparecer. São problemas que não necessariamente destroem a experiência inteira, mas incomodam justamente porque aparecem em um jogo que já chega com uma estrutura conhecida e bastante reutilizada de uma edição para outra.
Vale a pena jogar EA FC 27?
Depois de passar um tempo com EA FC 27, minha conclusão acaba sendo semelhante à que tive com as últimas edições da franquia: eu esperaria uma promoção antes de comprar. Existem novidades interessantes, mas ainda vejo pouca justificativa para pagar preço cheio por uma experiência que, em grande parte, continua muito próxima daquilo que já estava disponível anteriormente.
O The Grounds é uma ideia interessante e pode crescer bastante com o tempo, enquanto a Carreira de Manager finalmente recebeu mudanças que tornam o modo mais interessante para quem gosta de administrar um clube. Ao mesmo tempo, a gameplay continua sendo um grande obstáculo para mim, os bugs aparecem em lugares importantes e algumas novidades parecem mais pensadas para alimentar o discurso de lançamento do que para transformar de fato a experiência.
Quem gosta de Carreira de Manager provavelmente encontrará motivos suficientes para passar boas horas no jogo, especialmente se estiver disposto a ajustar os sliders e construir uma experiência mais próxima do seu gosto. Já quem procura uma evolução profunda na jogabilidade ou uma experiência online realmente diferente pode acabar encontrando mais do mesmo, apenas com uma nova camada de tinta.
EA FC 27 não é um desastre e também não deixa de ter boas ideias, mas continua sendo difícil ignorar a sensação de que a EA Sports poderia fazer muito mais com uma franquia que praticamente não possui concorrência direta no futebol de grande orçamento. O problema é que, mais uma vez, parece que a empresa preferiu dar alguns passos pequenos em vez de realmente mudar o caminho, e isso torna a pergunta sobre comprar no lançamento ainda mais fácil de responder: talvez seja melhor esperar.
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