Existem fãs de games e cultura pop fora do eixo Rio-São Paulo
Enquanto grandes marcas dão atenção para feiras gigantes, a comunidade mostra sua força em eventos locais, como o XapGeek. Confira mais detalhes na edição extra de hoje!
Quem joga videogame, acompanha animes ou é fã de filmes e séries com certeza já ouviu falar de eventos gigantes como a Brasil Game Show, a Gamescom Latam e a CCXP. Essas feiras de grande porte são conhecidas por trazer pessoas famosas de Hollywood para o Brasil e contarem com ativações e brindes fornecidos por empresas amadas pelo público.
No entanto, longe do eixo Rio-São Paulo, a cultura geek também ganha espaço para florescer em eventos locais e de menor porte, como o XapGeek, realizado em Chapecó, Santa Catarina, em abril. O evento, que aconteceu no campus da Unoesc e foi acompanhado de perto pelo Jornal, é uma prova de que a comunidade é o principal fator para o sucesso de uma feira de games.
E, mesmo que você não seja do West Side catarinense, ainda existem reflexões na realização do XapGeek que podem servir de inspiração para quem acompanha games, filmes e séries. Afinal, uma feira desse porte, independente do local de realização, pode ser tão divertida (se não mais) que um evento pomposo que fica longe e custa o triplo do preço.
Dá pra aproveitar a cultura pop vivendo longe de São Paulo?
Quem acompanha o Jornal dos Jogos sabe que a gente não é muito de sair para eventos e costuma focar nossa cobertura em notícias, reviews e jogos via internet. E o principal motivo para isso é geográfico: grande parte da nossa equipe é do interior, enquanto muita coisa da indústria do entretenimento rola em São Paulo.
Esse foco na grande metrópole brasileira pode até dar a impressão de que, para você conseguir trabalhar ou aproveitar melhor a cultura geek, precisa estar no eixo Rio-São Paulo. Afinal, lá é onde tudo acontece, não é mesmo?!
Parte disso é verdade. Muitas oportunidades envolvendo jogos, filmes e séries ainda se concentram nas grandes cidades. Ainda assim, como o próprio Jornal dos Jogos atesta, é possível trabalhar com esse tipo de coisa morando no interior — e sem enfrentar longas horas de trânsito pra fazer qualquer coisa.
E para quem é fã de cultura pop, aproveitar eventos geeks sem precisar viajar para São Paulo já é uma realidade. E mesmo sem um nome grandioso ou estrelas de Hollywood, eventos de pequeno e médio porte contam com o que mais importa para fazer uma feira de sucesso: o poder da comunidade.
XapGeek e o poder dos eventos locais
Como parte da nossa equipe é aqui de Chapecó, logo que ouvimos falar de uma feira de cultura pop na região, já ficamos interessados em conferir a novidade. Afinal, quem cresceu no interior durante os anos 2000 sabe: expressar seu amor por games, filmes e séries em um evento era algo praticamente impossível.
Já no ano passado, nós desligamos o videogame um pouquinho e acompanhamos a primeira edição do XapGeek. O evento trazia lojas locais exibindo seus produtos, concurso de cosplay e também contou com a participação do dublador Raul Schlosser.
Em 2026, o evento cresceu — e cresceu bem. Além de atrações similares ao ano anterior, a feira contou com mais espaço para o mundo dos games, incluindo uma área para jogar com os amigos. A Gibiteca também incluía consoles retrô em exibição, enquanto a Leafgreen Hobbystore trazia um espaço temático de Pokémon.
Na parte central, várias lojas e negócios locais apresentavam seus produtos para o público, com os empreendedores disponíveis para trocar uma ideia com a galera. Passamos um bom tempo no estande da Forja Rúnica e no espaço da Templarium Studio conversando sobre impressão 3D e estátuas detalhadas de Dungeons & Dragons e The Witcher.
O evento também é uma vitrine para novos empresários que querem apresentar seu trabalho para o público local. O criador da 3D Prod, que produz estátuas impressas em 3D, começou como um hobby — daqueles que saem do controle rapidinho — e participou do XapGeek para alcançar um público maior.
Feiras locais desse tipo também são ótimas oportunidades para estudantes terem mais contato com o mundo da cultura pop. O Cine Clube Helena, projeto de extensão da Unochapecó, participou do evento com a exibição de filmes produzidos pelos alunos do curso de cinema.
“Enquanto um projeto de extensão, nós entendemos que é importante estabelecermos essa conexão com um público ligado à cultura e que valoriza as diferentes formas da arte se manifestar”, explica o professor João Pietro Bridi. É uma oportunidade para levar produções feitas pelos acadêmicos para fora da universidade, reforçando a conexão entre universidade e comunidade.
Além do contato com a comunidade, o projeto também garante que novos cineastas tenham um gostinho prático da rotina de trabalho em eventos. “Essa participação vai desde o planejamento das sessões até a cobertura do evento, produção de conteúdo e realização dos debates. Esse ano os estudantes organizaram quatro sessões — primeiros curtas, comédia, musical e terror — todas seguidas de debates”, explica.
Um espaço de interação para todos os fãs
O caráter comunitário de um evento do tamanho do XapGeek também aparece em coisas simples e que fazem a diferença. Quem chegou cedo, por exemplo, deu de cara com o dublador Mauro Horta, principal atração do ano, dando uma volta pelos estandes antes de sua palestra.
No entanto, a parte mais cativante é ver amigos e famílias aproveitando juntos a cultura geek. Enquanto tirávamos algumas fotos, vimos cosplays refinados de animes como Chainsaw Man e games como Hollow Knight.
Por outro lado, também demos de cara com uma mãe vestida de Maomao, do anime Diários de uma Apotecária. Ela estava acompanhada de três crianças, todas com cosplay, muito empolgadas para aproveitar tudo que o evento tinha a oferecer.
Os bancos e praças da Unoesc também foram povoados por cosplayers conversando, jogando boardgames e trocando cartas de Pokémon TCG. Ao invés de esperar em filas por brindes, como acontece em eventos maiores, feiras menores incentivam algo diferente: conhecer a cultura local e as pessoas ao seu redor.
Um esforço coletivo ganhando vida
Por trás de toda essa estrutura, existe um trabalho que muitas vezes passa despercebido por quem só chega para curtir. No caso do XapGeek, cerca de 20 pessoas estiveram diretamente envolvidas na organização da edição de 2026, com um time base de 11 integrantes responsáveis por tirar o projeto do papel.
Uma feira no estilo Brasil Game Show envolve centenas de pessoas somente no dia da feira, sem contar todas as pessoas por trás do pré-evento. Para eventos menores, um grupo de pessoas engajadas já é o suficiente para fazer tudo acontecer — o que envolve muito trabalho e dedicação.
Segundo a coordenadora de comunicação e marketing, Tuany Palharini, o crescimento do evento não foi exatamente uma surpresa, mas certamente foi um desafio. “Sabíamos que o crescimento do XapGeek era algo inevitável. Através de métricas e feedbacks, tivemos certeza que a segunda edição ia precisar muito mais da gente do que a primeira”, explica.
“A meta é fazer com que exista um local onde as pessoas se sintam confortáveis de estar, criando uma união cada vez mais forte através da cultura”
Para dar conta dessa expansão, a equipe reforçou a organização interna e buscou apoio de profissionais experientes. O resultado já aparece: mesmo ainda em apuração, o público mais que dobrou em relação ao ano anterior — um sinal claro de que existe demanda fora dos grandes centros.
Mais do que crescer, o objetivo para a próxima edição é diversificar. “A meta é fazer com que exista um local onde as pessoas se sintam confortáveis de estar, criando uma união cada vez mais forte através da cultura”, afirma.
O papel dos eventos de pequeno porte na cultura pop
Esse tipo de iniciativa mostra que eventos regionais não são apenas versões menores das grandes feiras — eles cumprem um papel diferente, e igualmente importante. Em cidades fora do eixo Rio-São Paulo, feiras como o XapGeek servem c como ponto de encontro para comunidades e podem ser a porta de entrada para novos artistas, empreendedores e profissionais criativos.
Em vez de ser uma vitrine para grandes marcas, eventos regionais mostram o que a própria cidade tem de melhor para oferecer. E mesmo acontecendo em um fim de semana, o impacto continua: o público passa a conhecer lojas locais, projetos independentes e outras iniciativas que seguem vivas durante o ano todo.
Eventos regionais mostram o que a própria cidade tem de melhor para oferecer
No fim das contas, o XapGeek deixa claro que a cultura geek no Brasil não depende apenas de grandes palcos ou celebridades internacionais. Ela vive nas conexões locais, no esforço coletivo e na paixão de quem organiza — e, principalmente, de quem participa.
Mais do que um evento, feiras como essa funcionam como pontos de encontro para comunidades inteiras. Elas aproximam pessoas com interesses em comum, revelam talentos da própria cidade e mostram que o fandom não tem endereço fixo.
Seja em Chapecó ou em qualquer outra cidade do interior do Brasil, a mensagem é simples: onde existe comunidade, a cultura acontece.
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