Forza Horizon 6 prova que às vezes tudo o que a gente precisa é de um mapa novo
Após anos de pedidos da comunidade, a Playground Games finalmente leva sua principal franquia ao Japão e entrega um dos melhores mundos abertos já vistos em um jogo de corrida.
Forza Horizon se tornou uma daquelas franquias raras que praticamente dispensam apresentações. Desde sua estreia na Austrália, passando pelos Estados Unidos, Reino Unido e México, a série da Playground Games construiu uma reputação invejável dentro dos jogos de corrida. Enquanto outras franquias oscilaram entre altos e baixos, Horizon conseguiu manter um padrão de qualidade impressionante ao longo dos anos.
Por isso mesmo, a expectativa para Forza Horizon 6 era enorme. O anúncio de que o próximo destino seria o tão sonhado Japão fez a comunidade entrar em êxtase. Afinal, poucas culturas automobilísticas são tão influentes quanto a japonesa. Entre carros lendários, estradas montanhosas, cidades vibrantes e paisagens naturais de tirar o fôlego, parecia o cenário perfeito para a franquia.
Depois de dezenas de horas explorando o novo mapa, chegou a hora de responder a pergunta que muitos fãs estavam fazendo: o Japão era realmente tudo aquilo que imaginávamos?
Ficha Técnica
Jogo: Forza Horizon 6
Lançamento: 19 de maio de 2026
Onde jogar: Xbox Series X|S, PC
Plataforma de teste: Xbox Series S
Preço: A partir de R$ 299 (Também disponível no Xbox Game Pass)
Sim, é mais Forza Horizon. E isso não é um problema
Vamos tirar o elefante da sala logo de cara. Forza Horizon 6 é, essencialmente, uma continuação direta da fórmula construída nos dois últimos jogos. As mecânicas de direção continuam extremamente familiares, a estrutura das corridas permanece praticamente a mesma, boa parte dos sistemas já existia anteriormente e até diversos modelos de veículos retornam.
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Mas isso não necessariamente é um defeito. A Playground Games passou mais de uma década refinando uma fórmula que já funciona muito bem. Seria estranho esperar que o estúdio descartasse toda essa base sólida apenas para reinventar a roda.
Quem jogou Forza Horizon 4 ou 5 vai se sentir em casa desde os primeiros minutos. Isso inclui tanto as qualidades quanto alguns problemas já conhecidos da série. O principal deles continua sendo a progressão.
Já faz muito tempo que Horizon abandonou a ideia de começar com um carro simples e subir lentamente até conquistar máquinas mais potentes. Aqui, basta completar algumas atividades para receber veículos extremamente rápidos e valiosos. Em poucas horas você já tem acesso a uma coleção invejável.
Se isso incomoda alguns jogadores, para mim funciona perfeitamente dentro da proposta do jogo. Forza Horizon não quer ser uma jornada de superação. Ele quer ser um enorme parque de diversões automobilístico. E quando você entende isso, tudo faz sentido.
Você pode focar nas corridas da campanha, passar horas personalizando carros na garagem, caçar colecionáveis ou simplesmente escolher um veículo qualquer e sair dirigindo sem rumo pelo mapa. A liberdade sempre foi um dos pilares da franquia, e aqui ela continua sendo um dos seus maiores acertos.
O Japão era o sonho dos fãs — e valeu a espera
Se existe um motivo para jogar Forza Horizon 6, ele atende pelo nome de Japão. Mesmo sem ter explorado cada centímetro do mapa, já posso dizer com tranquilidade que este é o melhor cenário da história da franquia.
A Playground Games conseguiu encontrar um equilíbrio impressionante entre áreas urbanas e regiões rurais. Em um momento você está cruzando avenidas iluminadas em Tóquio; no outro, atravessando montanhas, campos, florestas e pequenas cidades que parecem ter saído diretamente de um cartão-postal.
O mapa é gigantesco, mas nunca parece vazio. Existe uma quantidade absurda de atividades, eventos, colecionáveis e pontos de interesse espalhados pelo mundo. A divisão por regiões ajuda bastante na exploração e torna a experiência menos intimidadora para quem gosta de completar tudo o que o jogo oferece.
Mas o que realmente impressiona é a fidelidade visual. Diversos locais inspirados em regiões reais foram recriados com um nível de detalhe impressionante.
É aquele tipo de jogo que frequentemente faz você parar a corrida apenas para admirar a paisagem. A sensação é quase a de estar fazendo turismo do conforto do sofá.
Direção de arte continua em outro nível
Se os cenários impressionam, os carros não ficam para trás. A reprodução dos mais de 550 veículos disponíveis é simplesmente fantástica. Os modelos possuem nível de detalhe altíssimo, tanto externamente quanto internamente, e o cuidado da equipe aparece em praticamente todos os aspectos da apresentação visual.
As corridas são cinematográficas sem parecerem artificiais. As mudanças climáticas ajudam a dar vida ao mundo. A iluminação continua espetacular e muitas das cenas parecem saídas diretamente de um filme sobre cultura automotiva.
O equilíbrio perfeito entre arcade e simulação
Forza Horizon sempre teve uma característica que o diferenciou da concorrência: ele consegue agradar tanto quem busca diversão casual quanto quem gosta de algo mais próximo da simulação. E Forza Horizon 6 mantém essa tradição.
Confesso que a franquia acabou criando um problema para mim. Depois de tantos anos jogando Horizon, ficou difícil aproveitar outros arcades de corrida. Muitos deles parecem excessivamente artificiais quando comparados ao trabalho realizado pela Playground.
A direção aqui continua excelente. Você sente o peso dos veículos, percebe as diferenças entre classes, entende o comportamento de cada carro e consegue identificar mudanças sutis na dirigibilidade sem precisar recorrer a um volante profissional.
Tudo também funciona muito bem no controle. Com ou sem assistências ativadas, a experiência permanece divertida, acessível e satisfatória. É uma jogabilidade refinada ao longo de anos e que continua servindo como referência para o gênero.
Bonito e otimizado, mas não livre de problemas
Outra característica tradicional da franquia sempre foi a boa otimização. Durante meus testes no Xbox Series S, jogando no modo Qualidade, que prioriza resolução e efeitos gráficos, o desempenho geral foi bastante positivo.
O jogo se manteve bonito durante praticamente toda a experiência e apresentou uma estabilidade bastante satisfatória. Porém, nem tudo foi perfeito.
Encontrei uma quantidade de bugs superior ao que estava acostumado nos jogos anteriores da série. Em alguns momentos o áudio desapareceu completamente, exigindo reiniciar o jogo. Também tive problemas com o Quick Resume e encontrei travamentos ocasionais durante a exploração.
Nada chegou a comprometer seriamente a experiência, mas são situações que chamam atenção justamente porque a franquia costuma apresentar um nível de polimento muito alto.
Talvez o enorme tamanho e densidade do mapa tenham contribuído para esses problemas. Seja como for, espero que futuras atualizações resolvam essas pequenas arestas.
Vale a pena jogar Forza Horizon 6?
Forza Horizon 6 não reinventa a franquia. Quem esperava uma revolução talvez saia um pouco decepcionado. Mas quem queria exatamente aquilo que a série faz de melhor encontrará um dos melhores jogos de corrida da atual geração.
O Japão entrega o melhor mapa da história da franquia, a jogabilidade continua praticamente impecável e a liberdade para explorar, correr ou simplesmente dirigir permanece sendo um dos grandes diferenciais da experiência.
Mesmo com alguns bugs e mantendo problemas antigos relacionados à progressão, o saldo final é extremamente positivo. Se você já gosta de Forza Horizon, esta é uma compra quase obrigatória. Se nunca jogou a série, talvez não exista porta de entrada melhor.
E para quem sonhou durante anos em acelerar pelas ruas e montanhas do Japão, a espera finalmente valeu a pena.
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