Hytale é a evolução que os fãs de Minecraft (e de RPGs) sempre sonharam! Veja review
Exploramos o ambicioso título da Hypixel Studios que une a nostalgia dos blocos à profundidade de um RPG clássico.
Anunciado em 2018 pela Riot Games, Hytale foi visto por muitos jogadores como um projeto capaz de rivalizar com Minecraft, até algo trágico acontecer: o cancelamento do game. Felizmente, o mundo deu tantas voltas que os criadores originais do projeto conseguiram os direito do game tiraram o título do papel, ou quase.
O novo game da Hypixel Studios acaba de chegar em Early Access, o que significa que ele está jogável, mas sem estar finalizado. Ainda assim, o resultado entregue atualmente já é promissor!
Mesmo em seus estágios iniciais, Hytale não tenta apenas ser um "sucessor espiritual" de Minecraft. O game traz diversas mecânicas que a comunidade sandbox sempre desejou, embaladas em uma experiência que parece, ao mesmo tempo, familiar e totalmente nova.
Ficha Técnica
Jogo: Hytale
Desenvolvedora: Hypixel Studios
Plataforma de teste: PC
Lançamento: Early Access (2025)
Experiência nostálgica desde o primeiro segundo
Logo no menu principal fui bombardeada por uma mistura de memórias e nostalgia. Me peguei lembrando da primeira vez em que joguei Minecraft, e não apenas isto, de outros jogos que também fizeram parte da minha infância.
A trilha sonora, uma coleção completa de melodias simples que me lembraram jogos como Ragnarok Online, Tera e Terraria, foi um detalhe que me agradou muito ao abrir o jogo pela primeira vez. Eu sou uma pessoa que particularmente não joga com som - sim, eu prefiro desativar as músicas quando inicio um jogo novo, por questões de sensibilidade auditiva - mas isso não aconteceu com Hytale.
Dei uma pesquisada rápida e descobri que o compositor da trilha sonora do jogo, Oscar Garvin, não compôs músicas para outros jogos - pelo menos nenhum que conhecemos - e que dedicou quase 10 anos (de 2016 a 2025) à criação da vasta trilha sonora de Hytale.
O jogo da Hypixel Studios conta com mais de 200 faixas, criadas pelo artista sob o pseudônimo de OnpuJam. Incrível, né? Tem gente que leva muito a sério a trilha sonora de um jogo! Se você curte, recomendo conhecer o trabalho dele.
Criação de mundo e de personagens
Entrando no gameplay, a criação de personagens é bem diversificada, mesmo com o jogo em Early Acess — portanto, skins, cabelos, roupas e demais cosméticos serão adicionados futuramente. Acredito que este também venha a ser o método de monetização do jogo.
A criação de mundos conta com três opções principais:
Modo Aventura, que não está disponível no early;
Modo Exploração, semelhante ao modo survival do Minecraft;
Modo Criativo, que todos já sabem como funciona.
Você pode personalizar o seu mundo, mas ainda existem limitações no acesso antecipado. Na versão de lançamento, apenas as opções de drop de inventário, morte por queda e pvp estão disponíveis.
Confira alguns prints da interface do game:


O mapa do game, inclusive, é a coisa mais linda! E a geração de mundo é procedural (infinita). O nosso personagem dá spawn dentro de uma construção de pedra e não tem tutorial. Você pode sair quebrando itens e coletando coisas no chão, e elas flutuam até serem pegas, como no Minecraft.
Hytale vs Minecraft
E, bom, por mais que algumas pessoas não gostem da comparação, isso é quase impossível. Ao sair da construção inicial e explorar o mundo exterior de Orbis, a sensação é de estar usando o melhor pacote de texturas de Minecraft já criado, com animações realistas e um ambiente vibrante.
A geração procedural é infinita e cheia de vida. Quer um exemplo? Eu tentei me aproximar de uma raposinha que me olhou com desdém antes de fugir, reforçando que este mundo não gira apenas em torno de você.
E, galera, eu joguei Minecraft durantes anos! Eu sou apaixonada por Mine, então Hytale me trouxe sensações maravilhosas e memórias afetivas incríveis. Não tem sensação melhor que a de entrar em um mundo novo cheio de vida que interage com o jogador.
Diferentemente do Mine, aqui os inimigos ficam vagando pelo mapa mesmo durante o dia. Se você morrer, perde todos os itens (conforme a configuração escolhida no menu) e a maioria dos animais não são passivos (sim eu morri para um urso, realmente achei que ele queria ser meu amigo). Existem também inimigos que só aparecem durante a noite também, então tomem cuidado.
Como funciona o mundo de Hytale?
Com relação ao conteúdo em si, o mundo é dividido em zonas elementares, e cada uma exige um nível de preparo diferente:
Zona 1 (Emerald Grove): É o ponto de partida, mas não se engane. Já apresenta masmorras (dungeons) com armadilhas e inimigos que usam táticas de grupo.
Zonas 2 e 3: O desafio aumenta com o clima. Na Zona 2 (deserto), o calor e as facções de insetos (Scaraks) exigem táticas de combate à distância. Na Zona 3 (gelo), você precisa de equipamentos térmicos para não morrer de frio.
Zona 4 (Devastated Lands): Considerada o “endgame” atual, é um ambiente vulcânico e corrompido onde quase tudo é hostil e exige armaduras de alto nível.
O jogo também possui bosses com mecânicas que necessitam de um bom preparo para serem desafiados. Diferente do clique frenético no Mine, o combate no Hytale exige estratégia:
Tipos de Armas: Cada arma tem um “estilo”. Espadas são rápidas, mas martelos pesados podem quebrar a defesa (guard break) de inimigos grandes.
Ataques Carregados e Bloqueio: Você precisa gerenciar sua estamina. Bloquear com o escudo no tempo certo é vital contra chefes.
Chefes de Masmorras: As masmorras têm salas finais com chefes que possuem fases e padrões de ataque específicos (como o Golem de Areia ou o Yeti), lembrando um pouco a mecânica de jogos como Zelda.
O jogo tem poucas opções de armas, mas, LEMBRANDO NOVAMENTE, ele está em Early Access! Não vamos ter acesso a tudo agora. Tenham isso em mente.
E os inimigos?
Vamos conversar agora sobre a inteligência artificial dos inimigos, que eu gostei bastante - ou não, morri demais nesse jogo, credo. Os inimigos não vagam apenas sem rumo: eles pertencem a facções com comportamentos próprios.
Trorks: São brutamontes que montam acampamentos organizados. Se você atacar um, os outros virão ajudar.
Scaraks: Insetos que se movem de forma coordenada e podem te cercar rapidamente.
Varyn: O antagonista principal envia criaturas corrompidas pelo “Vazio” que são muito mais agressivas e imprevisíveis que os monstros comuns.
A sobrevivência em Hytale também é bastante aprimorada e desafiadora. O jogo desafia sua percepção. Por exemplo:
Pistas Visuais: Certas árvores escuras (Ash Trees) só crescem acima de cavernas profundas. O desafio é aprender a “ler” o terreno para encontrar recursos raros sem se perder.
Exploração Vertical: Muitas das melhores recompensas estão em masmorras portais (Portal Dungeons), onde a construção é limitada, forçando você a usar suas habilidades de combate e parkour em vez de apenas “minar ao redor do problema”.
Construção em Hytale
Outro ponto importantíssimo do game são os sistemas de construção, automação e customização de mundos. O Hytale foi construído com uma mentalidade de “liberdade total”, e isso reflete diretamente na forma como você molda o mundo e seus equipamentos. Diferente de outros jogos do gênero, ele remove muitas das limitações técnicas, permitindo que a construção e a customização sejam quase uma forma de arte.
A construção no Hytale vai muito além de empilhar blocos. O motor do jogo foi feito para ser amigável tanto para construtores casuais quanto para arquitetos detalhistas:
Blocos Adaptáveis: Muitos blocos mudam de forma automaticamente dependendo de onde são colocados (como cercas que se conectam ou telhados que criam quinas perfeitas).
Mobiliário e Decoração: Existe uma enorme variedade de itens decorativos (cadeiras, mesas, estantes, luminárias) que não ocupam um bloco inteiro, permitindo interiores muito mais realistas e aconchegante.
Ferramentas In-Game: Para os criadores de conteúdo, o Hytale oferece ferramentas de “World Edit” integradas, permitindo copiar, colar e girar grandes estruturas sem precisar de mods externos.
Pintura: Você pode usar pincéis para mudar a cor de blocos e objetos individualmente, o que expande infinitamente a paleta de cores de uma construção.
Com relação ao craft de armas e equipamentos, em vez de apenas fazer uma “espada de ferro” genérica, o Hytale foca na identidade do jogador:
Sistemas de Materiais: O tipo de material que você usa afeta não só os atributos (dano, durabilidade), mas a aparência estética. Uma armadura de osso tem um visual tribal, enquanto uma de cobalto é futurista e elegante.
Encantamentos Visuais: Encantar um item no Hytale costuma adicionar efeitos visuais únicos (como runas brilhantes ou partículas elementares) que mostram o poder da arma à distância.
Progressão Visual: Conforme você avança nas zonas, os itens que você fabrica refletem a cultura daquela região (como o estilo rústico da Zona 1 ou o estilo exótico da Zona 2).
Para quem quer ir além, o jogo já vem com o Hytale Model Maker. É um software de modelagem e animação baseado em navegador que permite:
Criar novos modelos de blocos ou itens.
Criar novas animações para o seu personagem.
Importar essas criações diretamente para o jogo (em servidores que permitem mods).
Confira no Youtube como o HMM funciona:
Ponto importante: A construção no Hytale é pensada para ser compartilhada. Você pode salvar “Blueprints” (plantas) das suas criações e enviá-las para amigos ou usá-las em outros servidores.
Podemos criar um post futuramente para explorar apenas as funcionalidades do HMM, o que acham? Eu fiquei muito curiosa.
Vale a pena jogar agora?
Apesar de ainda estar em desenvolvimento, eu particularmente adorei o Hytale e acho que vou gastar umas boas horas no game. Mesmo com as limitações do Early Access, o jogo já traz um belo pacote de conteúdo, tudo embalado em uma nostalgia gostosa.
O game também conta com servidores online, mas você pode hospedar seu próprio mundo via LAN ou pagar um servidor privado para jogar com seus amigos. E como deu pra ver na review, conteúdo é o que não falta para se divertir, seja sozinho ou acompanhado.
E ah, quase ia me esquecendo: o jogo tem suporte para mods e contará totalmente com a colaboração da comunidade. Ao que tudo indica, os mods não serão pagos e muito menos vendidos na loja do jogo (semelhante ao Mine), então acredito que isso seja um ponto positivo!
E vocês, já estão jogando Hytale? O que estão achando? Não esqueça de se inscrever na nossa newsletter para receber novas reviews! Bye!












