Lego Batman Legacy of the Dark Knight honra o legado do herói - Review
O retorno da franquia Lego Batman atende às expectativas ou decepciona? Confira a análise!
Desde seu anúncio na Gamescom do ano passado, Lego Batman Legacy of the Dark Knight já se encontrava cercado de expectativas. O game chamou a atenção tanto por ser o primeiro jogo Lego DC desde Lego DC Super Villains, lançado em 2018, quanto pelas claras inspirações nos jogos da série Arkham.
Sendo o quarto jogo da franquia Lego Batman, que começou com o clássico Lego Batman The Videogame, de 2008, o título também é o segundo jogo da nova fase da Traveller’s Tales, iniciada com Lego Star Wars The Skywalker Saga, lançado em 2022. Agora, resta saber se o estúdio alcançou as expectativas do público e se vale a pena ou não dar uma chance ao projeto.
Confira, a seguir, a review de Lego Batman Legacy of the Dark Knight.
Ficha Técnica
Jogo: Lego Batman Legacy of the Dark Knight
Desenvolvedora: Traveller’s Tales
Lançamento: 22 de maio de 2026
Onde Jogar: PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC
Plataforma de Teste: PC
Preço: A partir de R$299,99 — R$269,90 em promoção na Nuuvem.
Um legado inteiro em um jogo
Legacy of the Dark Knight é desenvolvido pela Traveller’s Tales, estúdio já consagrado na franquia Lego. Foi ela quem iniciou essa jornada em 2008 com Lego Batman The Videogame, título que deu início à franquia nos jogos. Depois, tivemos em 2012 a sequência Lego Batman 2 DC Super Heroes, que trouxe mudanças significativas para os jogos Lego como um todo, adicionando pela primeira vez diálogos falados — antes limitados a grunhidos — e também um mundo aberto.
Já em 2014 e 2018 tivemos Lego Batman 3 Beyond Gotham e Lego DC Super Villains, jogos que não fizeram mudanças tão grandes, mas evoluíram o que já havia sido estabelecido anteriormente. Porém, foi em 2022, com a chegada de Lego Star Wars The Skywalker Saga, que tudo mudou.
A coletânea de Star Wars reformulou completamente a fórmula da franquia e fez sucesso. O título mudou a câmera para uma perspectiva em terceira pessoa, atrás dos personagens, e aproximou a experiência de um AAA moderno, mas com o tempero de Lego.
O novo jogo da DC traz como proposta contar uma história completa do Batman — e quando digo completa, é “completa” mesmo. Legacy of the Dark Knight acaba passando por seu treinamento, suas primeiras missões e até mesmo pelo surgimento do seu ajudante Robin, fazendo disso uma verdadeira homenagem ao personagem.
Uma grande homenagem
Além da proposta de revisitar toda a trajetória do Homem-Morcego, o jogo também funciona como uma grande celebração da história do personagem em diferentes mídias. Legacy of the Dark Knight mistura referências de quadrinhos, séries, animações e principalmente dos filmes do Batman, trazendo visuais, trajes e interpretações inspiradas em produções clássicas e modernas do herói.
Entre os destaques estão skins e versões baseadas em adaptações famosas do cinema, incluindo a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer e o Pinguim de Danny DeVito em Batman: O Retorno, além do Coringa inspirado na versão de Heath Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas e o Jim Gordon baseado na interpretação de Jeffrey Wright em The Batman, de 2022.
O jogo também aposta pesado na famosa galeria de vilões do personagem. Além de nomes clássicos como Coringa, Pinguim, Hera Venenosa, Duas-Caras, Sr. Frio e Charada, o game ainda traz participações de personagens menos conhecidos, como Condiment King, Calendar Man, Kite Man e até o Gentleman Ghost, funcionando quase como uma carta de amor ao universo do Cavaleiro das Trevas.
Outro detalhe interessante é como o jogo passeia por diferentes momentos da carreira do Batman. A campanha começa ainda no treinamento de Bruce Wayne com a Liga das Sombras e vai evoluindo até a formação completa da Batfamília, com Robin, Asa Noturna e Batgirl assumindo papéis importantes na história. Tudo isso enquanto Gotham se transforma constantemente, trazendo locais icônicos como o Asilo Arkham, a ACE Chemicals e a Torre Wayne para exploração no mundo aberto.
Uma gameplay familiar
Um dos maiores motivos do hype para o jogo era o sistema de combate, que lembrava os jogos da série Arkham. O retorno ao estilo freeflow da franquia levantava dúvidas sobre como isso funcionaria em um jogo Lego.
Felizmente, o combate funciona maravilhosamente bem, possuindo a fluidez característica dos jogos Arkham, mas com a leveza da franquia dos bloquinhos. E não é para menos, já que o jogo conta com o envolvimento de desenvolvedores da Rocksteady, estúdio responsável pelos jogos Arkham.
O combate funciona de maneira bastante similar à dos jogos Arkham, trazendo botão de ataque e contra-ataque, além da possibilidade de usar gadgets como o batarangue e o batgancho para ajudar durante as lutas. O jogo também conta com uma árvore de habilidades para fortalecer os personagens.
Por falar em personagens, Lego Batman possui apenas sete jogáveis, algo que assustou muitos fãs, já que estamos acostumados a jogos Lego com pelo menos 100 personagens disponíveis. Porém, aqui essa quantidade reduzida funciona a favor do gameplay, já que permite que cada personagem possua habilidades únicas.
A quantidade limitada, mas bem trabalhada, evita a sensação de estarmos jogando com o mesmo personagem apenas com uma aparência diferente. Um bom exemplo disso é o lançador de cabos dos Robins ou a arma de espuma do Comissário Gordon, que são úteis tanto no combate quanto nos puzzles.
O jogo também traz de volta o mundo aberto, oferecendo uma Gotham inteira para explorar. Assim como nos jogos Arkham, a cidade é dividida por distritos e recheada de coletáveis, incluindo a presença dos famosos troféus do Charada vindos da série da Rocksteady.
O mundo aberto pode ser explorado tanto utilizando veículos, como o Batmóvel, quanto planando, já que todos os personagens possuem algum tipo de planador. Isso ajuda bastante na locomoção, com a dirigibiliade funcionando muito bem dentro do gameplay.
Ainda sobre o mundo aberto, o jogo apresenta problemas de stuttering, especialmente na versão de PC. O problema vem do uso da temida Unreal Engine 5 e aparece com mais frequência durante a exploração da cidade. Felizmente, isso acontece menos em missões fechadas, mas ainda pode ser motivo de irritação para alguns jogadores.
Vale ressaltar que o jogo conta suporte para multiplayer local para até duas pessoas, algo raro em games de grande porte atuais. O título também conta com suporte para compartilhamento de família da Steam, outro diferencial interessante.
Uma história em construção
Legacy of the Dark Knight tem a difícil tarefa de condensar grande parte da história do Homem-Morcego em uma única aventura. Dito isso, ele consegue executar essa tarefa de forma competente, mesmo com alguns tropeços.
A obra tem como principal inspiração os filmes do herói, apesar de também beber de referências vindas dos jogos, séries e quadrinhos. Ainda assim, sua principal base são os longa-metragens do personagem.
O jogo possui uma estrutura dividida em seis capítulos, e a aventura pode ser encerrada em cerca de 12 horas. Por não se prender a adaptar fielmente nenhuma obra específica, o jogo evita, em boa parte, o maior problema de Lego Star Wars The Skywalker Saga: a sensação de que tudo acontece de forma corrida.
Como aqui não existe um roteiro específico para seguir, a narrativa consegue respirar melhor. Mesmo assim, alguns capítulos acabam sendo rápidos demais e um tanto curtos.
Além disso, o jogo cai em uma fórmula repetitiva: introdução, seguida de missões de mundo aberto investigando o vilão principal do capítulo e, depois, algumas fases antes do confronto final. Felizmente, essa estrutura funciona bem na maior parte do tempo, já que são poucos os capítulos realmente prejudicados pelo ritmo acelerado.
Já no departamento de som, Legacy of the Dark Knisht entrega uma experiência bastante mista. No quesito sonoplastia, os efeitos sonoros funcionam muito bem, principalmente durante os combates e na destruição de objetos.
Por outro lado, a trilha sonora deixa um pouco a desejar. Diferente dos Lego Batman anteriores, que utilizavam a clássica trilha composta por Danny Elfman para o Batman de 1989, aqui optaram por uma trilha original que acaba carecendo de impacto.
No geral, faltam melodias realmente marcantes, o que faz com que alguns momentos importantes não tenham o peso esperado. O jogo até utiliza algumas músicas clássicas dos filmes anteriores, mas isso acontece em pouquíssimos momentos.
Lego Batman Legacy of the Dark Knight vale a pena?
Apesar dos defeitos, Legacy of the Dark Knight constrói uma experiência divertida e marcante. o jogo certamente irá agradar tanto os fãs do herói que estavam com saudades de um novo título do personagem quanto os fãs de Lego que queriam o retorno dessa clássica franquia.
Porém, os jogadores de PC devem ter em mente que, embora o desempenho geral seja satisfatório, o jogo sofre com problemas de stuttering, o que pode incomodar bastante algumas pessoas. Porém, isso é um problema técnico que pode ser corrigido com o tempo — ou driblado por quem possui um computador mais potente.
No geral, Lego Batman Legacy of the Dark Knight é uma experiência divertida, acessível e capaz de agradar fãs de todas as idades, sendo um dos grandes jogos de 2026. Entre blocos e morcegos, o título não apenas resgata a essência dos clássicos jogos Lego, como também entrega uma das homenagens mais completas ao Batman já feitas nos videogames.






