Lost Records Bloom & Rage capricha nas escolhas e ambientação - Review
Novo jogo da Don't Nod traz as melhores características da criadora de Life is Strange
Se você gosta de jogos narrativos e sente saudades dos anos 90, prepare-se para uma viagem no tempo. Lost Records: Bloom & Rage, novo jogo da Don't Nod, chegou com sua primeira parte em fevereiro e já conquistou corações com sua história envolvente e uma representação autêntica da adolescência.
A segunda parte está marcada para 15 de abril, e a esperança é de um desfecho tão impactante quanto o início. Eu tive a chance de jogar o game aqui no Jornal dos Jogos, via PS Plus, e trago aqui as minhas impressões da versão de PS5.
Como fã da franquia Life is Strange, que acabou sendo desvirtuada pela Square Enix, fico feliz em dizer que o trabalho da Don’t Nod é excepcional. Para quem curte jogos narrativos repletos de escolhas, Lost Records é uma experiência que vale a pena conferir, e eu explico tudo a seguir!
Ficha Técnica
Jogo: Lost Records: Bloom & Rage
Lançamento: Parte 1 - 18/02/2025 - Parte 2 - 15/04/2025
Onde jogar? PC, PS5 e Xbox Series S/X
Plataforma de teste: PS5
Preço: A partir de R$ 127,69
Também disponível na PS Plus Extra e Deluxe.
Qual a história de Lost Records: Bloom & Rage?
Anunciado em 2023, o game mistura drama adolescente, amizade e um toque de mistério, transportando os jogadores para Velvet Cove, uma cidade fictícia de Michigan, no verão de 1995. O que parecia apenas um retrato nostálgico da juventude se transforma em uma história cheia de emoções e descobertas, conforme quatro amigas precisam enfrentar um segredo enterrado por 27 anos.
A grande sacada do jogo? A forma incrível como ele trabalha a dualidade entre passado e presente. Enquanto vemos o passado com um tom nostálgico na visão das garotas, também jogamos no presente, quase três décadas depois, e vemos como elas estão atualmente.
Acompanhamos a história pelos olhos de Swann, a protagonista, e sua câmera VHS, que serve como mecânica central do jogo. Gravamos momentos, fazemos escolhas e, no meio disso tudo, nos conectamos profundamente com essas personagens, que são muito mais do que clichês de filmes adolescentes.
Adolescência real e sem filtro
Diferente de muitos jogos narrativos que retratam jovens como se fossem adultos super racionais (cof cof, Life is Strange), Lost Records realmente faz com que suas personagens pareçam adolescentes de verdade. Elas são impulsivas, ingênuas, fazem besteira e tomam decisões que dá vontade de gritar "não faz isso!".
E essa é a magia do jogo: você ri, se irrita e se emociona com elas, porque tudo soa incrivelmente real. E como também pulamos para o futuro no gameplay, é possível ver as personagens entendendo como eram inocentes naquela época, e como mudaram com o tempo.
Cada uma das quatro amigas tem sua própria personalidade e trajetória bem definidas. Ou seja, todas são bem trabalhadas e trazem traços únicos, do jeitinho que os fãs da Don’t Nod gostam! Swann, Nora, Autumn e Kat têm camadas que vão se revelando conforme a história avança, tornando impossível não se apegar.
Jogabilidade de escolhas caprichada
O gameplay com escolhas também se destaca nessa parte. Cada fala e atitude com as amigas colabora para evoluir o relacionamento com elas. Isso permite evoluir a amizade no passado e reconectá-las no futuro, tornando a narrativa bem conectada e envolvente.
A Don’t Nod também evoluiu consideravelmente o seu jeito de fazer jogos de escolha, cortesia do aprendizado com jogos como os já mencionados Life is Strange e projetos mais recentes, como Banishers: Ghosts of New Eden. Lost Records é dividido em fases, mas possui espaços abertos e que influenciam no decorrer da narrativa.
Uma das novidades é que você pode olhar ao redor em algumas cenas para desbloquear escolhas extras — além disso, ficar em silêncio e esperar alguns segundos também pode render mais opções de falas. O jogo também incentiva que você explore cada canto dos mapas mais abertos, tanto para pegar imagens com a câmera, o que permite fazer minifilmes, quando para viver momentos a mais com as personagens.
O mistério é apenas um detalhe
Por trás da amizade das protagonistas, existe um grande segredo que as separou por décadas. Mas o mais impressionante é que, durante boa parte do jogo, esse mistério fica em segundo plano — e não de um jeito negativo. A história das amigas é tão envolvente que o elemento misterioso vira apenas um tempero extra.
E quando o jogo decide trazer revelações, ele faz isso com impacto. O final da primeira parte é um verdadeiro soco emocional, pegando todos de surpresa com um desdobramento inesperado sobre a personagem Kat. Aqui, Lost Records prova que sabe brincar com a perspectiva do jogador, nos fazendo questionar tudo o que achávamos que sabíamos sobre a história.
Essa construção lembra bastante o primeiro Life is Strange, que trazia uma história repleta de emoções, mas que substituía o mistério pelos poderes de Max, que consegue voltar no tempo.
Trilha sonora e atmosfera dos anos 90
Se você é fã de cultura pop noventista, Lost Records também é um prato cheio. O jogo abraça o período com cenários detalhados, objetos icônicos e uma trilha sonora deliciosa. A banda fictícia das protagonistas tem uma música tema que é puro chiclete — e isso faz todo sentido, já que foi composta por adolescentes dentro do universo do jogo.
A ambientação não é só um detalhe estilístico, mas parte essencial da narrativa. Velvet Cove é quase um personagem próprio, ajudando a contar a história e intensificando a nostalgia que o game propõe.
A Don’t Nod também não economizou nos gráficos do game. No PS5, o jogo entrega uma experiência visual de ponta, com cenários e personagens belíssimos na Unreal Engine — o título também é otimizado para o controle DualSense, que permite controlar a câmera de maneira mais realista. A parte ruim aqui é o desempenho, já que a performance acaba caindo em algumas partes.
Vale a pena?
Com uma história cativante, personagens bem construídas e uma ambientação nostálgica impecável, Lost Records: Bloom & Rage é um dos jogos narrativos mais interessantes dos últimos anos. Ele entrega emoção, autenticidade e um grande "female gaze", representando de forma fiel as relações e desafios da adolescência feminina.
Se você gosta de boas histórias e personagens memoráveis, esse jogo é obrigatório, e digo isso apenas jogando a primeira parte. Agora é só contar os dias até abril para descobrir como essa saga vai terminar.
A primeira parte de Lost Records: Bloom & Rage pode ser jogada no PC, PS5 e Xbox Series S e X. A fita 2 será lançada como uma atualização gratuita no dia 15 de abril nas mesmas plataformas.