MOUSE: P.I. For Hire é um tiro belo e certeiro… até começar a cansar - Review
Um FPS noir inspirado nos desenhos dos anos 30 que mistura investigação, ação frenética e um estilo artístico simplesmente irresistível, mas que pode ser cansativo
MOUSE: P.I. For Hire é exatamente o tipo de jogo que chama atenção desde o primeiro trailer. Não é todo dia que surge um FPS com estética de desenho animado dos anos 1930, misturando isso com uma pegada noir digna de histórias de detetive. É uma proposta curiosa, estilosa e, acima de tudo, cheia de personalidade — daquelas que fazem você querer jogar só pela ideia.
Desenvolvido pela Fumi Games, o título coloca o jogador na pele de Jack Pepper, um detetive particular em uma cidade corrupta até o último tijolo. A premissa pode até parecer simples no começo — um desaparecimento misterioso —, mas rapidamente se transforma em uma teia de conspirações envolvendo corrupção, sequestro e assassinatos. E é nesse cenário que o jogo tenta equilibrar narrativa envolvente com ação desenfreada, apostando tanto no estilo quanto na substância.
Ficha Técnica
Jogo: MOUSE: P.I. For Hire
Lançamento: 16 de abril de 2026
Onde jogar: PC, PS5, Xbox Series S/X e Nintendo Switch 2
Plataforma de teste: Xbox Series S
Preço: A partir de R$ 88,99.
Um noir animado que prende desde o início
A história gira em torno de Jack Pepper, um ex-herói de guerra que virou detetive particular na cidade de Mouseburg. Neste lugar 100% noir e cartunesco, e cheio de referências a queijo e ratos, a corrupção parece fazer parte da paisagem tanto quanto os becos escuros e os prédios decadentes.
Dublado por Troy Baker, o personagem carrega aquele típico arquétipo do detetive cansado, mas competente. A figura resolve problemas enquanto se envolve em outros ainda maiores, sempre com aquele ar de quem já viu de tudo, mas continua seguindo em frente.
O que começa como o sumiço de um mágico rapidamente escala para algo muito mais complexo, levando o jogador a investigar uma rede de crimes que envolve figuras poderosas e situações cada vez mais perigosas. Ao longo da campanha, novos personagens surgem, histórias paralelas se entrelaçam e pistas vão sendo reveladas aos poucos, criando uma progressão narrativa que mantém o interesse.
O uso de um quadro de investigação, onde organizamos evidências para avançar na história, ajuda a reforçar essa sensação de estar realmente montando um quebra-cabeça, ainda que seja uma mecânica relativamente simples dentro do conjunto.
A progressão não traz muitas inovações, mas faz a história andar com novos personagens e intrigas. O sistema de missões, apresentação de novas mecânicas de gameplay e aumento do arsenal é muito semelhante ao que temos em jogos do gênero de roguelike, por exemplo.
No entanto, aqui em Mouse PI, temos um enredo mais robusto e mais interessante que a maioria de jogos do gênero. Só que as semelhanças não param por aqui.
Gameplay frenético que lembra Doom — para o bem e para o mal
A essa altura do campeonato você já deve ter visto em algum lugar alguém comentando que esse jogo é uma espécie de doom noir. Bom, é uma afirmação correta. Mas que eu não vejo como algo negativo, até certo ponto.
Se a narrativa puxa para o lado noir, o gameplay segue firme na ação desenfreada. MOUSE: P.I. For Hire adota uma estrutura bastante familiar para quem gosta de FPS clássicos, com fases que combinam exploração, coleta de pistas e combates intensos contra hordas de inimigos.
A movimentação é rápida, exige atenção constante e recompensa jogadores que dominam o ritmo acelerado, criando momentos bastante empolgantes, especialmente nas primeiras horas. O jogo também incorpora elementos que ampliam essa experiência, como habilidades desbloqueáveis, uso de ganchos para mobilidade e pulos duplos que incentivam a verticalidade dos cenários.
Há ainda uma leve influência de estrutura metroidvania, com áreas que podem ser revisitadas e segredos escondidos que recompensam a exploração. Tudo isso funciona muito bem do ponto de vista mecânico, mostrando um trabalho técnico refinado por parte da Fumi Games.
Em suma, a gameplay é um ciclo clássico de um roguelike. Entramos em uma missão, exploramos o mapa através de respostas/pistas e eliminamos as dezenas de inimigos que aparecem em nosso caminho. Eventualmente, lutamos contra um chefão.
Esse modelo, aliado a uma movimentação frenética e um vasto arsenal em mãos, é muito divertido. No entanto, sustentar esse tipo de gameplay por tantas horas, acaba enjoando um pouco.
O problema aparece com o passar do tempo. Esse ciclo de entrar em uma missão, enfrentar ondas de inimigos, coletar pistas e avançar para o próximo desafio começa a se repetir de forma previsível. O que antes era empolgante passa a dar sinais de desgaste, especialmente para quem está mais interessado na narrativa do que no combate em si.
A sensação de cansaço surge por volta da metade da campanha, quando o jogo já mostrou boa parte do que tem a oferecer em termos de mecânicas. Ainda assim, vale ressaltar que o trabalho técnico fantástico feito pela Fumi Games. Afinal, todas as mecânicas de FPS são muito bem refinadas, e o trabalho artístico é impecável.
Direção de arte é simplesmente absurda
Se existe um aspecto em que MOUSE: P.I. For Hire não apenas acerta, mas se destaca com folga, é na sua direção de arte. O jogo abraça completamente a estética dos desenhos animados da década de 1930, com animações feitas quadro a quadro e um visual em preto e branco que vai muito além de um simples filtro estilístico.
Tudo é deslumbrante. Desde os gráficos cartoon do game aos cenários muito bem detalhados e variados. Existe um cuidado evidente com iluminação, contraste e composição, criando cenas que são visualmente marcantes do começo ao fim.
Os cenários ajudam a reforçar essa identidade, trazendo uma variedade interessante de ambientes que vão desde ruas escuras e decadentes até locais mais elaborados, como estúdios de cinema e casas de ópera. Mesmo com a limitação de cores, o jogo consegue construir espaços ricos em detalhes e personalidade, sempre oferecendo algo novo para observar.
As animações também merecem destaque especial. Personagens, inimigos e armas possuem movimentos exagerados e cheios de estilo, capturando perfeitamente a essência dos cartoons clássicos. Esse cuidado se estende às cutscenes, que ajudam a contar a história de forma envolvente e reforçam ainda mais a identidade única do jogo.
Jazz que dá vida ao caos
A trilha sonora de MOUSE: P.I. For Hire funciona como uma extensão natural da sua proposta estética. Com composições originais de jazz no estilo big band, o jogo consegue criar uma ambientação sonora que mistura tensão e dinamismo na medida certa. As músicas acompanham bem o ritmo da ação, intensificando os combates e contribuindo para a imersão nos momentos mais investigativos.
Além disso, os efeitos sonoros seguem a mesma linha estilística, trazendo aquele exagero característico dos desenhos animados antigos. Cada disparo, explosão ou interação carrega um toque cartunesco que reforça a identidade do jogo sem comprometer a sensação de impacto durante o gameplay.
É um trabalho sonoro consistente, que ajuda a dar ainda mais personalidade à experiência.
Vale a pena?
MOUSE: P.I. For Hire é um jogo que conquista com facilidade nas primeiras horas e continua sendo interessante até o final, ainda que com algumas ressalvas. A direção de arte é excepcional, a trilha sonora é marcante e o gameplay, apesar de repetitivo em certos momentos, é sólido e bem executado.
No geral, MOUSE: P.I. For Hire é um jogo extremamente gostoso de jogar, de ouvir e de, ocasionalmente, apenas apreciar o trabalho técnico da equipe artística da Fumi Games. Existe um cuidado claro em entregar uma experiência com identidade própria, algo que se destaca em meio a tantos jogos que seguem fórmulas mais seguras.
Por outro lado, a repetitividade do loop de gameplay pode afastar alguns jogadores, especialmente aqueles que priorizam narrativa e variedade ao longo da campanha. Ainda assim, o jogo encontra seu público com facilidade, principalmente entre fãs de FPS clássicos e de propostas visuais mais ousadas.
No fim das contas, vale a pena embarcar nessa investigação, especialmente se você busca algo diferente e estiloso. Talvez não seja uma experiência perfeita do começo ao fim, mas é, sem dúvida, uma das mais interessantes em termos de identidade e direção artística nos últimos tempos.
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