O que o playtest de APOGEA nos ensina sobre desorganização e empatia
Entre sistemas vivos e servidores travados, onde o APOGEA se encontra agora?
Eu estive acompanhando o desenvolvimento de APOGEA, um novo MMORPG inspirado em clássicos como Tibia que ainda não tem data de lançamento, mas já pode ser testado de forma limitada. A fase atual do playtest traz reflexões muito interessantes sobre os desafios de equilibrar grandes ambições com a execução técnica, especialmente em um projeto de DNA brasileiro.
O jogo, que é distribuído pelo Trinitas, tem uma proposta muito robusta de ser um RPG de sobrevivência com um mundo dinâmico que reage às ações dos jogadores. O estúdio vem se posicionando como uma peça importante nesse ecossistema, buscando elevar o nível das produções nacionais com projetos que não devem nada em escopo aos títulos internacionais.
No entanto, como é comum em projetos desse porte, a experiência de teste tem enfrentado alguns gargalos importantes que valem a pena a gente analisar com calma. Afinal, todo problema também pode ser o fruto de uma futura solução.
As ambições e problemas de APOGEA
O ponto central parece ser a complexidade das camadas de sistema que os desenvolvedores brasileiros integraram. O game inclui clima dinâmico e uma robusta inteligência artificial das criaturas que migram, o que acaba exigindo muito do processamento.
Para quem consegue acessar, o desempenho em hardware médio ainda é um desafio considerável. A situação é compreensível para uma fase de desenvolvimento que prioriza a implementação de mecânicas complexas em vez da otimização final.
O extraordinário precisa de uma base técnica muito sólida para não ser silenciado por problemas de performance.
Existe uma visão criativa e uma bagagem cultural muito claras por parte da equipe, mas o momento agora pede um ajuste fino entre o que foi planejado no papel e o que a tecnologia atual permite rodar com fluidez para o grande público. É aquela velha história: às vezes, o extraordinário precisa de uma base técnica muito sólida para não ser silenciado por problemas de performance.
Erros que começam antes do gameplay
Outro ponto que tem gerado bastante conversa nas redes é o fluxo de acesso ao playtest, que ainda não está funcionando para toda a base de interessados. O sistema de cadastro e o envio de códigos parecem estar passando por uma fase de ajuste difícil, já que a integração entre o site da produtora e as APIs das plataformas de lançamento costuma apresentar instabilidades quando o volume de requisições é muito alto.
Isso acaba criando uma certa ansiedade na comunidade e, em vez de vermos discussões sobre o gameplay, boa parte do diálogo online acaba girando em torno de como conseguir a chave de acesso ou por que o código nunca chega ao e-mail. É um problema de infraestrutura que até grandes estúdios enfrentam, mas que impacta diretamente a percepção inicial de quem quer ajudar a testar o projeto de forma voluntária.
Essa trajetória do APOGEA lembra outros títulos que também buscaram entregar simulações profundas e precisaram de tempo para amadurecer. Jogos como o Eco ou o Vintage Story seguiram caminhos similares, optando por simplificações em certas áreas para garantir a estabilidade do sistema, enquanto nomes consolidados como Ark: Survival Evolved ou No Man’s Sky tiveram inícios marcados por essa mesma tensão entre a promessa de um mundo vasto e os limites reais da otimização.
Hora do aprendizado
O APOGEA está nesse estágio de fundação, onde a equipe do Trinitas precisa calibrar as prioridades e entender que o erro faz parte do processo de aprendizado de quem está estudando essas novas tecnologias pela primeira vez no cenário nacional. É normal que a sincronia dos servidores ou a física apresentem comportamentos inesperados; afinal, é para identificar esses pontos que o playtest existe.
Para que o projeto siga um caminho sustentável e não se torne apenas mais uma promessa atropelada pela própria escala, o próximo passo natural seria uma fase de estabilização do que já foi construído, focando no que funciona de forma consistente antes de ligar todos os sistemas complexos ao mesmo tempo. Resolver o gargalo na distribuição dos códigos e manter uma comunicação transparente com a comunidade ajudaria muito a alinhar as expectativas e acalmar os ânimos nas redes sociais.
O esforço de criar algo novo, sistêmico e feito totalmente no Brasil é extremamente válido e merece ser acompanhado de perto, pois o APOGEA tem potencial para ocupar um espaço relevante no gênero, desde que essa transição entre a ideia extraordinária e a jogabilidade prática seja gerida com o foco técnico necessário para o sucesso.
Após algumas horas de trabalho árduo, os devs lançaram uma atualização hoje - sábado, 17 de janeiro, e o jogo finalmente ficou acessível para todos. Ou não. Apesar de resolverem o problema do login, entrar no jogo está sendo o novo desafio da vez, pois ao clicar em Play Game, uma tela de load carrega e você retorna para a seleção de personagens.
Já no menu de criação de personagem, deu para notar que aparentemente teremos uma mensalidade no game. Compreensível, já que eles prometeram um jogo sem pay to win. Espero que cumpram com a promessa!
Ao clicarmos em desbloquear personagem, o link nos leva a página de compras da Steam, na qual o preço de $10 é cobrado. Creio que este valor não esteja regionalizado.
Traremos mais novidades, análises e comentários sobre o jogo em breve, quando todos os problemas de acesso forem resolvidos. Enquanto isso, fica a torcida para que o estúdio consiga usar o playtest para o seu real propósito: aprender e evoluir.





