A Capcom ao segundo semestre de 2026 embalada por um ótimo período para suas experiências single-player. Jogos como Pragmata e Resident Evil Requiem mostraram que a empresa continua disposta a investir em projetos diferentes e cheios de identidade.
Agora, Onimusha: Way of the Sword chega com uma missão um tanto mais complicada: ressuscitar uma franquia que estava adormecida desde Onimusha: Dawn of Dreams, lançado em 2006, e provar que ela ainda tem espaço em um mercado repleto de experiências de ação. A empresa aqueceu o caminho com algumas remasterizações, mas agora chegou a hora da prova final.
No entanto, depois de colocar as mãos no game, fica claro que o novo Onimusha vai além de simplesmente trazer um nome conhecido de volta às prateleiras. Afinal, a Capcom aproveitou a oportunidade para mostrar novamente aquilo que sabe fazer de melhor: criar games com personalidade.
Depois de acompanhar a jornada de Miyamoto Musashi pelas ruas de uma Quioto tomada pelo Miasma, fica claro que Way of the Sword entende muito bem o que precisa fazer para transformar um clássico do PlayStation 2 em uma aventura capaz de conversar com o público atual.
Ficha Técnica
Jogo: Onimusha: Way of the Sword
Lançamento: 4 de setembro de 2026
Desenvolvedora: Capcom
Onde jogar: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2
Plataforma de teste: Xbox Series X
Preço: A partir de R$ 299,90
Uma cópia do jogo para Xbox Series X foi cedida para a realização desta análise.
Uma história que sabe ser simples e interessante
Um dos principais acertos de Onimusha: Way of the Sword acontece antes mesmo de você começar a jogar, pois você não precisa conhecer nada da icônica saga. O título apresenta uma história original, sem depender dos acontecimentos dos games anteriores, o que torna a aventura bastante acessível para quem nunca teve contato com a franquia.
A trama acompanha Miyamoto Musashi, um jovem e impetuoso samurai que acaba envolvido em uma guerra contra os Genma, criaturas sobrenaturais que invadiram uma versão sombria da Quioto do período Edo. Ou seja, temos um samurai que busca por honra e glória caindo no meio de uma guerra que não era dele.
A premissa pode parecer familiar para quem já está acostumado com histórias de fantasia japonesa, mas o jogo consegue criar sua própria identidade graças principalmente ao design das criaturas e à forma como constrói seu universo. Em alguns momentos, os Genma trazem à memória animes como Jujutsu Kaisen, com monstros visualmente marcantes e conceitos sobrenaturais que ajudam a deixar cada encontro mais interessante.
A ambientação também merece muitos elogios, já que a representação de Quioto é um dos pontos altos da experiência, equilibrando a beleza histórica da cidade com o horror provocado pelo Miasma. Templos, santuários, ruas e construções tradicionais ajudam a criar um Japão fascinante, enquanto a corrupção sobrenatural transforma esses mesmos lugares em cenários muito mais ameaçadores.
E se existe alguém que rouba a cena durante essa jornada, esse alguém é o próprio Musashi, que rapidamente se estabelece como um dos protagonistas mais carismáticos que encontrei nos games deste ano. A personalidade impulsiva, as expressões faciais e a excelente animação fazem com que seja muito fácil acompanhar sua evolução, enquanto a escolha de Toshiro Mifune como referência visual para o personagem dá ainda mais peso à interpretação do lendário samurai.
Musashi é um dos protagonistas mais carismáticos do ano.
Para completar, Way of the Sword chega com dublagem completa em português brasileiro, algo que parece quase surreal quando lembramos que estamos falando de uma franquia que nasceu na época em que o PlayStation 2 ainda dominava as salas brasileiras. É um daqueles detalhes que ajudam a mostrar o quanto a indústria mudou nas últimas duas décadas e, mesmo com ressalvas sobre a qualidade de algumas interpretações, é ótimo ver a Capcom tratando o público brasileiro com esse cuidado.
Um combate bonito e divertido embala o gameplay
Na jogabilidade, Onimusha: Way of the Sword aposta em uma estrutura majoritariamente linear, mas não abre mão de áreas que podem ser exploradas e atividades opcionais espalhadas pelo caminho. A receita é bastante familiar para quem acompanha os jogos modernos da Capcom, misturando progressão direta, exploração pontual, recursos para aprimorar o personagem e combates que colocam bastante importância no domínio das ferramentas disponíveis.
O começo da aventura, inclusive, merece um destaque especial, pois consegue integrar os tutoriais à própria história sem transformar os primeiros minutos em uma sequência interminável de mensagens explicativas. A Capcom apresenta as mecânicas enquanto o jogador avança em um momento bem carismático, garantindo uma introdução divertida e dinâmica.
O combate é o grande destaque dessa estrutura, especialmente pela maneira como os golpes, defesas e contra-ataques se encaixam para criar uma sensação constante de impacto. Existe uma espécie de prazer em “farmar aura” durante os confrontos, acumulando recursos e aproveitando as oportunidades criadas pelas ações de Musashi — algo que pode lembrar a satisfação proporcionada por momentos de Devil May Cry 5.
A espada principal já oferece uma variedade considerável de movimentos e, além dos ataques comuns, a Manopla Oni permite absorver as almas dos inimigos e utilizar as chamadas Armas Oni. Essas habilidades especiais acrescentam novas possibilidades aos confrontos e também garantem alguns dos golpes visualmente mais bonitos do jogo, principalmente quando Musashi precisa enfrentar vários inimigos ao mesmo tempo.
Os movimentos são muito bem animados e cada ação transmite uma sensação de impacto que faz com que os combates sejam constantemente agradáveis de assistir e jogar. As lutas contra chefes são ainda melhores, funcionando como grandes espetáculos de espada em que observar os movimentos dos adversários e dominar os momentos certos para atacar pode transformar um confronto difícil em uma sequência extremamente satisfatória.
O problema aparece quando a novidade começa a passar
O principal problema de Onimusha: Way of the Sword surge justamente quando a surpresa das primeiras horas começa a diminuir e a estrutura do jogo passa a revelar algumas limitações. A experiência é divertida, mas existe uma repetição considerável de inimigos e situações, o que pesa especialmente em uma aventura que coloca tanto foco na leitura dos adversários e na execução precisa dos movimentos.
Depois de algumas horas, os confrontos contra inimigos comuns começam a perder parte do impacto porque o jogador já conhece boa parte dos padrões e sabe exatamente o que esperar. As lutas contra chefes continuam sendo excelentes, mas o caminho entre um grande duelo e outro nem sempre consegue manter o mesmo nível de interesse.
Ainda assim, o impacto desse problema depende bastante do ritmo de cada jogador, e acredito que Onimusha seja uma experiência que funciona melhor quando apreciada sem pressa. Se você cadenciar a aventura, explorar a Quioto corrompida aos poucos e não tentar transformar cada atividade opcional em uma obrigação, é possível aproveitar tranquilamente a viagem para esse Japão fantástico.
Um espetáculo no Xbox Series X
No Xbox Series X, Onimusha: Way of the Sword também entrega uma experiência visual bastante bonita, especialmente graças à construção dos cenários, ao design dos personagens e à qualidade das animações. A Capcom consegue utilizar muito bem a direção de arte para transformar Quioto em um lugar que alterna entre o deslumbrante e o ameaçador conforme a presença do Miasma toma conta da cidade.
Outro ponto interessante para quem está no ecossistema Xbox é o suporte ao Play Anywhere na versão da Microsoft Store. Isso permite acessar o jogo também no PC sem precisar comprar uma segunda cópia.
A possibilidade de jogar pela nuvem completa o pacote e dá bastante liberdade para continuar a aventura em diferentes lugares, algo especialmente interessante para uma experiência focada em uma campanha single-player. Por aqui, por exemplo, deu pra intercalar o gameplay na sala com uma jogatina direto do quarto, fazendo streaming do jogo no Steam Deck. A portabilidade é um detalhe, mas certamente pode fazer a diferença para quem tem uma rotina corrida.
Vale a pena jogar Onimusha: Way of the Sword?
Onimusha: Way of the Sword é mais um acerto da Capcom em um mercado cada vez mais cheio de experiências que parecem ter medo de arriscar. O jogo resgata um universo interessante e entrega um combate divertido, mostrando que a franquia ainda tem muito a oferecer.
Os problemas aparecem principalmente na repetição e na maneira como o ritmo pode cair depois das primeiras horas, mas eles não são suficientes para apagar o que funciona tão bem no restante da aventura. Para quem ainda tem dúvidas, vale baixar a demo grátis do jogo, disponível em todas as plataformas, que já mostra todos os pontos fortes do game sem você precisar gastar.
Considerando a atual fase da Capcom, não seria nenhuma surpresa se Way of the Sword acabasse funcionando como o primeiro passo para uma nova fase da franquia, que certamente faria sucesso e agradaria os novos e velhos fãs. Afinal, agora que o portão foi aberto, só nos resta esperar por mais batalhas demoníacas no futuro.
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