Desenvolvido pela Shapefarm e publicado pela Kepler Interactive, Orbitals chama atenção logo de cara por dois grandes motivos. O primeiro está em seu gameplay, que é obrigatoriamente em tela dividida, lembrando clássicos modernos como It Takes Two e Split Fiction.
Além disso, o jogo aposta em uma estética inspirada nos animes dos anos 1980, com cenas feitas à mão pelo Studio Massket, garantindo um visual único para toda a experiência. Em uma época em que somos constantemente bombardeados por produtos criados com inteligência artificial, existe algo especialmente bonito em encontrar uma obra que valoriza tanto o trabalho artesanal.
E isso não está apenas nas cutscenes. O visual bidimensional inspirado nos animes clássicos foi aplicado a um mundo tridimensional e funciona de maneira impressionante durante todo o gameplay.
Com isso, Orbitals não precisa de renders hiper-realistas para ser bonito: sua identidade visual é justamente o que faz cada cenário parecer especial, o que garante uma experiência única com o multiplayer local ou online em tela dividida.
Ficha Técnica
Jogo: Orbitals
Lançamento: 03/09/2026
Onde jogar: Nintendo Switch 2
Plataforma de teste: Nintendo Switch 2
Preço: A partir de R$ 169
O velho e o novo se encontram no meio da tormenta
Depois que sua estação espacial é despedaçada por uma tormenta cósmica, Maki e Omura precisam explorar o espaço em busca de recursos para proteger o que restou de seu lar e de sua família: uma tripulação de idosos fofinhos tentando sobreviver em uma órbita sobrenatural. Ao lado de seu parceiro, você visita lugares que um dia foram habitados e conhece os vestígios de uma civilização fantasma.
A relação entre os protagonistas jovens e a tripulação mais velha é um dos pontos que mais chamam atenção na narrativa. Maki e Omura representam a curiosidade diante do desconhecido, enquanto os personagens mais velhos carregam consigo experiências, perdas e receios que tornam a exploração do espaço muito mais complicada do que simplesmente descobrir novos lugares.
Conforme a dupla conhece diferentes formas de vida e encontra novas realidades, Orbitals constrói um contraste interessante entre aquilo que já conhecemos e aquilo que ainda estamos tentando compreender. Para a família que ficou para trás, a tormenta representa derrota, vergonha e medo. Para os protagonistas, o mesmo desconhecido também pode significar a possibilidade de um futuro diferente.
A história não transforma isso em um discurso simplista sobre oportunidades ou meritocracia. O foco está muito mais na resistência diante do que não podemos controlar e, principalmente, na capacidade de deixar algumas coisas para trás.
O jogo toca em temas como a fragilidade da vida, o envelhecimento, o medo do desconhecido e a dificuldade de lidar com a perda. É uma narrativa que consegue falar sobre luto sem transformar o assunto em um grande drama. Em vez disso, Orbitals encontra esperança justamente naquilo que ainda não conhecemos.
Se você já jogou It Takes Two, sabe o que esperar
Em termos de gameplay, Orbitals está bastante próximo da fórmula popularizada por jogos como It Takes Two e Split Fiction. Aqui, jogar acompanhado não é apenas uma possibilidade: a cooperação é essencial para avançar e zerar o jogo, que durou cerca de sete horas na jogatina por aqui.
Os desafios se dividem entre pequenos quebra-cabeças, segmentos de plataforma e confrontos a bordo da pequena nave dos protagonistas. Em determinados momentos, um jogador fica responsável por pilotar enquanto o outro cuida dos disparos. Em outros, cada personagem precisa utilizar suas próprias ferramentas para liberar o caminho.
E sim, trabalhar em equipe é obrigatório, mas tudo dentro dos seus termos. Aquela fase aparentemente simples que começa a consumir sua paciência rapidamente fica bem mais divertida quando você percebe que depende do seu parceiro para continuar.
Além disso, praticamente todas as fases permitem que você escolha qual equipamento ou função quer desempenhar. Só não vale terminar a sessão brigado — afinal, a tormenta cósmica já está causando problemas suficientes.
Minha maior dificuldade ficou justamente nas plataformas, que exigem um pouco mais de precisão do que eu gostaria. Ainda assim, os desafios são variados e o jogo apresenta novas ferramentas e situações ao longo da aventura, evitando que a experiência fique presa em uma única fórmula.
Uma aventura que termina antes de cansar
Para quem gosta bastante de quebra-cabeças, é possível terminar Orbitals desejando que a aventura tivesse algumas horas a mais. Por outro lado, existe um mérito justamente em saber quando parar.
A experiência funciona quase como uma minissérie que você consegue maratonar em um final de semana. O jogo apresenta suas ideias, desenvolve sua história e chega ao fim sem transformar a aventura em uma jornada interminável.
Não há uma revolução na fórmula cooperativa que coloque Orbitals muito à frente dos trabalhos da Hazelight Studios. A diferença está principalmente na maneira como essas mecânicas são apresentadas. O grande trunfo aqui é a combinação entre gameplay cooperativo, direção de arte e narrativa.
Um anime dos anos 1980 ganhou vida em 3D
Enquanto o gameplay em tela dividida funciona muito bem, existe outro fator que merece atenção máxima no jogo. Se existe um elemento capaz de fazer Orbitals se destacar imediatamente, é sua direção de arte.
O visual inspirado nos animes dos anos 1980 combina perfeitamente com a proposta espacial e sobrenatural. As cenas produzidas à mão pelo Studio Massket dão personalidade aos personagens e aos acontecimentos, enquanto os cenários tridimensionais conseguem manter a sensação de estar assistindo a uma animação clássica.
É uma escolha estética que poderia facilmente ser apenas um exercício de nostalgia, mas Orbitals vai além disso. O estilo visual conversa diretamente com os temas da história: passado e futuro, tradição e novidade, aquilo que deixamos para trás e aquilo que ainda estamos tentando descobrir.
Mesmo quando você já sabe que está olhando para um jogo, existe algo muito gostoso na sensação de estar acompanhando um anime jogável.
A trilha sonora não sai da cabeça
A ambientação sonora segue o mesmo caminho dos visuais e abraça completamente a estética retrô. A trilha sonora original combina com os momentos de exploração e com as situações mais emocionais, enquanto os efeitos sonoros ajudam a construir a sensação de estar viajando por esse espaço estranho e desconhecido.
Mas o maior elogio que posso fazer é simples: a música ficou na cabeça por dias. E quando uma trilha sonora consegue escapar da tela e continuar sendo cantarolada pela casa depois que você desligou o console, alguma coisa deu certo.
Outro ponto bastante positivo é a dublagem completa em português brasileiro. Em uma aventura tão focada nos personagens e na narrativa, ouvir tudo em nosso idioma ajuda a deixar a experiência mais natural e também reforça a sensação de acompanhar uma animação.
Cooperação sem barreiras no Switch 2
Vale destacar que Orbitals foi pensado para dois jogadores e oferece diferentes maneiras de compartilhar a aventura. É possível jogar no mesmo console em tela dividida, como fizemos por aqui, ou aproveitar os recursos online do Nintendo Switch 2, incluindo o GameShare e o Passe de Amigo Global.
Essa flexibilidade combina bastante com a proposta do jogo, permitindo que duas pessoas joguem apenas com uma cópia. Você pode transformar a aventura em um programa de fim de semana com alguém próximo ou jogar online com um parceiro que esteja longe.
No fim, a experiência funciona melhor quando existe comunicação entre os dois jogadores. Afinal, boa parte da graça está justamente naquele momento em que você precisa confiar que a outra pessoa vai apertar o botão certo — ou pelo menos tentar.
No entanto, independente de como você jogar, o título já garante um lugarzinho especial no panteão de experiências cooperativas da atualidade. Uma pena que o título é exclusivo do Switch 2, pois seria ótimo dividir essa experiência com ainda mais jogadores em outras plataformas.
Vale a pena jogar Orbitals?
Em termos de preço, Orbitals chega ao Nintendo Switch 2 por R$ 169, um valor abaixo do que estamos acostumados a encontrar em muitos lançamentos do console. Para a quantidade de horas oferecida, talvez eu ainda desejasse uma aventura um pouco mais longa, especialmente porque os quebra-cabeças deixam vontade de continuar.
Mas existe um detalhe importante: essa é uma experiência para duas pessoas. Quando o preço é dividido com seu parceiro de jogo, a conta fica mais interessante, e é difícil negar o charme de passar algumas horas explorando esse universo juntos.
Orbitals não tenta reinventar o gênero cooperativo. Ele pega uma fórmula que já conhecemos e encontra sua própria identidade por meio da direção de arte, da ambientação e de uma narrativa que trata de temas bastante humanos.
É um jogo sobre explorar o desconhecido, mas também sobre entender que nem tudo pode ser salvo e que seguir em frente, às vezes, significa aceitar aquilo que precisamos deixar para trás. Tudo isso embalado por uma estética de anime retrô, músicas que grudam na cabeça e uma aventura que sabe terminar antes de transformar a diversão em obrigação.
Para quem gosta de experiências cooperativas, especialmente fãs de It Takes Two e Split Fiction, Orbitals merece atenção. E, para quem procura um jogo que demonstre que tecnologia de ponta não é a única maneira de criar algo visualmente marcante, ele também funciona como um belo lembrete: às vezes, o que torna uma obra especial é justamente o toque humano por trás dela.







