Phil Spencer se aposenta do Xbox! Relembre a carreira do executivo da Microsoft
Responsável pela criação do Xbox Game Pass e outras mudanças, Phil Spencer marcou a história da família de consoles Xbox
Uma era está acabando na Xbox: Phil Spencer está se aposentando da Microsoft após 38 anos de casa — sendo 12 deles à frente da divisão de jogos. O executivo, que começou como estagiário em 1988 e virou o rosto mais reconhecível da marca Xbox, deixa oficialmente o cargo em 23 de fevereiro de 2026.
Mais do que um CEO engravatado, Spencer sempre foi visto como “um dos nossos”: jogador ativo, dono da gamertag P3 e presença constante em eventos e transmissões. Sua saída marca o fim de uma era para o Xbox — uma era de reconstrução, grandes aquisições, apostas ousadas e algumas fases turbulentas no meio do caminho.
De estagiário a líder global da Microsoft Gaming
A história de Spencer na Microsoft começa muito antes do primeiro Xbox existir. Ele entrou na empresa ainda jovem, trabalhando em produtos como a enciclopédia digital Microsoft Encarta e no desenvolvimento de softwares de produtividade como Microsoft Money. Nos corredores da empresa, já era conhecido por ser gamer assumido — dizem que partidas de Ultima Online rolavam até no expediente.
Com o lançamento do primeiro Xbox em 2001, Spencer migrou para a divisão de jogos. Ele trabalhou com estúdios europeus como Lionhead Studios e Rare antes de assumir cargos cada vez mais estratégicos dentro da então Microsoft Game Studios.
O grande ponto de virada veio em 2014, quando Satya Nadella o nomeou chefe da divisão Xbox. A missão não era simples: recuperar a confiança dos jogadores após o lançamento conturbado do Xbox One.
O “conserto” do Xbox e a reconstrução da marca
Ao assumir o comando, Spencer tomou decisões rápidas e simbólicas. A principal delas foi desatrelar o Kinect do pacote do Xbox One, reduzindo o preço do console e alinhando-o ao PlayStation 4.
Foi um gesto claro de que o foco voltaria a ser jogos — e não apenas experimentações tecnológicas. Durante sua gestão, algumas iniciativas se tornaram marcas registradas da estratégia Xbox, incluindo a criação e expansão do Xbox Game Pass, que se tornou o principal serviço de games da companhia.
Durante sua gestão, Phil Spencer implementou:
O retorno da retrocompatibilidade, resgatando clássicos de gerações anteriores;
A criação e expansão do Xbox Game Pass;
O lançamento do Xbox Adaptive Controller, ampliando a acessibilidade;
O fortalecimento do ecossistema Play Anywhere e do jogo em nuvem (xCloud);
A defesa aberta do cross-play entre plataformas.
Spencer também ampliou o foco no PC e passou a defender uma visão menos “console versus console” e mais “jogue onde quiser”. Para muitos fãs, ele ajudou a modernizar o pensamento estratégico da marca.
A era das aquisições bilionárias
Se existe um capítulo que define o legado de Phil Spencer, ele atende pelo nome de aquisições. Em 2020, a Microsoft comprou a ZeniMax Media por US$ 7,5 bilhões, incorporando estúdios como a Bethesda Game Studios e franquias como The Elder Scrolls e Fallout.
Mas o movimento mais impactante veio em 2022: a aquisição da Activision Blizzard por US$ 69 bilhões — uma das maiores negociações da história da indústria do entretenimento. O acordo colocou sob o guarda-chuva do Xbox franquias como Call of Duty, World of Warcraft e Diablo.
A estratégia buscava resolver uma crítica recorrente ao Xbox na geração anterior: a falta de jogos exclusivos de peso. Embora a política de exclusividade tenha se tornado mais flexível nos últimos anos, é inegável que Spencer expandiu o portfólio interno da Microsoft de forma agressiva.
Nova geração, desafios e turbulências
Sob sua liderança, o Xbox lançou o Xbox Series X e o Xbox Series S, apostando em uma estratégia de duas frentes: potência máxima de um lado e acessibilidade de preço do outro.
O início foi prejudicado por pandemia, escassez de componentes e um calendário irregular de lançamentos exclusivos. Nos anos seguintes, o serviço Game Pass se consolidou como peça central do ecossistema, mas aumentos de preço e oscilações nas vendas de hardware mostraram que nem tudo eram checkpoints dourados pelo caminho.
Nos anos recentes, os consoles da marca ficaram mais caros no Brasil, com o Xbox Series X praticamente sumindo do país. Com isso, o PS5 teve um terreno fértil para crescer no mercado nacional.
Aliado a isso, a Microsoft também deixou de lado a exclusividade para ganhar dinheiro em múltiplas plataformas, o que acabou rendendo críticas para Phil Spencer. Enquanto o executivo prometeu fortalecer o ecossistema Xbox após as aquisições de grandes empresas, ele apresentou a abertura dos jogos exclusivos com “apenas quatro títulos” chegando em outras plataformas.
No entanto, em poucos meses, todas as grandes franquias da Microsoft acabaram dando as caras no PS5, com títulos como Forza Horizon 5 se tornando sucesso de vendas no console rival. E a estratégia segue em 2026, com Halo Campaign Evolved e mais jogos já confirmados para PlayStation.
Enquanto as decisões tomadas no final de sua gestão foram polêmicas, uma coisa é certa: a marca Xbox nunca mais será a mesma. Em 23 de fevereiro, Asha Sharma assume como nova comandante da marca, prometendo “fazer o Xbox grande de novo”. Resta agora aguardar para ver como será sua gestão, já que ela não é gamer, mas tem bastante experiência como executiva.
O fim de uma era — e o começo de outra
Internamente, Phil Spencer era visto como alguém que defendia estúdios e desenvolvedores. Externamente, cultivou uma imagem rara entre executivos: a de líder acessível, que jogava, conversava e aparecia sem medo em transmissões ao vivo.
Com a aposentadoria de Phil Spencer, o Xbox entra em um novo capítulo. As mudanças estruturais na liderança e os próximos passos estratégicos ainda serão debatidos com mais profundidade em outra publicação aqui no Jornal, mas uma coisa é certa: a marca que ele deixa é bem diferente daquela que assumiu em 2014.
De estagiário apaixonado por games a comandante de uma das maiores divisões de entretenimento do planeta, Spencer encerra sua trajetória como uma das figuras mais influentes da história moderna da indústria. E, ao que tudo indica, agora poderá jogar tranquilo — sem precisar se preocupar com o próximo relatório trimestral.
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