Anunciado durante o The Game Awards do ano passado, Star Wars Galactic Racer chega com a proposta de reviver os jogos de corrida ambientados no universo de Star Wars. A franquia já teve títulos marcantes no gênero, como Star Wars: Episode I Racer e Star Wars Racer Revenge, lançados nas gerações do PlayStation 1 e PlayStation 2.
Desenvolvido pela Fuse Games, estúdio formado por ex-funcionários da Criterion, responsável pela franquia Burnout e por jogos recentes de Need for Speed, o título tem a missão de resgatar a magia das corridas arcade e, ao mesmo tempo, entregar uma boa experiência dentro do universo criado por George Lucas. Resta saber se essa combinação funciona na prática, então confira nossa review de Star Wars Galactic Racer.
Ficha Técnica
Jogo: Star Wars Galactic Racer
Lançamento: 06/10/2026
Onde Jogar: PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC
Plataforma de Teste: PC
Preço: R$ 229,90
A review foi feita com uma chave cedida pela Secret Mode.
A Necessidade de Velocidade
Desenvolvido por profissionais que trabalharam na Criterion, Star Wars Galactic Racer deixa suas inspirações em Burnout bastante evidentes logo nas primeiras corridas. Entre as principais mecânicas está o ramjet, uma espécie de turbo que aumenta a velocidade do veículo, mas exige cuidado: se for utilizado por tempo demais, pode fazer a máquina explodir.
Além dele, temos o pós-combustor, que funciona como um turbo convencional e permite ganhar velocidade sem o risco de destruir o próprio veículo. Essas mecânicas ajudam a construir uma experiência frenética, que exige atenção do jogador para equilibrar velocidade e controle durante as corridas.
O título também resgata algo que se tornou cada vez mais raro nos jogos de corrida modernos: uma sensação de velocidade realmente marcante. Você sente que está controlando uma máquina feita para correr, e a possibilidade de derrubar adversários ao colidir com eles reforça a inspiração em Burnout, cuja identidade sempre esteve bastante ligada à destruição veicular.
Embora Galactic Racer também permita destruir os veículos, o sistema é relativamente simples e não apresenta o nível de detalhamento que se poderia esperar dessa mecânica. Ainda assim, a possibilidade de causar danos aos adversários é bem-vinda, especialmente em um gênero no qual a destruição dos carros costuma ser limitada por questões relacionadas ao licenciamento e aos contratos com montadoras.
O design dos circuitos, por outro lado, é um dos aspectos mais irregulares do jogo. Em vários momentos, parece que os cenários foram construídos ativamente para acabar com a sua corrida, já que nem sempre é fácil identificar à distância quais caminhos estão realmente liberados para a passagem do veículo.
Essa dificuldade de leitura provoca colisões que parecem injustas, principalmente quando você está em alta velocidade e não tem tempo suficiente para reagir. Em outros modos, o problema não chega a comprometer tanto a diversão, mas se torna bastante incômodo na campanha, em que um erro desse tipo pode colocar todo o progresso em risco.
Uma Diversidade de Modos
Star Wars Galactic Racer é dividido em quatro modos principais: história, arcade, multiplayer e cenários. Na campanha, acompanhamos Shade, um piloto misterioso que busca vingança contra Kestar Bool, integrante da família Bool, e decide participar de um circuito conhecido como Liga Galáctica para acertar as contas com seu rival.
A trama funciona mais como uma justificativa para as corridas do que como uma narrativa particularmente profunda. Embora a história cumpra seu papel de contextualizar a jornada, é o gameplay que sustenta a experiência, especialmente porque a campanha adota uma estrutura roguelite baseada em tentativas sucessivas.
O modo história é dividido em três atos, cada um com um número determinado de planetas e corridas que precisam ser concluídos. Durante cada ato, o jogador recebe uma ficha da Liga, que funciona como uma espécie de vida dentro do torneio, e perder todas elas significa voltar ao início do capítulo.
As fichas podem ser perdidas quando o veículo sofre danos excessivos, algo que se torna especialmente irritante diante dos problemas de leitura dos cenários. Felizmente, isso não acontece com tanta frequência quanto poderia, mas também é possível perder fichas ao não cumprir os objetivos de determinadas corridas, que exigem uma vitória ou, pelo menos, uma colocação entre os três primeiros.
Por outro lado, a campanha oferece uma boa liberdade na escolha das rotas, permitindo que você decida quais corridas enfrentar e se prefere caminhos mais fáceis ou mais difíceis. Essa flexibilidade ajuda a dar alguma variedade à progressão, embora não seja suficiente para compensar todos os problemas da estrutura roguelite.
Não pense, porém, que a campanha será um passeio tranquilo pela galáxia. Em alguns momentos, especialmente no fim dos atos, a experiência se torna bastante impiedosa por causa da inteligência artificial desbalanceada, que apresenta um dos casos mais frustrantes de rubberbanding que já encontrei em um jogo de corrida.
Para quem não conhece o termo, rubberbanding é uma mecânica na qual os adversários controlados pela inteligência artificial ajustam seu desempenho para acompanhar o jogador, mesmo quando isso significa ganhar velocidade de maneira pouco natural. Em Galactic Racer, o problema não costuma atrapalhar tanto nas corridas comuns, nas quais nem sempre é necessário vencer, mas se torna muito mais evidente nas disputas contra os chefes que encerram cada ato.
Nessas corridas, os adversários parecem contar com uma vantagem exagerada, tornando algumas vitórias injustas e obrigando o jogador a reiniciar o ato diversas vezes até conseguir avançar. A sensação é de que o resultado depende menos da habilidade desenvolvida ao longo da campanha e mais de encontrar uma tentativa na qual a inteligência artificial não abuse tanto dessa vantagem.
O sistema roguelite também está diretamente ligado às melhorias dos veículos, já que reiniciar um capítulo permite aprimorar suas máquinas e aumentar as chances de sucesso nas próximas tentativas. Entre as opções estão o skim speeder, que oferece um equilíbrio entre velocidade e controle; o landspeeder, com melhor dirigibilidade, mas menor velocidade; e a speeder bike, que prioriza a velocidade em troca de menos controle e resistência.
Apesar de essas diferenças ajudarem a definir estilos de pilotagem, o sistema de progressão não parece combinar muito bem com a proposta frenética das corridas. Em vez de acrescentar variedade de maneira consistente, as melhorias acabam transmitindo a impressão de que a estrutura roguelite existe mais para prolongar artificialmente a campanha do que para enriquecer a experiência.
O modo arcade, felizmente, oferece uma alternativa mais direta para quem quer aproveitar as corridas sem lidar com essas complicações. Ele mantém várias semelhanças com a campanha, mas deixa de lado os elementos roguelite e utiliza veículos predefinidos, proporcionando uma experiência mais focada na diversão e também uma boa oportunidade para treinar nos circuitos.
Já o multiplayer permite disputar corridas contra outros jogadores, mas meus testes foram marcados pela presença frequente de bots nas partidas. Com isso, o modo acaba reproduzindo parte dos problemas encontrados na campanha, especialmente o rubberbanding excessivo, o que prejudica a experiência de quem procura disputas mais competitivas.
Por fim, o modo cenários oferece conteúdo adicional para quem deseja continuar jogando depois da campanha. Nele, utilizamos outros personagens em sequências de quatro corridas, que terminam em uma disputa eliminatória, enquanto o desbloqueio desses pilotos depende dos estilos de corrida obtidos durante a história, que também influenciam a maneira de jogar.
Bons Visuais e Sons
Visualmente, Star Wars Galactic Racer é um dos seus pontos mais fortes, com cenários, veículos e efeitos gráficos que ajudam a dar vida às corridas. Os circuitos apresentam uma boa variedade de biomas, incluindo os desertos de Jakku e o mundo gelado de Ando Prime, aproveitando a ambientação de Star Wars para construir pistas visualmente distintas e integradas à experiência de pilotagem.
Outro aspecto positivo é o desempenho no PC, onde o jogo consegue manter 60 fps durante as corridas com as configurações gráficas no alto. Existem algumas quedas de desempenho nas sequências em terceira pessoa, mas elas não chegam a comprometer a experiência de maneira significativa, demonstrando um bom trabalho de otimização no geral.
O problema fica por conta dos stutterings, aquelas pequenas travadas que interrompem momentaneamente a fluidez da imagem e que continuam sendo um incômodo recorrente em jogos desenvolvidos na Unreal Engine 5. Embora não comprometam completamente a experiência, essas interrupções atrapalham o que poderia ser um desempenho quase excelente.
Na parte sonora, o jogo também entrega um trabalho competente, especialmente no desenho de som dos veículos. Os motores, os turbos, as habilidades especiais e as explosões contribuem para transmitir a sensação de velocidade, reforçando a intensidade das corridas e ajudando a tornar cada disputa mais envolvente.
Infelizmente, a experiência sonora também apresenta um problema técnico bastante inconveniente: em algumas ocasiões, o jogo inicia completamente sem áudio. Durante meus testes, foi necessário reiniciá-lo diversas vezes para que o som voltasse a funcionar, uma falha que prejudica a imersão e precisa ser corrigida.
Vale a Pena comprar Star Wars Galactic Racer?
Star Wars Galactic Racer acerta em vários aspectos importantes, com visuais impressionantes, uma jogabilidade satisfatória, bom desenho de som e desempenho sólido na maior parte do tempo. No entanto, a campanha frustrante, a inteligência artificial desbalanceada e um sistema roguelite que não combina tão bem com a proposta das corridas impedem que o jogo alcance todo o seu potencial.
A recomendação depende bastante do que você procura em um jogo de corrida. Se a ideia é encontrar uma experiência casual para relaxar e reviver a diversão dos antigos jogos de corrida de Star Wars, a campanha pode acabar sendo uma grande decepção, embora o modo arcade ofereça uma alternativa mais interessante para aproveitar as pistas sem tanta dor de cabeça.
Por outro lado, se você tem bastante paciência e está acostumado com jogos de corrida exigentes, como Midnight Club 2, talvez consiga encontrar diversão no desafio oferecido por Galactic Racer. Ainda assim, é difícil recomendar a compra pelo preço de lançamento, principalmente porque boa parte da frustração não vem da dificuldade natural das corridas, mas de decisões de design que nem sempre parecem justas com o jogador.
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