Quando joguei The Witcher 3 pela primeira vez, há cerca de 10 anos, o jogo já deixava claro que havia algo especial naquela aventura de Geralt de Rívia, tanto que o RPG da CD Projekt Red acumulou mais de 250 prêmios de Jogo do Ano e ultrapassou a marca de 65 milhões de cópias vendidas mundialmente. Mesmo depois de todo esse tempo, a jornada sob a sela de Carpeado continua sendo uma das experiências mais marcantes do gênero, especialmente pela combinação entre narrativa, exploração e liberdade de escolha.
A CD Projekt Red, no entanto, nunca tratou The Witcher 3 como um produto que deveria simplesmente ser deixado para trás depois do lançamento. Afinal, o estúdio continuou trabalhando no game, lançou duas expansões enormes e adicionou recursos que ajudaram a manter a comunidade ativa por anos.
Agora, The Witcher 3: Wild Hunt — Remastered chega com uma nova rodada de melhorias que moderniza diferentes partes da aventura. Não só isso, a atualização gratuita prepara o terreno para o futuro da franquia, incluindo a expansão Songs of the Past, prevista para 2027.
Além de atualizar o jogo para hardwares mais modernos, a remasterização também marca a chegada de uma versão específica para Nintendo Switch 2, com recursos próprios do console e melhorias consideráveis em relação à edição original para Switch. Foi justamente nessa plataforma que testamos a nova versão e, depois de algumas horas novamente ao lado de Geralt, uma coisa ficou bastante clara: mais do que uma simples atualização visual, The Witcher 3 Remastered é uma aula de como manter um jogo single-player relevante por uma década.
Ficha técnica
Jogo: The Witcher 3: Wild Hunt — Remastered
Lançamento: 29 de setembro de 2026
Onde jogar: PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2
Plataforma de teste: Nintendo Switch 2
Preço: A partir de R$ 80 (com 50% de desconto no lançamento)
Uma atualização grátis repleta de melhorias
A ideia de The Witcher 3 Remastered não é reinventar completamente a aventura de Geralt, mas modernizar aspectos que ficaram para trás enquanto os jogos evoluíram ao longo dos últimos anos. Para quem já conhece o RPG, algumas mudanças parecem pequenas isoladamente, mas o conjunto ajuda a tornar a experiência mais confortável, dinâmica e preparada para o hardware atual.
Entre as principais novidades e melhorias estão:
Novo sistema de habilidades: a árvore de habilidades foi completamente reformulada, oferecendo novas possibilidades de desenvolvimento e mais impacto das escolhas sobre o estilo de jogo. A mudança deixa a progressão mais flexível e aproxima o sistema das expectativas atuais para um RPG de ação.
Combate reformulado: novas animações, finalizações, câmera adaptativa e ajustes de responsividade deixam as lutas mais dinâmicas. Os cinco sinais de bruxo — Aard, Igni, Yrden, Quen e Axii — também receberam efeitos visuais renovados.
Inimigos mais reativos: comportamentos de monstros foram atualizados para tornar encontros que antes podiam parecer automáticos mais interessantes. Criaturas como lobos e afogadores agora apresentam reações que ajudam a deixar os confrontos menos previsíveis.
Visual e desempenho aprimorados: texturas, vegetação, iluminação, renderização e outros elementos receberam melhorias, enquanto versões específicas das plataformas mais potentes aproveitam recursos gráficos avançados. No PC, por exemplo, a remasterização conta até mesmo com suporte a Path Tracing.
Animações e exploração: Geralt e Roach ganharam novas animações, deixando deslocamento e travessia pelo mundo mais fluidos. Os Sentidos de Bruxo também foram retrabalhados para tornar a investigação de pistas mais natural e imersiva.
Qualidade de vida: a interface foi atualizada, menus receberam melhorias e a transmogrificação permite alterar a aparência de armas e armaduras sem abrir mão dos atributos dos equipamentos. O Photo Mode também foi expandido para quem gosta de transformar o Continente em cenário para suas próprias fotos.
Tudo isso chega como uma atualização gratuita para quem já possui The Witcher 3 nas plataformas compatíveis, reforçando a ideia de que a CD Projekt Red quer modernizar a experiência sem obrigar quem já comprou o jogo a pagar novamente. A atualização também prepara o terreno para Songs of the Past, nova expansão prevista para 2027, que colocará Geralt ao lado de Dandelion em uma aventura pela região inédita de Letten, incluindo conexões com o aguardado Witcher 4.
O que muda na versão de Switch 2?
No Nintendo Switch 2, a remasterização ganha algumas ferramentas que não estão disponíveis da mesma maneira nas outras plataformas, principalmente graças aos recursos específicos do console. Logo ao abrir o game no dispositivo, uma série de telas explicando as novidades já aparece.
Os controles por movimento permitem lançar sinais, disparar a besta, arremessar bombas, beber poções e até controlar a velocidade de Carpeado, enquanto a tela touch facilita o controle do mapa. Já o giroscópio pode ser usado para aumentar a precisão durante o combate com movimentos de câemera.
Na prática, algumas dessas funções são mais interessantes do que outras e podem exigir um período de adaptação, especialmente quando a movimentação é usada para controlar a câmera. Lançar um sinal ou disparar uma flecha movimentando o controle é uma experiência diferente e divertida, mas a tentativa de adaptar a câmera para os movimentos pode acabar sendo menos confortável dependendo da situação.
Os controles por movimento permitem lançar sinais, disparar a besta, arremessar bombas, beber poções e até controlar a velocidade de Carpeado
Por outro lado, controlar Carpeado com os Joy-Con é uma das implementações que mais gostei durante os testes, já que a movimentação funciona de maneira intuitiva e combina bem com a exploração do enorme mapa. O Switch 2 também permite usar controles de mouse e aproveitar a tela sensível ao toque para navegar pelos menus, consultar o mapa e até jogar Gwent de uma maneira diferente.
Portabilidade do Switch 2 é destaque
O grande destaque, porém, está na possibilidade de levar uma versão moderna de The Witcher 3 para qualquer lugar no modo portátil. O visual não chega ao mesmo nível das versões destinadas a PCs e consoles mais potentes, naturalmente, mas o salto em relação ao primeiro Switch é bastante perceptível e mostra o quanto o novo hardware consegue fazer com um jogo dessa escala.
No modo dock, o Switch 2 consegue extrair ainda mais da experiência, enquanto a possibilidade de jogar no portátil transforma o RPG em uma opção especialmente conveniente para quem gosta de avançar aos poucos ou simplesmente quer carregar o Continente no bolso. A TV está ocupada ou teve que sair de casa? É só desconectar o console e seguir o gameplay de onde parou.
Só existe um detalhe importante para quem pretende jogar fora de casa: assim como aconteceu com Cyberpunk 2077, esta versão não esconde o conteúdo adulto do jogo, então é bom prestar atenção ao ambiente antes de deixar os NPCs sairem por aí balançando outras coisas além da espada de Geralt.
Durante o período de testes, encontrei apenas uma limitação relacionada ao idioma, já que não consegui baixar o pacote de dublagem em português do Brasil, que considero uma opção de alta qualidade. A expectativa é que esse problema seja corrigido após o lançamento oficial, especialmente porque o idioma está previsto entre as opções de voz disponíveis na versão final.
A verdadeira aula da CD Projekt Red
Mais do que as melhorias técnicas, The Witcher 3 Remastered chama atenção pela maneira como a CD Projekt Red escolheu tratar um jogo lançado originalmente em 2015. Em vez de simplesmente colocar uma nova edição nas lojas e encerrar o assunto, o estúdio manteve o título recebendo suporte durante anos e agora entrega uma atualização robusta sem cobrar novamente de quem já possui o game nas plataformas elegíveis.
Essa postura fica ainda mais interessante quando lembramos de outros recursos adicionados ao longo do tempo, como suporte a mods e cross-save. Pode parecer detalhe para quem olha de fora, mas poder continuar uma aventura em outra plataforma sem precisar começar tudo novamente dá ao jogador uma liberdade enorme e mostra que a experiência foi pensada para sobreviver às mudanças de hardware.
Durante os nossos testes, por exemplo, conseguimos continuar na versão de Switch uma partida iniciada no PC e, posteriormente, outra que vinha do Xbox, tudo funcionando de maneira bastante tranquila. É justamente esse tipo de recurso que ajuda a transformar um jogo antigo em algo que continua fazendo sentido para quem está jogando hoje.
Existe aí uma tendência interessante no mercado de games, que é apostar na chamada longevidade ou long tail em vez de tratar cada lançamento como um produto que precisa ser imediatamente substituído pelo próximo. A CD Projekt Red parece entender que um single-player pode continuar encontrando novos jogadores, receber conteúdo adicional e construir uma comunidade fiel durante muitos anos.
A melhor parte é que exemplos recentes como Crimson Desert também mostram que existe espaço para experiências desse tipo. No fim das contas, não é necessário reinventar a roda para manter um jogo vivo por uma década, mas é preciso continuar trabalhando nele e, principalmente, respeitar quem já está jogando.
The Witcher 3 Remastered mostra que atualizações de qualidade, novos conteúdos e liberdade para o jogador podem fazer um clássico continuar crescendo mesmo quando já deveria estar descansando na estante.
Vale a pena jogar The Witcher 3 Remastered?
A versão de Nintendo Switch 2 é uma ótima maneira de revisitar The Witcher 3 e, principalmente, de experimentar a aventura pela primeira vez em um portátil que consegue entregar uma experiência muito mais próxima das versões de consoles atuais. O modo portátil é o grande trunfo dessa edição, enquanto os novos controles por movimento funcionam melhor como complemento do que como motivo principal para jogar dessa maneira.
The Witcher 3 Remastered mostra como um jogo single-player pode continuar relevante muito depois de seu lançamento original.
No momento do lançamento, a CD Projekt Red também colocou o jogo completo com 50% de desconto nas plataformas, chegando a R$ 80, o que torna a entrada no universo de Geralt especialmente interessante para quem ainda não teve contato com a aventura. Para quem já possui The Witcher 3 em uma plataforma compatível, a atualização gratuita torna a decisão ainda mais simples, já que praticamente não existe motivo para deixar de experimentar as melhorias.
Mais importante do que ser uma nova versão de um dos RPGs mais premiados da história, The Witcher 3 Remastered mostra como um jogo single-player pode continuar relevante muito depois de seu lançamento original. Se existe uma lição para outras desenvolvedoras, talvez seja justamente essa: quando um jogo é tratado com cuidado, escutando sua comunidade e recebendo melhorias que realmente agregam à experiência, ele não precisa ser substituído para continuar vivo — basta continuar tendo boas histórias para contar.
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