Em tempos anteriores, havia uma grande quantidade de títulos licenciados de múltiplas franquias. Uma delas, 007, ficou marcada no mundo dos jogos por GoldenEye, para o Nintendo 64, jogo baseado no filme de mesmo nome. Após esse título, a EA Games adquiriu os direitos para os jogos da franquia, lançando títulos baseados nos filmes seguintes da era Brosnan, como Tomorrow Never Dies, para PS1, e The World Is Not Enough, para PS1 e Nintendo 64.
Durante a geração seguinte de consoles, surgiu uma nova leva de clássicos para a franquia, como Agent Under Fire, Nightfire, Everything or Nothing e From Russia with Love, todos lançados para as plataformas da época, como PlayStation 2, Xbox e GameCube.
Everything or Nothing foi desenvolvido pela EA Redwood Shores, o estúdio que posteriormente se tornaria a Visceral Games, responsável pela franquia Dead Space. E antes de 007 First Light brilhar no mundo dos games, esse clássico com James Bond já ajudou a moldar vários padrões dos games de ação.
Ficha Técnica
Jogo: 007: Everything or Nothing
Lançamento: 17/02/2004
Desenvolvedora: EA Redwood Shores
Onde Jogar: PlayStation 2, Xbox, Nintendo GameCube e Nintendo Game Boy Advance
Plataforma de Teste: PlayStation 2
Produção de ponta para a época
Everything or Nothing traz de volta Pierce Brosnan no papel principal. No jogo anterior, Nightfire, o ator apenas emprestava seu rosto ao personagem. Além de Brosnan, também retornam Judi Dench, no papel de M, e John Cleese, como Q.
Além dos atores que retornaram, o jogo traz também caras novas, como o ator Willem Dafoe, que interpreta o vilão principal da trama, e Heidi Klum e Shannon Elizabeth, como as Bond Girls do jogo.
Com um elenco de peso, dá para perceber que não pouparam gastos com a produção. O título utiliza a tecnologia Cyberware para escanear os atores, além da contratação do roteirista Bruce Feirstein, responsável pelos roteiros dos filmes GoldenEye e O Amanhã Nunca Morre, para escrever a história do jogo.
História Cinematográfica
A história gira em torno de Bond, que precisa impedir o vilão Nikolai Diavolo (Willem Dafoe) de lançar ogivas cheias de nanorrobôs capazes de destruir metal ao redor do mundo. A trama, apesar de simples, é muito eficaz. Ela passa a sensação de se estar jogando um filme do James Bond, trazendo uma trama mundial típica do personagem.
A história tem de tudo, desde o retorno do clássico vilão Jaws, vivido por Richard Kiel, que marca sua primeira aparição desde o filme 007: Contra o Foguete da Morte, de 1979, estrelado por Roger Moore, até as clássicas Bond Girls.
Aliás, a presença de Jaws não é a única ligação com versões anteriores do personagem. Também é dito que o vilão principal do jogo foi aprendiz de Max Zorin, vilão de 007: Na Mira dos Assassinos, também estrelado por Roger Moore. Dessa forma, o jogo estabelece uma ligação entre as versões de Bond interpretadas por diferentes atores.
O roteiro de Bruce Feirstein, apesar de simples, consegue manter bastante da essência da franquia, passando a mesma intensidade que os filmes possuem. Muito disso se deve à experiência de Feirstein com a série.
Combate Frenético
O jogo se inicia com uma venda de armas, que é interrompida por Bond, levando a um conflito entre duas forças inimigas. Esse momento funciona como o tutorial do jogo, no qual somos introduzidos à sua gameplay.
Nesse começo, somos apresentados às mecânicas de combate, como a utilização de cobertura, a mira automática, padrão dos jogos da época, e o combate corpo a corpo. O combate é bem direto ao ponto, com um sistema de tiroteios que incentiva o movimento, e não apenas a utilização de cobertura, como viria a se tornar padrão na era do Xbox 360, que viria a seguir.
O sistema de mira automática, hoje, pode parecer um tanto datado. Porém, funciona muito bem, de maneira rápida e dinâmica. Apesar disso, algumas vezes não funciona como deveria, havendo momentos em que a mira vai para inimigos mais distantes, causando algumas mortes injustas.
O combate corpo a corpo é uma novidade que ajuda a variar o gameplay, principalmente em momentos nos quais o jogador está desarmado e precisa recuperar munição de maneira rápida. O sistema de combate corpo a corpo é bem detalhado, possuindo uma ampla gama de animações variadas para as combinações de golpes.
Mas não é só de tiroteio e pancadaria que vive esse jogo. A aventura também apresenta sessões de veículos, nas quais Bond opera desde carros até tanques de guerra. Essa parte possui bastante similaridade com a icônica cena em que Bond pilota um tanque pelas ruas de Moscou em GoldenEye.
Os trechos de veículos se dividem entre perseguições e missões mais abertas, nas quais Bond precisa chegar ao seu objetivo. Essas partes guardam uma grande semelhança visual e de gameplay com Need for Speed.
Grande parte disso se deve ao fato de o jogo ter sido feito na mesma engine de Need for Speed: Porsche Unleashed. Além disso, essas partes do jogo ficaram sob a responsabilidade da mesma equipe dos jogos de corrida, conseguindo passar uma ótima sensação de velocidade e uma direção satisfatória, inclusive em um trecho de corrida que o jogo possui.
Essas diversas mecânicas que o jogo apresenta contribuem para que ele não se torne repetitivo, tornando-se exatamente o oposto disso: uma experiência variada e muito divertida.
A Música de 007
Um dos maiores pontos fortes de Everything or Nothing é sua trilha sonora, composta por Sean Callery, compositor das séries 24 Horas e Jessica Jones, trabalhos que lhe renderam Emmys.
Callery decide incorporar elementos musicais clássicos da franquia, como trilhas orquestrais mais tradicionais, e juntá-los a elementos musicais que estavam na moda na época, como o forte uso de guitarras elétricas em alguns temas.
Um exemplo é a versão do tema clássico da franquia no jogo, que toca nos menus e na fase de corrida. Outro elemento popular da época que Callery implementa é a utilização de música eletrônica, especialmente em algumas missões que envolvem perseguições.
A trilha do jogo consegue ser extremamente memorável, elevando certas missões, como Death of an Agent, em que confere um tom épico para a parte inicial da missão, ou Ambush, na qual consegue passar uma forte sensação de caos.
Além da trilha geral do jogo, temos o tema principal, cantado pela cantora Mýa, que inclusive aparece no jogo como a agente da NSA Mya Sterling.
O tema de Mýa é muito bem produzido, seguindo uma direção voltada para a música eletrônica, com um belíssimo vocal, o que faz com que a faixa seja uma das mais memoráveis do jogo.
Vale a pena revisitar 007 Everything or Nothing?
007: Everything or Nothing é um dos maiores exemplos de como adaptar uma franquia famosa para o mundo dos games. Sendo a despedida de Brosnan no papel, o jogo consegue traduzir com perfeição a ação dos filmes para os videogames, entregando uma experiência divertida e de primor técnico.
Mesmo sendo lançado em 2004, o título ainda consegue garantir diversão, com alguns pontos que mostram a idade, obviamente. Ainda assim, Everything or Nothing é um dos melhores títulos licenciados já feitos e, com certeza, vale a pena revisitar.
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