A essa altura, falar que um novo Call of Duty será lançado é quase como anunciar que o Natal está chegando: todo mundo já sabe, mas ainda assim existe uma certa curiosidade para descobrir o que a franquia preparou desta vez. Call of Duty: Modern Warfare 4 chega em outubro pelas mãos da Infinity Ward e, antes do lançamento, o Jornal dos Jogos conseguiu testar o primeiro fim de semana do Beta.
A prévia liberada aos jogadores coloca na mesa uma missão da campanha e uma seleção de conteúdos do multiplayer, permitindo ter uma primeira impressão de duas das principais pernas da experiência. E, pelo que foi possível conferir, Modern Warfare 4 não parece interessado em reinventar a roda. Em vez disso, a aposta está em fazer com que ela gire cada vez melhor, fazendo com que os jogadores esqueçam do gosto amargo deixado pelo último título da série.
Uma campanha que parece ter aprendido com os erros do passado
A missão de campanha disponível no Beta coloca o jogador em meio à guerra moderna na Coreia e já deixa claro que a Infinity Ward quer uma abordagem mais próxima do chão. Depois de um Black Ops 7 que não teve exatamente medo de viajar na maionese com sua narrativa, Modern Warfare 4 parece fazer o caminho contrário.
A história apresentada até aqui é mais pé no chão e aposta em situações que parecem plausíveis dentro da proposta de uma franquia de guerra. As atuações também ajudam bastante, com personagens que conseguem transmitir a tensão das situações sem transformar cada cena em uma novela militar.
O mais interessante, porém, é a variedade do gameplay. A missão testada alterna entre tiroteios, momentos envolvendo tanques e combates em trincheiras, antes de colocar o jogador em uma sequência de movimentação que parece saída de um Dying Light, com parkour e travessias mais verticais.
Essa variedade faz a campanha parecer mais próxima do que vimos recentemente em Battlefield 6: uma experiência que quer entregar espetáculo, mas sem esquecer que ainda estamos falando de um jogo de tiro, e não zumbis. É cedo para dizer se isso vai se sustentar durante toda a campanha, mas pelo menos a primeira amostra mostra uma direção bem mais consistente.
O multiplayer de Modern Warfare 4 não quer reinventar a fórmula
Se existe uma palavra que resume o multiplayer de Modern Warfare 4, ela é consistência. A estrutura continua bastante familiar para quem acompanha Call of Duty, com partidas rápidas, movimentação ágil e aquele ciclo perigosamente viciante de “só mais uma partida” que já fez muita gente perder algumas horas de sono.
A Infinity Ward, porém, fez algumas mudanças interessantes no funcionamento desse combate. A movimentação foi refinada para permitir que ações diferentes sejam encadeadas com mais naturalidade. É possível, por exemplo, saltar um obstáculo e imediatamente deslizar, preservar o impulso durante a travessia e até usar movimentos mais baixos para continuar avançando sob cobertura.
Na prática, isso deixa o deslocamento mais fluido sem transformar o jogador em uma gazela militar voadora. O resultado continua sendo o Call of Duty rápido que os fãs conhecem, mas com transições mais naturais e maior controle durante movimentos como saltos, escaladas e deslizes.
O tiroteio também recebeu uma atenção especial. A dispersão aleatória dos disparos livres foi removida, fazendo com que os tiros sigam de maneira mais direta para onde a arma está apontada. Recuo, oscilação e movimentação continuam interferindo na precisão, mas a intenção é tornar o resultado mais dependente da habilidade do jogador do que de uma aleatoriedade escondida.
É uma mudança que pode parecer pequena no papel, mas ajuda a reforçar aquela sensação importante em um jogo competitivo: quando você erra, sabe que errou porque fez alguma coisa errada.
O sistema de classes está mais limpo
Talvez a mudança mais agradável do multiplayer esteja no sistema de criação de classes. Modern Warfare 4 mantém uma quantidade enorme de possibilidades de personalização, mas apresenta tudo de maneira mais organizada.
Operadores e Séries de Baixas agora ficam integrados diretamente aos armamentos, permitindo montar classes pensando em funções específicas. As Vantagens também retornam em uma estrutura mais simples, com a escolha de três opções, enquanto ferramentas como o Artilheiro podem ajudar jogadores menos experientes a encontrar configurações eficientes sem precisar passar meia hora encarando menus.
Isso é particularmente interessante porque Call of Duty já acumulou tantas armas, acessórios, vantagens e equipamentos ao longo dos anos que montar uma classe pode facilmente parecer mais trabalhoso do que a própria partida. Aqui, a ideia parece ser manter a profundidade sem transformar a personalização em um curso técnico.
E profundidade não parece faltar. A versão completa terá 33 armas, mais de 500 acessórios convencionais, Superacessórios, equipamentos táticos e letais, Melhorias de Campo, Vantagens e Séries de Baixas. No Beta, uma parte desse arsenal já está disponível para experimentar.
Mapas variados e um modo que muda durante a partida
Os mapas disponíveis no Beta também ajudam a manter a experiência variada. Os seis cenários principais liberados passam por ambientes como um terminal ferroviário francês, uma refinaria de lítio no México, um vilarejo de pescadores na Coreia, telhados cobertos de neve em Nova York e áreas urbanas da Índia.
Essa variedade não está apenas no visual. Cada mapa apresenta rotas, coberturas e possibilidades de movimentação diferentes, ajudando a evitar aquela sensação de que você está jogando a mesma partida em seis lugares diferentes.
O destaque fica para o Kill Block, uma espécie de campo de treinamento modular que se reorganiza entre as rodadas. As áreas podem assumir diferentes configurações, alterando linhas de visão, rotas e posições de cobertura.
É uma ideia interessante justamente porque mexe com uma das coisas mais importantes de um mapa competitivo: o conhecimento do terreno. Decorar cada esquina continua sendo útil, mas o jogo pode exigir que você repense sua estratégia quando o cenário muda.
Modern Warfare 4 parece ter encontrado seu lugar
Depois de alguns anos em que Call of Duty tentou encontrar diferentes caminhos para manter a fórmula interessante, Modern Warfare 4 passa uma impressão curiosa: talvez a franquia tenha finalmente chegado ao ponto em que não precisa mais se esforçar tanto para provar que consegue inovar.
Pelo que deu pra jogar no primeiro beta, o gameparece redondo. A campanha entrega uma primeira impressão mais consistente, enquanto o multiplayer mantém aquilo que tornou a franquia tão popular e adiciona refinamentos que deixam a experiência mais fluida e organizada.
Isso não significa que Modern Warfare 4 seja necessariamente revolucionário. Pelo contrário, talvez seu maior problema seja justamente esse. Call of Duty já percorreu tantos caminhos que começa a ficar difícil imaginar para onde a série pode ir sem mexer profundamente em sua estrutura.
Por enquanto, porém, parece que isso não é um problema. Se você é daqueles que paga o dízimo anual da franquia, Modern Warfare 4 tem motivos suficientes para entrar no radar e parece capaz de entregar uma campanha interessante junto de um multiplayer que continua perigosamente viciante.
No entanto, com preços entre R$ 300 e R$ 463,90 no PC, fica a dúvida se não está na hora de recategorizar o game para alcançar mais jogadores. Afinal, com a saída do Game Pass, fica difícil para os soldados de primeira viagem entrarem no gameplay viciante do jogo.
Para quem segue mais cético, a melhor opção é não correr para a pré-venda. O segundo fim de semana do Beta será aberto para todos os jogadores a partir de 28 de agosto, sem necessidade de reserva ou código. É a oportunidade perfeita para descobrir se as melhorias são suficientes para conquistar você.
Porque, depois deste primeiro contato, a sensação que fica é justamente essa: Call of Duty pode ter encontrado a consistência que precisava para se tornar um jogo perene, daqueles que não precisam reinventar tudo a cada lançamento. Resta descobrir se, no futuro, essa segurança vai continuar sendo uma qualidade ou se vai acabar se transformando no maior problema da franquia.






