Call of Duty: Black Ops 7 chegou no ano passado deixando um gosto amargo para muitos fãs de COD, especialmente por apostar em uma campanha cheia de maluquices que não agradaram a todos. Antes disso, a subsérie Modern Warfare, uma das mais queridas pelos jogadores, também enfrentou dificuldades para encontrar o equilíbrio entre espetáculo e narrativa, com um terceiro capítulo que ofereceu um bom pacote de conteúdo, mas uma campanha curta e com final em aberto.
Felizmente, Call of Duty: Modern Warfare 4 chega para tentar corrigir esse caminho e entregar uma despedida à altura da subsérie protagonizada por John Price. Lançado em 23 de outubro de 2026, o novo jogo da Infinity Ward aposta em uma campanha cinematográfica e um pacote multiplayer robusto, buscando mostrar o que a franquia tem de melhor em um momento importante para a série.
Esse acerto também chega em um momento importante, já que a Microsoft, dona da Activision Blizzard, está realizando demissões e o game enfrentará um grande rival este ano: GTA 6.
Ficha técnica
Jogo: Call of Duty: Modern Warfare 4
Desenvolvedora: Infinity Ward/Activision
Lançamento: 23 de outubro de 2026
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2
Plataforma de teste: Xbox Series X
Preço: A partir de R$ 349,90
História traz despedida digna para John Price
A narrativa de Modern Warfare 4 acompanha duas linhas distintas que se encontram ao longo dos capítulos, alternando entre um esquadrão de soldados envolvido na guerra entre Coreia do Norte e Coreia do Sul e John Price, que deixa seus princípios de lado para perseguir um inimigo conhecido como “O Arqueiro”.
Essa estrutura permite que a campanha explore diferentes perspectivas do conflito, alternando entre operações militares em larga escala e uma caçada pessoal que coloca o protagonista em situações cada vez mais complicadas. Não temos grandes inovações no modo de contar a história, mas a experiência é bem diversificada dentro das seis a oito horas de gameplay.
A narrativa faz justiça ao alto orçamento da franquia, com cenas cinematográficas bem produzidas e uma história que segue a identidade estabelecida pela Infinity Ward. O jogo, como de praxe, não poupa no elenco, que inclui nomes como Mads Mikkelsen entregando ótimas atuações.
O game também não economiza ao mostrar o lado mais cruel da guerra, com momentos violentos e situações que reforçam o peso do conflito, embora tudo seja apresentado dentro do espetáculo de ação característico da série. Ou seja, não espere uma grande lição além do clássico entretenimento da franquia.
Naturalmente, ainda existem algumas liberdades narrativas que acompanham Call of Duty há anos, como a facilidade com que os protagonistas se envolvem em situações moralmente questionáveis sem enfrentar consequências proporcionais. Mesmo assim, a campanha consegue manter o ritmo e entregar uma experiência que lembra um grande filme de ação, daqueles que prendem a atenção mesmo quando a história pede para o espectador aceitar algumas conveniências.
O maior mérito está na forma como Modern Warfare 4 procura encerrar o arco de Price, dando à campanha um propósito que vai além de simplesmente conectar tiroteios e explosões. Para quem acompanha a subsérie desde o reboot, essa conclusão ajuda a dar mais peso à jornada do personagem e oferece uma sensação de encerramento que faltava no capítulo anterior.
Gameplay é mais do que andar para frente e atirar
Na jogabilidade, a Infinity Ward também caprichou na campanha, que vai além da tradicional fórmula de avançar por corredores e eliminar inimigos pelo caminho. Perseguições, confrontos corpo a corpo, sequências cinematográficas e momentos que permitem tomar decisões ajudam a variar o ritmo, fazendo com que as missões tenham identidades próprias em vez de parecerem apenas uma sucessão de tiroteios.
Outro destaque é o retorno dos ambientes mais abertos, que oferecem liberdade para explorar os cenários, encontrar recursos e liberar armamentos antes de avançar nos objetivos principais. Essas áreas funcionam como uma boa alternativa às missões lineares e lembram, em menor escala, a liberdade de abordagem encontrada em modos maiores da franquia, permitindo que cada jogador escolha como deseja lidar com determinadas situações.
A campanha também oferece seis níveis de dificuldade, incluindo as opções Realismo e YOLO, sendo que esta última é desbloqueada após concluir a campanha no modo Realismo. Essa variedade ajuda a atender tanto quem quer aproveitar a história sem grandes obstáculos quanto quem procura um desafio mais exigente, tornando a experiência mais flexível para diferentes perfis de jogadores.
Particularmente falando, meu maior problema durante toda a campanha foram as sequências de combate “mano a mano” com as mãos, que ocasionalmente pareciam meio exageradas e truncadas por causa da perspectiva e primeira pessoa. Ainda assim, alguns dos melhores momentos da campanha são entregues justamente por causa da nova mecânica.
No conjunto, a campanha consegue equilibrar ação, narrativa e variedade sem perder de vista aquilo que faz Call of Duty funcionar tão bem quando está inspirado. Mesmo sem reinventar a fórmula, Modern Warfare 4 mostra que uma boa combinação de ritmo, direção cinematográfica e mecânicas variadas ainda é suficiente para sustentar uma campanha de tiro envolvente.
E o multiplayer? Um pacote recheado de possibilidades
Avaliar o multiplayer de um Call of Duty com apenas uma semana de jogo não é tarefa simples, já que o equilíbrio das armas, a evolução da comunidade e as atualizações podem mudar bastante a experiência ao longo dos meses. Ainda assim, Modern Warfare 4 chega com uma oferta variada de modos e mapas, mantendo o combate rápido e responsivo que os fãs esperam, mas introduzindo mudanças que ajudam a diferenciar esta edição.
O jogo conta com 12 mapas tradicionais para partidas 6 contra 6, além de modos conhecidos como Team Mata Mata, Dominação, Baixa Confirmada e Busca e Destruição. A seleção também inclui novidades como Inflation, em que eliminações rendem dinheiro para a equipe, e Hijack, que gira em torno do transporte de um dispositivo até a base adversária, incentivando a coordenação entre os jogadores.
Outra novidade interessante é Kill Block, um campo de batalha modular que pode assumir mais de 500 configurações diferentes, alterando rotas, linhas de visão e posições de cobertura entre as partidas. A proposta é evitar que os confrontos se tornem previsíveis, exigindo que os jogadores se adaptem ao espaço disponível em vez de dependerem sempre das mesmas estratégias.
Para quem prefere batalhas maiores, o modo Ground War: Combat Outpost amplia a escala dos confrontos com veículos, infantaria e objetivos espalhados por mapas maiores. O sistema de movimentação também recebeu ajustes, incluindo novas possibilidades de deslocamento por obstáculos e tubulações, enquanto a remoção do bloom dos disparos sem mirar busca tornar a precisão mais consistente e dependente do controle do jogador.
O modo DMZ é outro ponto importante do pacote, especialmente para quem gosta de experiências de extração. Nesse modo, jogadores entram na região de Hajin sozinhos ou em esquadrões, cumprem objetivos, enfrentam forças controladas pelo jogo e outros operadores e precisam decidir quando é hora de abandonar a operação com os recursos coletados.
O risco de perder equipamentos ao falhar na extração dá peso às decisões, enquanto a base de operações, a progressão persistente dos operadores e as árvores de características oferecem objetivos de longo prazo. É uma estrutura que pode agradar a quem busca algo além das partidas tradicionais, embora sua qualidade a longo prazo dependa de como a Activision vai atender os pedidos da comunidade, que já começou a solicitar um modo PvE.
Por enquanto, o multiplayer se destaca pela quantidade de opções e pela tentativa de equilibrar modos clássicos com ideias novas. Ainda é cedo para cravar se o pacote vai sustentar o interesse durante todo o ciclo do jogo, mas há conteúdo suficiente para quem pretende dedicar boa parte do ano às partidas online.
Experiência no Xbox Series X: gráficos bonitos e desempenho consistente
Visualmente, Modern Warfare 4 entrega uma experiência que ajuda a justificar a transição para a atual geração de consoles, com cenários detalhados, efeitos de iluminação competentes e sequências cinematográficas que valorizam o espetáculo da campanha. No Xbox Series X, a jogabilidade se manteve fluida durante os testes, permitindo acompanhar os tiroteios e as cenas de ação sem que problemas técnicos comprometessem a experiência.
Um dos destaques práticos foi o Quick Resume, recurso do console que funcionou bem durante a campanha e permitiu retomar a sessão de onde ela havia parado após reiniciar o Xbox. É uma comodidade que combina com uma campanha cinematográfica desse tipo, especialmente para quem costuma alternar entre diferentes títulos e prefere voltar à ação sem precisar passar novamente por todas as telas iniciais.
Em alguns momentos, é possível perceber rastros do upscaling por AMD FSR, principalmente nas áreas mais abertas, onde certos elementos visuais podem perder um pouco de definição. Apesar disso, o resultado geral é bastante bonito, e esses detalhes não chegam a comprometer o conjunto durante a maior parte da campanha.
No fim das contas, a versão de Xbox Series X entrega uma experiência visual competente e uma jogabilidade que se mantém responsiva. Embora existam pequenos pontos que poderiam ser refinados, o conjunto técnico cumpre bem seu papel e ajuda a sustentar o ritmo acelerado da aventura.
Vale a pena jogar Call of Duty: Modern Warfare 4?
Se você é daqueles jogadores que acompanham Call of Duty religiosamente todos os anos, Modern Warfare 4 tem bons motivos para entrar na sua lista de compras. A campanha entrega uma despedida satisfatória para a narrativa centrada em John Price, enquanto o multiplayer oferece uma seleção variada de modos.
Por outro lado, estamos falando de uma franquia anual, e nem todo mundo precisa comprar um novo Call of Duty assim que ele chega às lojas. Se você não tem tanto interesse no multiplayer ou está mais preocupado em acompanhar a história, vale esperar o jogo chegar no Game Pass em 2027 ou considerar uma promoção antes de investir o preço cheio.
Para quem esperava uma campanha mais cinematográfica e um encerramento mais consistente para a subsérie Modern Warfare, este capítulo representa um passo na direção certa. Modern Warfare 4 não reinventa Call of Duty, mas entrega uma aventura envolvente e um pacote de conteúdo generoso, sendo uma recomendação fácil para os fãs da franquia e uma opção interessante para quem procura um jogo de tiro de grande orçamento.
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