Diablo IV: Lord of Hatred transforma o adeus de Santuário em uma despedida épica - Review
Nova expansão de Diablo IV encerra a jornada contra Lilith e Mefisto com novas classes, sistemas renovados e um pacote robusto para novatos e veteranos.
Quando Diablo IV foi lançado em 2023, existia uma sensação curiosa no ar: a Blizzard finalmente tinha encontrado um equilíbrio entre o peso sombrio dos jogos clássicos e a acessibilidade moderna dos RPGs de ação atuais.
Desde os primeiros testes antes do lançamento oficial aqui no Jornal, acompanhar a evolução do jogo foi quase como observar Santuário tentando se reconstruir em tempo real. Temporada após temporada, ajustes vieram, classes mudaram, sistemas foram reformulados e o game passou por altos e baixos enquanto buscava sua identidade definitiva.
Agora, com Diablo IV: Lord of Hatred, essa caminhada finalmente chega ao fim. Mais do que apenas uma expansão tradicional, Lord of Hatred funciona como uma conclusão definitiva para a história iniciada no jogo base e, ao mesmo tempo, como uma espécie de “versão completa” de Diablo IV.
Com seu ato final, Diablo IV deixa de parecer uma promessa em construção e finalmente assume sua forma final. E depois de dezenas de horas explorando Skovos, testando novas builds e mergulhando novamente no caos demoníaco de Santuário no Xbox Series X, fica claro que a Blizzard encontrou aqui sua melhor versão do RPG.
Ficha técnica
Jogo: Diablo IV: Lord of Hatred
Desenvolvedora: Blizzard
Lançamento: 27 de abril de 2026
Onde jogar: PS5, Xbox Series X|S e PC
Plataforma de teste: Xbox Series X
Preço: A partir de R$ 174,90
A review foi realizada com uma cópia da expansão cedida pela Blizzard.
Bruxo rouba a cena e transforma o combate em puro caos
Antes mesmo de falar da campanha, é impossível ignorar o principal chamariz da expansão: as novas classes Paladino e Bruxo. Ambos trazem estilos bem diferentes de gameplay, o que pode agradar quem está retornando ao game.
O Paladino certamente vai cair nos gostos dos veteranos saudosos de Diablo II, principalmente por sua mistura de combate pesado, habilidades sagradas e visual clássico. Mas como já existe uma análise focada nele aqui no Jornal, a experiência desta review mergulhou de cabeça no Bruxo — e honestamente, foi difícil largar o controle depois das primeiras horas.
A nova classe parece uma mistura caótica entre Druida, Necromante e algo completamente novo. O Bruxo manipula forças demoníacas sem necessariamente se tornar servo delas, usando duas barras de recurso diferentes para controlar habilidades mais estratégicas.
Enquanto a Dominância permite invocar criaturas infernais para lutar ao seu lado, a Ira aposta em ataques agressivos e destrutivos realizados diretamente pelo personagem. O kit básico já é bem divertido e variado, só que o verdadeiro brilho da classe aparece mais tarde.
Quando as habilidades avançadas começam a ser desbloqueadas, Lord of Hatred praticamente entrega um segundo personagem dentro da mesma classe. O Bruxo pode realizar rituais sombrios envolvendo sacrifícios de inimigos e até assumir uma forma demoníaca completa, ganhando novas habilidades exclusivas e um poder absurdo de destruição.
Existe algo extremamente divertido em perceber que você deixou de ser apenas alguém tentando sobreviver ao Inferno e passou a parecer uma criatura saída dele. E isso muda completamente o ritmo do combate.
O Bruxo consegue alternar entre gerenciamento estratégico de criaturas invocadas e momentos de puro caos na tela, criando uma gameplay que constantemente recompensa experimentação. É uma classe exagerada, visualmente absurda e extremamente prazerosa para quem gosta daquela sensação clássica de Diablo de explodir hordas inteiras de inimigos em segundos.
Nova árvore de habilidades finalmente revitaliza Diablo IV
Se as novas classes já seriam suficientes para justificar a expansão, Lord of Hatred ainda entrega uma reformulação importante nos sistemas do jogo. A nova árvore de habilidades adiciona variantes extras para praticamente todas as classes, expandindo significativamente as possibilidades de build.
E isso impacta até mesmo quem já passou centenas de horas no endgame anteriormente. Personagens antigos ganham novas funções, novas combinações surgem e builds esquecidas voltam a parecer viáveis.
É uma mudança grande e até intimidadora nas primeiras horas, mas extremamente necessária para um jogo que precisava renovar sua sensação de progressão. O mais interessante é como essa atualização faz Diablo IV parecer fresco novamente sem abandonar sua identidade.
Existe uma sensação constante de descoberta, mesmo para veteranos. Aquela velha ideia de “só mais uma dungeon” continua perigosamente viva aqui. Porém, o jeito que você aborda cada espaço com suas novas habilidades fica diferente, pois a personalização é mais grande do que nunca.
Multiplayer local continua sendo um dos segredos mais divertidos do jogo
Uma das qualidades menos comentadas de Diablo IV continua brilhando em Lord of Hatred: o multiplayer local. Enquanto muitos jogos ignoram essa função, o jogo da Blizzard segue brilhando com esse recurso clássico nos consoles.
Toda a expansão pode ser jogada em tela dividida no Xbox Series X e PS5, mantendo progresso compartilhado e funcionamento extremamente fluido. E honestamente? Poucos jogos atuais conseguem oferecer uma experiência cooperativa de sofá tão divertida quanto Diablo.
Existe algo especial em passar horas limpando masmorras, organizando loot e enfrentando chefes absurdos ao lado de outra pessoa na mesma tela. A expansão entende isso e mantém toda a experiência cooperativa intacta.
Para casais, amigos ou simplesmente pessoas que sentem falta daquele multiplayer local clássico, Lord of Hatred entrega um dos melhores coop atuais do mercado. E com todo o progresso fica salvo na conta online, dá até pra trocar de dispositivo e seguir com o mesmo personagem.
Lord of Hatred entrega o encerramento de peso na história
Narrativamente, Lord of Hatred segue o padrão cinematográfico que a Blizzard domina há décadas. A campanha leva os jogadores para Skovos, uma nova região extremamente importante para o universo de Diablo, explorando as consequências finais da influência de Lilith e da ascensão de Mefisto.
Sem entrar em spoilers, a expansão consegue entregar peso emocional suficiente para fazer essa conclusão parecer merecida. E talvez o mais interessante seja justamente isso: depois de acompanhar Diablo IV desde antes do lançamento, existe uma sensação genuína de encerramento aqui.
Você percebe como personagens mudaram, como o mundo ficou mais desesperado e como Santuário parece cansado de sobreviver eternamente ao mesmo ciclo de destruição. Lord of Hatred entende o peso dessa jornada e usa isso muito bem em sua ambientação.
Qualidade técnica
Na parte técnica, Diablo IV segue um show — e Skovos ajuda bastante nessa sensação. O jogo esbanja beleza em um mundo caótico e repleto de ameaças.
As áreas litorâneas, florestas densas e regiões inundadas criam um contraste visual muito bonito com outras partes do jogo base. Tudo mantém a identidade sombria da franquia, mas adiciona uma melancolia diferente, quase como se o próprio mundo estivesse desmoronando lentamente.
No Xbox Series X, o visual impressiona bastante, assim como no jogo base e na expansão anterior. Os efeitos de iluminação, a qualidade das animações e o nível de detalhe dos cenários ajudam a criar uma ambientação extremamente imersiva, mesmo com a visão isométrica.
Áudio transforma o Inferno em algo assustadoramente imersivo
Se visualmente Diablo IV continua impressionante, o trabalho sonoro de Lord of Hatred talvez seja ainda melhor. A Blizzard continua entendendo como poucos o poder da ambientação sonora.
Jogando em uma soundbar JBL com Dolby Atmos, a sensação de imersão foi absurda. As habilidades ecoam pelos ambientes, explosões mágicas ocupam diferentes direções do áudio e a trilha sonora sabe exatamente quando crescer ou desaparecer silenciosamente para deixar o desconforto tomar conta.
A dublagem em português brasileiro também merece elogios. As vozes carregam peso dramático sem soar artificiais, algo essencial em uma expansão tão focada na narrativa.
Não é apenas uma trilha bonita. O áudio aqui ajuda a construir tensão, medo e grandiosidade constantemente, algo que faz de Diablo IV um jogo assustadoramente prazeroso de se jogar.
O excesso visual ainda incomoda
Apesar dos elogios na parte técnica, Diablo IV ainda carrega alguns problemas antigos. Os menus continuam excessivamente complexos, cheios de informações, abas demais e sistemas que poderiam ser apresentados de maneira mais intuitiva.
Para veteranos isso eventualmente vira rotina. No entanto, novos jogadores provavelmente ainda vão se sentir um pouco perdidos no início, o que acaba tirando um pouco da magia do game.
O Bruxo também amplifica outro problema recorrente do jogo: o excesso visual. Entre invocações, explosões demoníacas, partículas, efeitos elementais e dezenas de inimigos simultâneos, alguns momentos viram um verdadeiro carnaval infernal na tela.
Em batalhas mais caóticas, especialmente no multiplayer, entender exatamente o que está acontecendo pode ser complicado. Felizmente, é algo que melhora conforme você se acostuma com os sistemas e aprende a “ler” o caos visual do combate.
Ainda assim, seria interessante ver a Blizzard oferecendo mais opções de limpeza visual no futuro. Logo, se você está interessado no game, vale a pena ter isso em mente antes da compra.
Vale a pena?
Lord of Hatred não é apenas uma expansão, é a sensação de finalmente ver Diablo IV completo. Depois de anos acompanhando o jogo evoluir, mudar e tentar encontrar seu melhor formato, Lord of Hatred entrega exatamente aquilo que muitos jogadores esperavam: uma conclusão épica para a campanha, novas classes extremamente divertidas e sistemas capazes de revitalizar completamente a experiência.
O Bruxo sozinho já justificaria parte do pacote, mas as melhorias gerais no gameplay, na progressão e no endgame tornam essa expansão importante tanto para veteranos quanto para novatos. E talvez esse seja o maior mérito da Blizzard aqui.
Pela primeira vez desde o lançamento original, Diablo IV realmente parece pronto para ser recomendado sem ressalvas enormes. Com todas as expansões disponíveis, múltiplas classes, ajustes acumulados ao longo dos anos e uma campanha finalmente concluída, agora é o melhor momento possível para entrar em Santuário.
Se você abandonou o jogo no passado, Lord of Hatred é um ótimo motivo para voltar. E se nunca jogou Diablo IV, talvez essa seja exatamente a versão que valia a pena esperar.







