Directive 8020 transforma Among Us em horror cinematográfico - Review
Jogo da Supermassive Games aposta em terror sci-fi, paranoia e escolhas brutais para entregar uma experiência cinematográfica divertida, mas com alguns deslizes
A Supermassive Games já virou praticamente sinônimo de “filme interativo de terror”. Com títulos como o Until Dawn original e The Quarry no seu currículo, o estúdio encontrou um espaço muito específico dentro da indústria: jogos focados em narrativa, escolhas e personagens que podem morrer de formas terríveis dependendo das decisões do jogador.
E, sinceramente, poucas empresas fazem isso com tanto charme quanto eles, principalmente pela variedade. Depois de experimentar diferentes estilos dentro da antologia The Dark Pictures Anthology, a desenvolvedora resolveu mergulhar de cabeça na ficção científica espacial com Directive 8020.
O resultado é o jogo mais ambicioso da série até agora — tanto em narrativa quanto em gameplay. Misturando paranoia, horror cósmico, monstros grotescos e um clima constante de desconfiança, o título parece uma mistura de Alien, The Thing e… Among Us.
E olha, isso funciona melhor do que parece, apesar de alguns deslizes durante a caminhada espacial. Trazemos a seguir como foi nossa experiência com Directive 8020 no Xbox Series X.
Ficha técnica
Jogo: Directive 8020
Desenvolvedora: Supermassive Games
Lançamento: 12 de maio de 2026
Onde jogar: PC, PS5 e Xbox Series S/X
Plataforma de teste: Xbox Series X
Preço: A partir de R$ 209 — R$ 144 em promoção na Nuuvem.
Um filme B espacial extremamente divertido
A história de Directive 8020 acompanha a missão Cassiopeia, uma expedição enviada ao planeta Tau Ceti f na esperança de encontrar um novo lar para a humanidade. Afinal, a Terra está basicamente condenada e a colonização espacial virou a última esperança da espécie humana.
O problema começa quando um meteorito atravessa a nave durante a viagem e introduz uma ameaça alienígena dentro da Cassiopeia. A partir daí, o jogador assume o controle de diferentes membros da tripulação enquanto tenta sobreviver ao caos.
E aqui entra o grande diferencial do jogo — e um spoiler para quem busca uma experiência mais crua: o organismo alienígena consegue imitar perfeitamente os tripulantes. Ou seja, qualquer um pode ser um inimigo.
A premissa lembra imediatamente Among Us, mas em uma versão cinematográfica e muito mais focada em terror psicológico. Existe aquela paranoia constante de desconfiar de todo mundo, analisar comportamentos estranhos e, em alguns momentos, tentar descobrir quem pode ser uma criatura disfarçada.
O mais interessante é que a Supermassive abraça completamente suas inspirações sci-fi. O jogo é recheado de referências a clássicos do gênero, tanto do cinema quanto dos videogames. Tem ecos de Alien, The Thing, Among Us, Dead Space e até um pouco de Mass Effect na construção da tripulação e da missão espacial.
Mesmo sem ser exatamente revolucionária, a narrativa consegue prender bastante graças ao ritmo cinematográfico. Os capítulos são estruturados quase como episódios de uma série sci-fi de suspense, sempre terminando com algum gancho importante ou revelação absurda.
Além disso, o jogo brinca bastante com flashbacks, saltos temporais e diferentes perspectivas dos acontecimentos. Isso ajuda a manter a história dinâmica durante suas cerca de seis a oito horas de duração.
Ainda assim, fiquei com a sensação de que o jogo poderia explorar melhor algumas ideias. O conceito dos impostores alienígenas é muito forte, mas acaba aparecendo menos do que eu imaginava. Em vários momentos, o foco sai da paranoia entre a tripulação e vai para ameaças mais tradicionais envolvendo monstros, perseguições e sobrevivência espacial.
Não chega a ser algo ruim, mas existe uma pequena sensação de “potencial não totalmente aproveitado”. Mesmo assim, terminei Directive 8020 com aquele sentimento clássico de “acabei de assistir uma sessão da Tela Quente”. É exagerado, dramático, às vezes meio cafona, mas bem divertido.
Gameplay traz as maiores mudanças da franquia até agora
Se a história mantém bastante do DNA tradicional da Supermassive, o gameplay é onde Directive 8020 realmente tenta evoluir a fórmula da Dark Pictures. E dá pra perceber isso logo nos primeiros minutos.
Diferente dos jogos anteriores, a câmera agora funciona totalmente em terceira pessoa com maior controle do jogador. A movimentação está mais fluida, os personagens conseguem correr, escalar obstáculos e explorar cenários de maneira muito mais natural. Pode parecer um detalhe pequeno, mas isso muda bastante o ritmo da experiência.
Mesmo com mais ação no pacote, o jogo continua extremamente focado em escolhas narrativas. Afinal, essa é a essência da franquia. Só que agora a desenvolvedora adicionou novas camadas interessantes para tornar as decisões menos previsíveis.
A principal delas é o sistema de “Momentos Decisivos”, que permite voltar para pontos específicos da narrativa e alterar decisões importantes. Dependendo da dificuldade escolhida, você pode literalmente reescrever escolhas que levaram personagens à morte.
É uma solução interessante porque respeita diferentes tipos de jogadores. Quem quer aquela experiência clássica e brutal da Supermassive pode jogar normalmente sem voltar no tempo. Já quem prefere experimentar diferentes caminhos sem repetir horas inteiras da campanha encontra aqui uma ferramenta extremamente útil.
Outro sistema novo envolve os traços de personalidade dos personagens. Dependendo das escolhas feitas durante diálogos e situações de tensão, cada personagem desenvolve características específicas que podem alterar comportamentos futuros, desbloquear caminhos ou até impactar diretamente o final da história.
Gostei bastante dessa ideia porque ela dá uma sensação maior de consequência narrativa. Algumas ações parecem involuntárias justamente porque o personagem já desenvolveu determinados traços psicológicos ao longo da campanha.
Os tradicionais Quick Time Events continuam presentes e seguem funcionando bem. Felizmente, o jogo oferece várias opções de acessibilidade e dificuldade, incluindo ajustes para facilitar os QTEs — algo essencial em um título onde errar um botão pode matar um personagem importante instantaneamente.
O toque de sobrevivência deixa tudo mais intenso… e repetitivo
A grande novidade de Directive 8020 está nos trechos de furtividade e sobrevivência. Inspirado claramente em Alien: Isolation, o jogo traz momentos em que precisamos explorar corredores escuros da nave enquanto evitamos criaturas alienígenas.
Nessas partes, o jogador precisa usar scanners, desviar de vidros, usar ventilações e até controlar a iluminação para não ser detectado. E olha… quando funciona, funciona MUITO bem. Existe uma sensação constante de vulnerabilidade porque os personagens não são soldados armados até os dentes. Você quase sempre está fugindo, improvisando ou tentando sobreviver no desespero.
Isso ajuda bastante a diferenciar Directive 8020 dos jogos anteriores da franquia, garantindo uma pegada mais focada em sobrevivência e exploração. O problema é que a Supermassive talvez tenha exagerado um pouco na quantidade desses segmentos.
Depois de algumas horas, certos trechos de exploração furtiva começam a ficar repetitivos, especialmente para quem entrou no jogo buscando principalmente narrativa e escolhas. Existe uma quebra de ritmo em alguns momentos que pode cansar um pouco, principalmente no final.
Ainda assim, gosto da direção que o estúdio está tomando. Mesmo com alguns excessos, Directive 8020 mostra uma tentativa genuína de evoluir a fórmula da Dark Pictures ao invés de apenas repetir o mesmo modelo de sempre.
Personagens realistas ajudam na imersão
Visualmente, Directive 8020 é facilmente um dos jogos mais bonitos já feitos pela Supermassive. Os modelos dos personagens são absurdamente detalhados, especialmente nas expressões faciais.
A captura de movimento continua sendo um dos maiores pontos fortes do estúdio, e isso ajuda muito a vender o drama da narrativa. A presença de Lashana Lynch como protagonista também funciona bem. A atriz entrega bastante personalidade para Brianna Young e ajuda a elevar o tom cinematográfico da campanha, mas o elenco de apoio é que realmente rouba a cena.
Os cenários da Cassiopeia também são excelentes para o propósito do jogo. A nave transmite perfeitamente aquela sensação claustrofóbica clássica do terror espacial. Corredores apertados, iluminação baixa, alarmes piscando e ambientes industriais criam uma atmosfera constantemente desconfortável.
Por outro lado, alguns monstros acabam caindo naquele visual meio genérico de “massa de carne alienígena”. Não chega a estragar a experiência, mas existem criaturas que parecem menos criativas do que o restante da direção de arte.
Por fim, a trilha sonora também merece elogios, mas com ressalvas. As músicas ajudam bastante na tensão e nos momentos dramáticos, embora eu tenha sentido que as melhores faixas aparecem principalmente nos encerramentos dos capítulos — quase como créditos de série de TV. Funciona bem, mas algumas músicas mereciam mais espaço durante a narrativa em si.
Vale a pena?
Directive 8020 é jogo que mostra um pouco mais de ousadia da Supermassive Games no quesito gameplay, mas sem deixar de lado a tradição narrativa do estúdio. No entanto, para trazer novidades, o estúdio também cometeu alguns deslizes que podem afastar fãs de longa data.
A mistura de terror espacial, paranoia e escolhas narrativas funciona muito bem na maior parte do tempo, especialmente para quem gosta de experiências cinematográficas focadas em história. Mesmo quando exagera nos trechos de furtividade ou deixa algumas ideias interessantes subaproveitadas, o jogo consegue manter o jogador investido.
Além disso, é impossível não se divertir com a vibe de “filme sci-fi de madrugada” que a campanha entrega o tempo inteiro. Directive 8020 sabe exatamente o tipo de experiência que quer oferecer — e abraça isso sem vergonha, seguindo os padrões clássicos do estúdio.
O preço na faixa dos R$ 209 pode afastar parte do público, especialmente considerando a duração relativamente curta da campanha. Por isso, para o jogador que não é entusiasta das obras do estúdio, talvez faça mais sentido esperar uma promoção ou eventual chegada em serviços de assinatura como Game Pass ou PS Plus.
Ainda assim, para fãs de jogos narrativos, terror sci-fi e experiências cooperativas no estilo “passa o controle”, Directive 8020 é uma ótima pedida para um fim de semana cheio de gritos, paranoia e decisões horríveis.
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