My Hero Academia All's Justice desliza em erros que podia evitar - Review
Novo título da Bandai Namco pode agradar fãs, mas cai na maldição das adaptações de animações japonesas
A Bandai Namco segue soberana quando o assunto é transformar animes em videogame. Depois de lançar pérolas recentes como Dragon Ball Sparking Zero, a empresa retorna agora ao universo dos heróis com My Hero Academia: All’s Justice, título que adapta o arco final da icônica animação japonesa, encerrada no ano passado.
Já disponível para PC, PS5 e Xbox Series S e X, o jogo promete elevar o nível dos títulos da franquia nos consoles atuais. Após nossos testes aqui no Jornal dos Jogos, posso dizer que ele realmente dá um passo à frente em relação aos antecessores — mas ainda tropeça em problemas que parecem perseguir adaptações de anime.
Confira, a seguir, a review da versão de Xbox Series X, testada com uma cópia cedida pela Bandai Namco.
Ficha técnica
Jogo: My Hero Academia: All’s Justice
Lançamento: 05/02/2026
Desenvolvedor: Byking Inc / Bandai Namco
Onde jogar: PC, PS5, Xbox Series S e Xbox Series X
Plataforma de teste: Xbox Series X
Preço: A partir de R$ 260,90
Um passeio pela história (final) de MHA
All’s Justice mergulha diretamente no arco final de My Hero Academia, entregando uma experiência cinematográfica, cheia de efeitos, explosões de Individualidades e momentos que claramente foram pensados para arrancar aquele arrepio dos fãs.
A campanha equilibra bem cenas épicas com batalhas intensas. Visualmente, tudo é grandioso: poderes coloridos, golpes especiais que tomam conta da tela e animações que remetem diretamente ao anime. Para quem acompanhou a obra até o fim, é quase como revisitar um grande evento.
Um ponto interessante é a estrutura não linear da campanha. Em vez de seguir uma linha rígida, o jogo permite explorar eventos sob diferentes perspectivas, inclusive assumindo o controle de personagens secundários que nem sempre têm tanto espaço na animação. Isso é um acerto, porque amplia o universo e dá mais variedade ao gameplay.
Por outro lado, essa mesma escolha acaba gerando repetição. Em alguns momentos, você revive essencialmente o mesmo conflito por ângulos diferentes — o que, embora faça sentido narrativamente, pode cansar. Funciona melhor como fan service do que como construção de ritmo.
Para quem quer revisitar momentos marcantes antes da temporada final (ou simplesmente reviver batalhas favoritas), os outros modos ajudam a expandir essa experiência.
Modos de jogo: variedade é a palavra-chave
Se há algo que All’s Justice entrega bem, é conteúdo. Além da campanha principal, o jogo traz uma boa gama de modos para manter o jogador ocupado:
Modo História Final: Foco total no arco derradeiro do anime, com batalhas encadeadas por cenas cinematográficas.
Modo Crônicas: Permite revisitar confrontos importantes da série e explorar eventos sob a ótica de outros personagens.
Diário de Herói: Modo que traz novas histórias com os principais personagens da franquia, garantindo narrativa além do anime.
Team Up Mission: Modo que aproveita o mundo aberto em missões com até três personagens, trazendo mais variedade para as lutas e diferentes formas de explorar o gameplay, com parkour e exploração.
Batalha Livre: Ideal para quem quer apenas testar combinações de personagens e se divertir sem compromisso narrativo.
Modo Online: Confrontos contra outros jogadores, mas sem crossplay.
Multiplayer Local: Batalhas no sofá, dividindo a mesma tela, para até dois jogadores — uma adição sempre bem-vinda.
Desafios Especiais: Missões com condições específicas que testam domínio dos sistemas de combate.
Essa variedade ajuda a prolongar a vida útil do jogo, principalmente para quem gosta de experimentar diferentes heróis e vilões. Tudo isso também é elevado com o grande elenco de personagens, que traz desde grandes heróis até figuras secundárias do anime.
Como funcionam as batalhas?
O combate é, sem dúvida, o coração de All’s Justice. E aqui ele aposta sem medo na pegada arcade. Esqueça a ideia de um jogo técnico ou competitivo no estilo eSports. A sensação aqui lembra muito os jogos de luta da era PlayStation 2: exagerados, barulhentos e divertidos.
Os sistemas são simples de aprender:
Combos básicos e ataques leves/pesados.
Uso da Individualidade com habilidades especiais.
Golpes cinematográficos ativados ao encher uma barra específica.
Sistema de suporte com personagens auxiliares.
Movimentação livre em arenas 3D.
A curva de aprendizado é tranquila. Em poucos minutos você já entende o básico e consegue executar ataques vistosos. Ao mesmo tempo, há profundidade suficiente para extrair estratégias, principalmente nas batalhas mais difíceis da campanha.
Não é um jogo competitivo. Mas é desafiador em momentos pontuais e, acima de tudo, divertido. A satisfação aqui vem do espetáculo — da tela explodindo em cores enquanto você executa um golpe final dramático.
Gráficos e desempenho no Xbox Series X
Visualmente, o jogo é bonito. Os modelos dos personagens são fiéis ao anime, com traços bem adaptados ao 3D. As animações de poderes são o grande destaque, trazendo impacto e dinamismo às lutas.
No Xbox Series X, a performance foi estável durante a maior parte do tempo, sem quedas significativas de frame rate ou crashes. Loadings rápidos também ajudam a manter o ritmo da experiência, especialmente nos modos de batalha.
O problema não é técnico — é estrutural. O chamado “mundo aberto” poderia oferecer mais liberdade e interação. Ele funciona mais como um hub expandido do que como um ambiente realmente vivo e explorável. Fica aquela sensação de que dava para ir além.
Os grandes erros de My Hero Academia: All’s Justice
Aqui entramos na parte mais delicada. Apesar de ser o melhor jogo da franquia até agora, All’s Justice comete erros que parecem evitáveis em pleno 2026.
O primeiro é a repetição excessiva na campanha. Recontar batalhas sob diferentes pontos de vista é interessante no papel, mas na prática pode cansar. O segundo é a limitação do “mundo aberto”, que soa mais como promessa do que como realidade.
Mas o maior problema é a ausência total de português brasileiro — nem dublagem, nem legendas. Considerando o tamanho da base de fãs de My Hero Academia no Brasil, essa decisão impacta diretamente a imersão e exclui parte do público.
Para completar, o jogo não possui crossplay. Isso significa que jogadores de plataformas diferentes não podem jogar online entre si. Em um cenário onde o multiplayer é cada vez mais conectado, essa ausência pesa. O multiplayer local é excelente, mas o online poderia ser muito mais inclusivo.
Vale a pena?
My Hero Academia: All’s Justice é um bom jogo para fãs. Ele entrega espetáculo, personagens queridos, batalhas impactantes e uma adaptação competente do arco final do anime.
Porém, fora desse público, a recomendação muda de tom. Pelo preço cheio de R$ 260,90, talvez valha a pena esperar uma promoção — especialmente se você não for um grande entusiasta da obra.
Se você quer reviver momentos marcantes, controlar seus heróis favoritos e mergulhar de vez na pancadaria com Individualidades, vai se divertir bastante.
Se procura profundidade competitiva, inovação no gênero ou uma experiência realmente revolucionária, talvez encontre opções mais interessantes no próprio catálogo da Bandai Namco, como Dragon Ball Sparking Zero ou alguns títulos da franquia Naruto.
No fim das contas, All’s Justice é divertido, bonito e empolgante, mas poderia ter sido muito mais se evitasse erros que, a essa altura, já não deveriam acontecer. Infelizmente, diferente do lema do anime, o jogo não vai além, perdendo a chance de ser Plus Ultra.






