Vale a pena voltar a jogar Overwatch em 2026? Review da Temporada 1: Conquest
Blizzard remove o “2”, aposta em 10 novos heróis no ano e inicia o arco Reign of Talon — mas será que isso é suficiente para reconquistar quem se afastou?
Overwatch vai completar 10 anos em 2026. Parece ontem que estávamos assistindo aos primeiros curtas animados e escolhendo nosso “main” como se isso fosse uma decisão de vida ou morte. Mas o tempo passou, o jogo virou Overwatch 2, promessas foram feitas (e desfeitas), o modo cooperativo ficou pelo caminho… e muita gente — eu inclusa — perdeu o entusiasmo.
Agora, a Blizzard Entertainment resolveu fazer algo ousado: tirar o “2” do nome, resetar as temporadas, lançar cinco heróis de uma vez e começar um arco narrativo anual chamado Reign of Talon. A proposta é clara: fazer Overwatch voltar a ser Overwatch.
Depois de passar bons dias mergulhada na nova Temporada 1: Conquest, testando heróis, explorando as mudanças e, sim, usando skins da Hello Kitty, conto a seguir como foi minha experiência nesse “novo” começo. Afinal, vale a pena voltar para Overwatch depois de uma década?
Ficha Técnica
Jogo: Overwatch Temporada 1 – Conquest
Desenvolvedora: Blizzard
Atualização lançada em: 10/02/2026
Onde jogar: PC, PS5, Xbox Series S|X
Plataforma de teste: PC
Modelo de negócio: Free to Play (itens cosméticos pagos)
A review foi realizada com uma chave cedida pela Blizzard, incluindo pacote de skins da Hello Kitty.
Overwatch voltou a ser despretensioso e carismático — e isso é ótimo
Vou ser honesta: eu estava extremamente cética. Desde a transição para Overwatch 2, com a promessa de um modo história robusto que nunca realmente se concretizou, o jogo parecia estar tentando ser algo que não era. Havia uma sensação constante de “espera pelo futuro” — como se a melhor versão ainda estivesse por vir.
Quando a Blizzard finalmente assumiu que Overwatch é, acima de tudo, um hero shooter competitivo com um universo carismático ao redor, algo mudou. Pararam de prometer revolução e começaram a investir no que sempre funcionou: heróis cheios de personalidade, curtas animados impactantes e uma narrativa que acontece também dentro do próprio jogo.
E, surpreendentemente, isso funcionou. Voltar a jogar depois de anos afastada foi como reencontrar um velho amigo que amadureceu — mas continua engraçado.
Sim, as interfaces mudaram e o jogo está repleto de novos menus. Ainda assim, depois de dar uma zapeada e rever rostos conhecidos, você percebe que o conteúdo cativante e apaixonante de 2016 ainda está ali, só que algumas evoluções, incluindo mais heróis.
Cinco heróis de uma vez? Sim, e isso muda tudo
A Temporada 1 chegou trazendo cinco novos personagens de uma só vez, com a promessa de mais cinco durante o ano. Confesso que eu não conhecia boa parte do elenco que chegou em Overwatch 2, mas a galera nova já traz um carisma bem interessante.
Domina (Tank) – Uma tank de controle à distância, com barreiras segmentadas. Ideal para quem gosta de dominar ângulos e ditar o ritmo da luta.
Emre (Dano) – Um supersoldado tático com rifle de rajada, granadas e uma ultimate devastadora aérea. Lembra um Soldier 76 mais agressivo e explosivo, seguindo o estilo de jogos como Halo.
Mizuki (Suporte) – Um suporte técnico e complexo, que recompensa jogadores habilidosos. Cura em área, ricochetes e habilidades que exigem posicionamento inteligente.
Anran (Dano) – Flanker ágil com foco em dano por queimadura. Extremamente divertida, rápida e com uma ultimate que pode ser usada ofensivamente ou para se auto-reviver.
Jetpack Cat (Suporte) – Um felino alado com voo permanente, capacidade de carregar aliados e uma ultimate que basicamente te transforma em um míssil.
A quantidade de opções novas muda o meta imediatamente. E o mais interessante: todos têm conexão direta com o arco narrativo Reign of Talon, que promete se desenvolver ao longo do ano.
A sensação de experimentar personagens inéditos — especialmente depois de tanto tempo jogando com o mesmo elenco — reacende aquela curiosidade que marcou 2016. Abrir o jogo, ver os personagens em belos vídeos e poder jogar com eles logo em seguida é uma sensação que lembra muito o jogo de 10 anos atrás.
O gameplay evoluiu (mesmo que muita gente não tenha percebido)
Além do retorno do foco narrativo, o jogo também trouxe novidades interessantes na parte de gameplay. Eu fiquei anos sem jogar, então, para mim, muitas das mudanças recentes foram novidade.
O sistema de aprimoramentos durante as partidas adiciona pequenas variações estratégicas que tornam cada jogo menos previsível. Agora, durante a realização de sua função, um pop-up pode aparecer pedindo para você evoluir uma skill, o que é bem legal pra quem está afastado do jogo há anos.
Além disso, temos também o novo modo Stadium, que amplia a customização e ainda oferece visão em terceira pessoa. Aqui, o jogo muda completamente a percepção da ação.
No entanto, durante meus testes, o foco foi o bom e velho jogo rápido, em cinco contra cinco. Com exceção dos aprimoramentos, tudo segue bem familiar: as partidas continuam rápidas, intensas e caóticas.
Overwatch ainda não é um jogo extremamente competitivo no sentido tático hardcore como alguns shooters modernos. Ele continua arcade, colorido e exagerado. E talvez esse seja justamente o ponto.
Monetização free-to-play é funcional
Mesmo com a mudança de nome, Overwatch continua sendo free to play. A monetização gira em torno de skins, passes de batalha e diferentes moedas internas.
Para quem já jogou Fortnite, a lógica é familiar: itens premium não impactam gameplay. É tudo cosmético — e bem lindo, diga-se de passagem.
Além das skins do passe, também consegui testar o pacote da Hello Kitty. Pode parecer aleatório, mas esse tipo de colaboração moderna traz frescor. Como main Mercy desde sempre, confesso que a skin de Pompompurin me conquistou completamente, principalmente pelas animações e sons bem feitos.
Em 2017, os eventos e skins já começavam a parecer repetitivos, sempre seguindo as mesmas lógicas. Agora, ao menos, existe variedade estética e ousadia nas parcerias, algo que deveria se tornar ainda mais recorrente neste “recomeço”.
O grande problema do jogo atualmente, falando na parte estética, fica no rosto dos personagens. Em alguns casos, fica difícil diferenciar quem é quem, principalmente se você chegou agora em Overwatch. Ainda assim, a própria Blizzard está ligada nisso, então pode ser que tenhamos mais variedade e o fim da “síndrome do mesmo rosto” no futuro.
Dá pra jogar sozinho?
No Jogo Rápido, minha experiência foi surpreendentemente tranquila, sem grandes problemas de toxicidade ou matchmaking, principalmente usando a fila com classes selecionadas. Ainda assim, Overwatch continua sendo infinitamente mais divertido com amigos. Felizmente, por ser gratuito, é fácil convencer alguém a instalar “só para testar”.
Apesar do entusiasmo, existem pontos de atenção. Lançar cinco heróis de uma vez coloca enorme pressão no balanceamento. A Blizzard já admitiu que alguns lançamentos recentes foram “impactantes demais”. Se o time não reagir rápido, o meta pode virar caos e tornar as partidas monótonas.
A reformulação da interface também exige reaprendizado. Ela está mais limpa, mas ainda demanda adaptação. E a promessa de manter um ritmo alto de lançamentos durante todo o ano vai precisar de consistência real — algo que já faltou no passado.
Vale a pena voltar em 2026?
Se você, como eu, se afastou durante a era Overwatch 2 por frustração ou cansaço, a resposta é: sim, vale dar uma nova chance para Overwatch. O jogo voltou a abraçar sua essência.
Após muita bola fora, o jogo está mais honesto com sua proposta, mais vibrante em narrativa e mais ousado na entrega de conteúdo. Para jogadores que nunca saíram, a Temporada 1 representa talvez o momento mais ambicioso da franquia desde o lançamento original.
Quem pode não gostar?
Quem espera um modo história tradicional.
Quem busca um shooter extremamente tático e realista.
Quem não curte o modelo de passe de batalha e cosméticos pagos.
Mas para fãs de hero shooters rápidos, personagens carismáticos e partidas intensas cheias de efeitos, Overwatch está mais vivo do que parecia possível há dois anos. E, pela primeira vez em muito tempo, eu estou animada para ver o que a Blizzard reserva para o futuro.







