Estúdio de Vampire's Veil fala sobre sensualidade da protagonista e criação do jogo
No Papo Indie da vez, trocamos uma ideia com a galera da Fairy Cave Studio, que falou sobre a sensualidade de Vampire's Veil, que já possui demo grátis no PC
Se tem um tipo de jogo que continua fazendo barulho na cena indie brasileira, esse tipo é o metroidvania. E entre os títulos mais promissores que estão ganhando forma no PC, Vampire’s Veil se destaca pelo visual marcante, gameplay afiado e uma protagonista que chegou para morder o pescoço dos clichês.
Inspirado por clássicos como Castlevania: Symphony of the Night, Super Metroid e até pelo charme visual de Shantae, o jogo coloca os jogadores no controle de Selene, uma das esposas do lendário vampiro Damian Thorn, em uma jornada de vingança, exploração e poderes sombrios. E sim: tem muita sensualidade no pacote também — mas o time garante que tudo foi pensado para fazer sentido dentro do universo do game, e não apenas para “caçar clique” no feed alheio.
Por trás desse projeto está o Fairy Cave Studio, uma equipe enxuta, mas cheia de talento, paixão e experiência. O estúdio nasceu de forma despretensiosa em 2024 e já conta com um time afiado, com profissionais do Brasil e do México que abraçaram a missão de criar um metroidvania diferente — mais ousado, mais bonito e com muito estilo.
A convite do Jornal dos Jogos, Edmilson Junior (o Ed Junior), Tayná Gomes, Yuri de Paula e Manuel Gutiérrez contaram tudo sobre a criação de Vampire’s Veil, os desafios do desenvolvimento e como transformaram um meme de “metroidvania das vampiras gostosas” em um dos projetos mais comentados da cena indie nacional.
A seguir, mergulhe nos bastidores dessa jornada sombria que já tem demo disponível no PC — e que promete ser uma das grandes apostas do gênero nos próximos anos.
O que é Vampire’s Veil?
Vampire’s Veil é um metroidvania de ação com forte foco em combate, exploração não linear e progressão de habilidades. Na prática, é aquele tipo de jogo que faz o jogador olhar um corredor suspeito e pensar: “tenho quase certeza que existe uma parede falsa aqui”. E provavelmente existe mesmo.
Na história, Selene desperta após sua família vampírica ser aprisionada pelos Sete Caçadores de Vampiros. A partir daí, ela parte em busca dos fragmentos de um cristal mágico para libertar Lord Damian Thorn e recuperar o poder da família. O detalhe interessante é que o jogo inverte a lógica tradicional do gênero: aqui, os “heróis” não são necessariamente os mocinhos.
Segundo Edmilson Junior, diretor do projeto, essa foi uma escolha consciente desde o início do desenvolvimento. “Quis fugir do clichê do herói em busca de redenção. Aqui, o protagonista é realmente um vilão — uma vampira que não quer mudar quem é.”
Um estúdio nascido do amor (e da correria)
O Fairy Cave Studio, responsável pelo game, nasceu oficialmente em setembro de 2024, mas a semente do projeto começou a germinar alguns meses antes, quando Edmilson Junior já divulgava o jogo nas redes sociais. “No início, era só eu e minha esposa, Tayná Gomes. Ela me ajudava com o roteiro e cuidava das redes sociais. Aos poucos, outras pessoas foram chegando”, conta Ed.
Hoje, o time é formado também pelo ilustrador Yuri de Paula e pelo compositor mexicano Manuel Gutiérrez. Com passagem por estúdios como a Statera Studio, Ed já trabalhou em jogos como Guns n’ Runs, Pocket Bravery e Shield Strike.
Dentro do Vampire’s Veil, ele acumula funções: game design, direção de arte, animação, pixel art, concept, programação, produção e roteiro — tudo com aquele espírito indie raiz. Já Tayná, mesmo sendo novata no mundo dos games, se tornou peça-chave no suporte externo ao desenvolvimento, cuidando da comunicação com o público e ajudando na construção do universo do jogo.
Um time talentoso (e apaixonado)
O artista Yuri de Paula entrou para o time como ilustrador e concept artist. Ele começou na área de design gráfico e hoje trabalha com games mobile, mas tem um carinho especial pela cena indie. “Sou fã dos trabalhos do Ed. Quando surgiu a chance de trabalhar com ele de novo, não pensei duas vezes”, diz Yuri, que se inspira em nomes como Akiman, Bengus e Moebius.
Já a trilha sonora sombria e atmosférica do jogo está nas mãos de Manuel Gutiérrez, direto do México. Com um estilo que mistura rock orquestral e gótico, Manuel já compôs para bandas e podcasts de terror e encontrou no Vampire’s Veil o projeto ideal para expressar essa sonoridade. “É um jogo com identidade. Fiquei empolgado desde o começo”, afirma.
A vampira que virou protagonista
A ideia de Vampire’s Veil começou como um projeto de portfólio para mostrar todas as habilidades de Ed como desenvolvedor. A personagem Selene, inclusive, veio de um projeto anterior de jogo de luta que nunca saiu do papel.
Inspirada nas esposas do Drácula do filme Van Helsing, Selene ganhou uma nova chance como estrela de um metroidvania. “Pensei: por que não colocar uma vilã como protagonista? Alguém que normalmente estaria do outro lado?”, explica Ed.
As referências de Vampire’s Veil aparecem rápido para qualquer fã de metroidvania. O clima gótico lembra imediatamente os jogos clássicos de Castlevania, enquanto o uso de cores vibrantes e personagens estilizados traz um pouco da identidade visual de Shantae.
Já no gameplay, Edmilson cita Momodora: Reverie Under the Moonlight como uma das maiores inspirações do projeto, especialmente no ritmo do combate e na fluidez da movimentação. Outros nomes como Blasphemous e Hollow Knight também ajudaram a moldar a visão do time.
No entanto, o estúdio tenta encontrar sua própria identidade ao misturar parkour, habilidades vampíricas e uma estrutura menos tradicional para os personagens. Além da abordagem mais ousada da narrativa — onde o jogador encarna uma vilã que não quer redenção, só vingança — Vampire’s Veil aposta em mecânicas únicas que aproveitam a natureza vampírica da protagonista.
Selene pode desbloquear habilidades sombrias, invocar o poder das esposas de Damian e realizar acrobacias de parkour em um level design focado em fluidez e criatividade. Os inimigos também fogem do convencional, colocando o jogador contra fadas, gnomos e paladinos élficos em vez dos típicos monstros noturnos.
Sensualidade sem tabus
Um dos elementos mais comentados do jogo é o visual das personagens. Selene segue uma linha bastante estilizada, inspirada em animes, jogos japoneses e personagens clássicos da cultura pop — w não é por acaso. “A sensualidade da protagonista é totalmente intencional”, diz Ed.
“Não é um jogo erótico ou apelativo, mas a sensualidade está ali como elemento estético e narrativo.” O time se preocupa em manter esse equilíbrio, inclusive com a ajuda ativa de Tayná nas decisões de design.
O meme de “metroidvania das vampiras gostosas” surgiu espontaneamente nas redes, e o estúdio decidiu abraçá-lo com bom humor — e bastante responsabilidade. Ele também comentou que Tayná participa ativamente das decisões envolvendo o design dos personagens, ajudando a equilibrar a direção visual do projeto.
E convenhamos: vampiros e sensualidade caminham juntos na cultura pop há décadas. Basta olhar para filmes, animes e até jogos clássicos do gênero. O importante é como isso é executado — e parece que o Fairy Cave Studio está tentando encontrar esse equilíbrio sem transformar o jogo em um simples “simulador de thirst trap gótica”.
Entre desafios e vitórias
Como todo projeto indie, os obstáculos fazem parte da jornada. Para o time do Fairy Cave, os maiores desafios foram lidar com burocracias e conciliar o desenvolvimento com a vida profissional. “A gente desenvolve nas horas vagas. É cansativo, mas também é um privilégio”, comenta Ed.
Apesar do tema vampiresco,, essa talvez seja uma das partes mais humanas do projeto. Por trás dos sprites, dos efeitos e dos chefes gigantescos, existe um grupo de pessoas tentando transformar paixão em algo concreto. “É aquela correria de trabalhar o dia todo e virar a madrugada dando vida ao projeto”, conta.
O suporte da publisher Nuntius Games veio como reforço bem-vindo, especialmente nas áreas de marketing e estrutura legal, permitindo que a equipe foque no que faz de melhor: criar. “A Nuntius não interfere nas decisões criativas — eles estão ali pra complementar, não pra mudar o que o Vampire’s Veil é”, explica o desenvolvedor.
Quando Vampire’s Veil será lançado?
Por enquanto, o jogo segue sem data oficial de lançamento. O estúdio afirma que as bases principais já estão prontas e que o foco atual está na produção de conteúdo, inimigos e refinamento visual.
A meta interna da equipe é lançar Vampire’s Veil em algum momento de 2026, embora o time prefira não prometer uma janela específica ainda. “As bases já estão prontas. Agora estamos focando em arte, inimigos e conteúdo. Vai ficar lindo”, promete o time.
Até lá, a expectativa é que novas informações e a demo pública ajudem a consolidar o projeto como mais um nome promissor da cena indie brasileira — que, convenhamos, continua entregando muita coisa interessante nos últimos anos. “Trabalhar nesse projeto tem sido incrível”, conclui Ed. “Nos vemos em breve — nas sombras do castelo.”
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