Um novo jogo de Life is Strange está chegando, e isso é péssimo para os fãs
Na edição extra de hoje, vamos reclamar de uma das nossas franquias favoritas, que pode fazer um fanservice barato, polêmico e perigoso para o passado e o futuro da série
Aparentemente, Max Caulfield ainda não tirou férias. Segundo vazamentos que vem desde o ano passado e ganharam força na última quarta (7), a Square Enix estaria planejando lançar mais um capítulo da série Life is Strange chamado Reunion, trazendo a saudosa SuperMax ao lado de ninguém menos que Chloe Price.
O jogo apareceu em uma listagem de classificação, incluindo uma sinopse, e seria uma continuação direta de Double Exposure — aquele jogo de 2024 que foi tão mal recebido que muita gente achava que a franquia tinha oficialmente dado o último suspiro.
De acordo com as informações, Life is Strange Reunion será uma sequência direta de Double Exposure, mas com um detalhe: o final em que Chloe está viva será considerado canônico. Com isso, a garota do cabelo azul aparecerá visitando a Universidade de Caledon, que será destruída em três dias por um grande incêndio.
Ou seja, ao que tudo indica, Max vai reaparecer em 2026, mesmo que uma boa parte dos fãs já tenha levantado a plaquinha de “deixa quieto”. Mais do que isso, ela estará acompanhada de uma das personagens mais carismáticas da franquia, continuando o final icônico do primeiro jogo e dando sequência a um dos games mais divisivos de toda a série.
Life is Strange Reunion será uma sequência direta de Double Exposure, mas com um detalhe: o final em que Chloe está viva será considerado canônico.
Só essa sinopse, por si só, já seria motivo suficiente para preocupar fãs mais ávidos de boas narrativa, pois claramente o movimento parece desesperado e baseado puramente em nostalgia. O problema é que essa notícia vem cercada de polêmicas, más lembranças e até decisões corporativas bem estranhas.
Afinal, Double Exposure não só teve vendas decepcionantes, como também causou revolta por recontar a história de Max e Chloe de um jeito que muitos consideraram desrespeitoso com o final original do primeiro jogo. E como se não bastasse, o estúdio Deck Nine está enfrentando uma crise interna daquelas, com demissões, denúncias de ambiente tóxico e até um episódio bizarro envolvendo um prêmio devolvido na GDC.
A sequência que ninguém pediu, mas é obrigatória por contrato
No ano passado, o suposto “Double Exposure 2” apareceu no perfil de um ex-funcionário da Deck Nine no LinkedIn, listando um “projeto não anunciado para 2025”. Outro ex-dev resolveu soltar o verbo e disse que, na verdade, se trata de mais um Life is Strange, só que empurrado para 2026.
E antes que alguém pense que isso é decisão criativa ou um desejo dos fãs: aparentemente o game precisa existir porque faz parte de um contrato entre Square Enix e Deck Nine — segundo detalhes de um ex-funcionário. Ou seja, não é bem “vamos continuar porque o público amou”, mas sim “assinamos, agora aguenta”.
E aí já dá pra imaginar a treta. A Square precisa justificar o investimento, mas o último jogo foi considerado um “grande prejuízo” pela própria empresa. Isso significa que a nova aposta pode acabar nascendo sem o carinho, o tempo e a liberdade criativa que sempre foram a alma da franquia.
Traduzindo: tem cheiro de game feito no piloto automático, para agradar investidor e cumprir tabela. Ou seja, possivelmente teremos duas personagens amadas sendo usadas como muletas para entregar um jogo que é obrigação contratual.
O fracasso de Double Exposure
Pra quem não acompanhou, Life is Strange: Double Exposure chegou em 2024 com a promessa de trazer Max de volta. Mas o retorno foi mais azedo que limão no olho. O jogo ignorou as escolhas finais do primeiro Life is Strange e foi acusado de ser praticamente um reboot disfarçado, deixando de lado o peso emocional que sempre definiu a série.
O resultado? Vendas baixas, críticas mornas e uma comunidade revoltada. Até mesmo fãs mais fieis, que normalmente defendem a franquia com unhas e dentes, ficaram decepcionados. Quando se mistura a nostalgia dos personagens originais com uma narrativa que desrespeita o passado, a frustração vem na mesma intensidade da expectativa.
Demissões em massa e crise nos bastidores
E como se não fosse suficiente, a Deck Nine vem enfrentando uma turbulência digna de novela mexicana. Desde 2023, o estúdio já passou por várias rodadas de demissões, incluindo uma que cortou 20% do quadro em 2024.
O CEO chegou a admitir em comunicado que eram “tempos desafiadores”, mas reportagens do IGN mostraram que o buraco era bem mais embaixo: acusações de crunch, cultura tóxica, discurso de ódio e gestores abusivos.
Traduzindo para o gamerês: a equipe que deveria estar criando histórias sensíveis e emocionantes vivia numa realidade oposta, com pressão desumana e liderança problemática. E isso levanta a pergunta inevitável: como esperar um jogo que fale de empatia e impacto social quando o estúdio por trás não consegue aplicar isso na vida real?
A treta do prêmio na GDC
Se a novela já estava complicada, em março de 2025 a Deck Nine resolveu adicionar mais um capítulo constrangedor. Double Exposure ganhou o prêmio de Impacto Social na GDC Awards, mas… ninguém do estúdio subiu ao palco para receber.
Detalhe: alguns ex-desenvolvedores estavam lá na plateia, inclusive uma das roteiristas, que poderia ter feito um discurso histórico. Só que a empresa simplesmente não avisou ninguém e deixou a cena passar como se “não tinha ninguém por perto”.
O pior veio depois: os ex-funcionários chegaram a posar com o troféu, mas, dias depois, receberam a ordem de devolver o prêmio porque a Deck Nine queria o objeto de volta. Sério, se isso fosse roteiro de Life is Strange, todo mundo chamaria de forçado.
O contraste entre discurso e prática
E aqui entra a grande ironia: Life is Strange sempre foi celebrado por abordar diversidade, empatia, impacto social. Mas, nos bastidores, os relatos são de funcionários sendo silenciados justamente quando tentavam lutar por mais representatividade dentro dos jogos.
É quase como se a narrativa da série fosse escrita para fora, mas não aplicada para dentro.Essa contradição pega mal, principalmente em uma indústria onde cada vez mais os jogadores querem saber quem está por trás das histórias que consomem.
O resultado é que, mesmo com prêmios e reconhecimento público, a credibilidade da Deck Nine está no chão, o que levanta dúvidas sobre a qualidade de um novo jogo.
E o futuro da franquia?
Diante desse cenário, a pergunta que não quer calar é: vale a pena continuar insistindo em Life is Strange desse jeito? Se a nova sequência está sendo feita apenas para cumprir contrato, a chance de vermos um game sem alma é grande. Pior ainda: se a equipe responsável está fragilizada por demissões e clima tóxico, o risco de repetir os erros de Double Exposure aumenta exponencialmente.
Por outro lado, a franquia ainda tem fãs apaixonados e um espaço enorme no mercado para histórias narrativas emocionais. Só que, pra voltar a ser relevante, vai precisar resgatar aquilo que a tornou especial em 2015: respeito às escolhas do jogador e narrativas que realmente importam.
O vazamento sobre um novo Life is Strange pode até animar quem sente saudade de Max e companhia, mas a real é que a notícia traz mais preocupação do que empolgação. Se o jogo de 2026 repetir os mesmos tropeços, pode ser o golpe final numa série que já anda mancando.
Talvez fosse melhor deixar a franquia descansar em paz, como aquele final de temporada de série que não precisa de mais uma temporada arrastada. Mas como estamos falando de contratos e dinheiro, prepare-se: Max e Chloe vão voltar — só não sabemos se elas vão conseguir consertar esse futuro alternativo em que a própria franquia se tornou sua pior versão.
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Não sei qual é a necessidade de apelar tanto para a nostalgia das coisas. O True Colors foi EXCELENTE e não tem nada a ver com os anteriores, assim como 2. Achei que eles não se fariam refém das próprias histórias.
por mais que eu adore life is strange, esse será mais um lançamento lamentável.